sábado, 14 de março de 2009

Capítulo II - A OLIGARQUIA CHAVES E A POLITICA ATÉ 1945.

NAS PRIMEIRAS DÉCADAS do século XIX, o sítio Limoeiro tinha apenas algumas casas, além da grande fazenda dos Rodrigues, que ali chegaram por volta dos anos finais do século XVIII, procedentes de Aracati. Não se tem notícia de como as terras pertencentes a eles foram adquiridas. 
“Como e de quem os Rodrigues adquiriram terras nas áreas de Limoeiro, propriedades que iam da Chapada do Apodi (São Gonçalo) até o Congo e Jatobá, nada se sabe...” (LIMA, Lauro de Oliveira. Na Ribeira do Rio das Onças, 1997. p. 174). 
O Padre Vicente Rodrigues da Silva, o primeiro sacerdote de Limoeiro, iniciou suas atividades em 1806. É indiscutível a sua influência política na região, tanto que presidiu a Câmara de Vereadores de São Bernardo das Russas por duas vezes, em 1822 e 1832.
Como era composto somente por uma grande fazenda, o cenário político em Limoeiro era praticamente nulo. Nem mesmo com a chegada de Bonifácio José Carneiro (*) em 1830, procedente da Caatinga do Góis/União (hoje Jaguaruana), houve disputa pelo espaço político, muito embora ele tenha, naturalmente, entrado em choque com a liderança do Padre Vicente, único representante do povoado até então. Não se tem registro de nenhuma divergência no campo político. Entretanto, os dois se atritaram na época da doação do terreno para a construção da capela, feita por Bonifácio, à qual o Padre Vicente foi contra. O pároco defendia a construção do templo em Gangorra ou Sapé, sob a alegação de que nesses locais não havia perigo de enchentes. Tal justificativa, contudo, não fazia sentido, posto que, com o povoado de Limoeiro já estabelecido, seria mais conveniente construir a igreja ali mesmo, ainda mais porque o próprio padre já celebrava os atos litúrgicos no ORATÓRIO, que também servia como sua residência.
(*) Bonifácio José Carneiro , faleceu no dia 28 de novembro de 1861 na povoação do Limoeiro, vítima de uma hidropisia, que o fez sucumbir dentro de poucos dias e depois de esgotado os recursos da medicina. Sr. Bonifácio era um cidadão prestimoso, que sempre soube corresponder à estima e consideração que gozava entre seus concidadãos. Os habitantes do Limoeiro devem ser gratos a memória desse homem que tanto contribuiu para o estado em que se acha aquela florescente povoação. Com efeito, em 1844 - 45 ou muito de 1840 a 1845, o Sr. Bonifácio foi estabelecer-se no Limoeiro, apenas havia ali duas ou três casas velhas, sendo uma destas a do capelão, onde estava colocado o oratório privado em que se celebravam os atos divinos e suspenso em um dos frechais da casa o sino que convocava os fiéis para assistirem a esses mesmos atos". Foi então que o Sr. Bonifácio tratou de levantar a efeito a edificação da capela sob a invocação de Nossa Senhora da Conceição, que era venerada no mesmo oratório como a padroeira daquele lugar; promoveu uma subscrição entre os moradores, animou-os a empreenderem a obra e conseguiu a força de trabalhos e perseverança construir a capela-mór e elevar as paredes do corpo da igreja a tal altura que podia comodamente servir para o culto; depois passou a administração a outros encarregados, nunca deixando de ser um benfeitor da mesma igreja. Foi ainda o Sr. Bonifácio quem primeiro promoveu a edificação de casas naquele lugar, aonde deu princípio a uma rua e construiu um quarteirão de pequenas casas ou quartos próprios para o mercado público; desenvolver-se ali o gosto pela edificação, de modo que a população tem aumentado muito, e hoje é incontestavelmente a mais importante do município. afeiçoados entre os membros de ambas as parcialidades. (PL - jornal Pedro II, 12 de dezembro de 1861, pág. 3 – nº 286).

Bonifácio Carneiro e Joaquim Costa Barros tiveram relevante destaque na primeira metade do século XIX, ao doarem para a paróquia de Nossa Senhora da Conceição, cada um, 25 braças de terra (o equivalente a (91,44m), onde seria construída a capela, benzida (provavelmente) em 8 de dezembro de 1845.
Até então, não havia grandes disputas políticas no então povoado de Limoeiro. Somente a partir da segunda metade do século XIX é que a cidade começou a despontar com seus próprios líderes. Esse fato pode ser compreendido porque, até se tornar vila, a localidade dependia politicamente de Russas, sendo lá que os representantes oficiais atuavam.
Foi a partir de meados do século XIX que o Limoeiro começou a "respirar com os próprios pulmões". De pequeno aglomerado de casas, foi elevado à categoria de Vila (em 1871) e, antes de terminar o século, receberia o galardão de Município (em 1897).

* (Lei Provincial nº 1.402, de 22 de julho de 1871 –  A Vila Limoeiro só foi instalada dois anos depois, em  30 de junho de 1873,  quando o Capitão João Ennes da Silva foi empossado como 1º presidente da nova Câmara.
  
A Elevação à categoria de Município provém da Lei nº 364, de 30 de agosto de 1897, assinada pelo Comendador Antônio Pinto Nogueira Accioly.

O pequeno povoado, ainda sem praças e ruas definidas, iniciava o novo século mergulhado nas disputas de poder entre as famílias Chaves e Nunes. Ambas, muito bem acomodadas sob a gestão do Comendador Accioly, alimentavam intrigas que deixavam o recém-criado município em total estagnação. Nada de producente acontecia. O arrastado e quase imperceptível processo de desenvolvimento caminhava a passos de tartaruga. Além disso, a nenhuma das partes em conflito interessava que a pequena Limoeiro registrasse qualquer crescimento social e político.
Ao que parece, os homens que ocupavam os cargos no comando municipal também não tinham uma visão progressista. A investidura no cargo de intendente dava-se pela influência de chefes políticos, que os nomeavam de acordo com circunstâncias e interesses, às vezes escusos. Essa é a razão pela qual alguns intendentes não passaram para a história como responsáveis por ações de destaque que tivessem colaborado para o crescimento do novo município.
O primeiro intendente, Capitão João Ennes da Silva (1873-1878) — que, na verdade, era o presidente da Câmara de Vereadores —,(*) para servir de exemplo, não era, pelo que se sabe, engajado na política, destacando-se na história muito mais como um burocrata, notadamente pela sua atuação em favor dos flagelados da grande seca ocorrida entre 1877 a 1879. Seu pai, também chamado João Ennes, morava no Sítio Pasta. De onde teria vindo essa família cujos descendentes já não são encontrados em Limoeiro?(*) Sabe-se, entretanto, que antes de ser nomeado intendente, ele atuou como subdelegado (1870-1873).

(*) Durante o Brasil Império e no início da República, a administração executiva das cidades ficava a cargo das Câmaras Municipais. O intendente (ou o presidente da câmara) era a autoridade que exercia a função de chefe do executivo. Essa união de poderes teve fim oficialmente com a Revolução de 1930, que instaurou a Era Vargas.
A partir de 1930, o governo criou as Prefeituras. Com essa separação estrutural, os prefeitos passaram a administrar o Poder Executivo, enquanto as Câmaras Municipais deixaram de ter funções administrativas e tornaram-se exclusivamente casas legislativas.

(*) NOTA: Sobre João Ennes, onde se diz que não se encontram descendentes dele em Limoeiro do Norte, minha mãe é uma, mora em Fortaleza. Arides Enes Nogueira. (sic) (Por Ricardo Nogueira Campos Ferreira - em 21.11.2019 )

A Grande Seca, ou a seca no Nordeste brasileiro de 1877/1879, foi o mais devastador fenômeno de seca da história do Brasil, ocorrido no período imperial brasileiro. A região mais afetada foi a província do Ceará. Foram três anos seguidos sem chuvas, sem colheita, sem plantio, com perda de rebanhos e com a fuga das famílias, deixando despovoado o sertão.

https://pt.wikipedia.org/wiki/Grande_Seca - 2025

O Coronel Cândido José Gonçalves Malveira, dada a sua grande influência, foi o segundo intendente do município, governando de 1878 a 1881. Conforme Malveira (1998), ele era "pernambucano, chegou a Limoeiro via Russas". (MALVEIRA 1998, 19) 
Quanto ao terceiro intendente, José Vidal de Sousa Maciel (1881–1883), também não se dispõe de dados sobre como e quando ele se estabeleceu em Limoeiro. Todavia, supõe-se que fosse natural da região, visto que sua propriedade, localizada nos Morros, pertencia-lhe por herança familiar.

O 3° Intendente,  José Vidal de Sousa Maciel  (1881/1883), (*1827 +1911) era filho de Antônio Paes de Sousa Jr (*1810 +?) e Felícia Francisca dos Reis, que possuíam terras em São João (Sítio Lima), Tabuleiro e talvez também em Limoeiro. Sua esposa, Maria Escolástica do Espírito Santo, era filha do Capitão Antônio Lopes de Andrade e também era irmã de Maria de Jesus da Purificação, que se casou com o Cap. José Rodrigues, do Poço das Pedras. Um dos irmãos de José Vidal, Antônio Alves de Carvalho Lima (*1825 +?) foi juiz de paz em Limoeiro. Vê-se aqui o natural: os poderosos vão unindo seus descendentes, para que estes também sejam poderosos.  (Colaboração de Abner Chaves – em 28.10.2015)

O quarto intendente de Limoeiro do Norte, João Batista Roberto (1883-1886), possuía raízes familiares na localidade do Sapé desde o início do século XVIII. Ele era pai de Patrício José Roberto e avô de Sabino Roberto de Freitas.
O fato é que o poder nunca chegou a ser travad
o por coronéis latifundiários, já que os latifúndios praticamente não existiam no município. A base das disputas políticas era o comércio e a burocracia cartorial, auxiliados pelo poder eclesiástico, que sempre exerceu influência considerável ao longo da história local.
"As disputas políticas envolvendo os sacerdotes no município de Limoeiro das primeiras décadas do século XX eram evidentes e pouco disfarçadas. As rixas partidárias eram determinantes na nomeação e permanência de párocos no município (...)" (ANDRADE, Maria Lucélia de. Tese de Mestrado: “Filhas de Eva como Anjos sobre a Terra” A Pia União das Filhas de Maria em Limoeiro-CE (1915-1945), UFC, 2008). 
O comércio local compunha-se de algumas lojas modernas para a época, além de pequenas bodegas no centro da vila, o suficiente para manter o poder político municipal, disputado entre homens reconhecidamente ricos.
O Coronel Cândido Malveira (segundo intendente, 1878-1881) era proprietário de uma das modernas casas de comércio, localizada na esquina da rua Coronel Serafim Chaves com a Avenida Dom Aureliano Matos:
"Na sua loja, vendia-se de quase tudo: prataria, talheres e bons tecidos para ambos os sexos. Era uma substanciosa casa comercial ao estilo do tempo; abastecida através do Estado de Pernambuco, onde ele ia de dois em dois anos fazer compras..." (MALVEIRA, Coronéis, Ascenção e Queda. Rio de Janeiro: Ed. Peneluc Prod. Graf. e Pub. Ltda, 1998, p. 20)
Procedente de Tabuleiro, Antônio Joaquim Ferreira Maia — coronel da Guarda Nacional e quinto intendente no período de 1886 a 1890 — também chegou a Limoeiro. Ele inovou a vida comercial da vila ao introduzir uma máquina de descaroçar algodão (conforme detalhes ilustrativos abaixo), adquirida em Pernambuco, além de uma tecelagem, uma padaria e uma casa de comércio moderna para a época. Diante da escassez de médicos, situação comum naquele período, ele também assumia a função de consultar os doentes. Consta que receitava apenas "pílulas do mato" para os homens, "óleo de rícino" para as mulheres e "maná" para as crianças.

A máquina consistia em uma espécie de peneira com um tambor que girava bem próximo a ela, fazendo o "papel" dos dedos puxando o fio. Na superfície do cilindro havia ganchos que capturavam o fio da semente e uma escova rotativa os puxava. A máquina poderia fazer apenas em uma hora o que vários trabalhadores poderiam fazer em um dia inteiro.            http://www.tocadacotia.com/economia/tecido-algodao  
No intervalo de março a setembro de 1890, com a implantação dos Conselhos de Intendência Municipal,(*) o órgão passou a ser presidido por Cândido Olímpio Gonçalves (sexto Intendente), que continuou no cargo de 1890 a 1892. Ambas as nomeações foram assinadas pelo então presidente da província, Luiz Antônio Ferraz.

(*) Com a Proclamação da República, o Brasil adotou o federalismo, dando maior autonomia local e substituindo o sistema imperial.

A criação dos Conselhos Municipais (ou Conselhos de Intendência) foi impulsionada pela Constituição Federal de 24 de fevereiro de 1891, que instituiu a República e determinou a organização autônoma dos municípios.

A experiência com esses Conselhos foi relativamente curta, extintos logo em 1892.

A respeito dos nomes desconhecidos que assumiram a Intendência Municipal, podemos indagar: quem foi mesmo esse Francisco Casimiro Varella (sétimo intendente, de 1892 a 1896)? Um aventureiro? Sabe-se que tinha parentes na localidade de Lagoa do Rocha e que chegou a Limoeiro do Norte na qualidade de delegado de polícia em 1859. Ainda assim, podemos, por meio do jornal Cearense, resgatar alguns dados sobre sua trajetória:

(*) Francisco Casimiro Varella foi suplente JUIZ DE PAZ entre 1873–1876 Freguesia da Vila do Limoeiro – 3º Distrito.

*Sr. Francisco Casimiro Varella era um boiadeiro do Limoeiro, assim informou jornal Cearense, em 5 de maio de 1876. Que o mesmo vendia Carnes Verdes na feira do Arouchos atual Parangaba.

*Em 15 de agosto de 1892 foi nomeado para a Guarda Nacional do Ceará: Limoeiro, o tenente coronel comandante – Francisco Casimiro Varella.

*Francisco Casimiro Varella foi em 1890, 1º suplente de delegado de Limoeiro.

*Limoeiro 21 de março de 1894 – "Francisco Casimiro Varella - Intendente";  

*Em 1915 Francisco Casimiro Varella era Fiscal Geral de Limoeiro.

(Jornal Cearense, 5 de maio de 1876, Nº 39) - Colaboração de Jose Arimatéia F. Maia)

Também era comerciante de destaque Camilo Brasiliense de Holanda Cavalcante, cujo comércio era inovador para a época, pois representava, com exclusividade, as máquinas de costura Singer.(*) Era um homem de visão e, mesmo naquela época, fez algumas viagens à Europa.

(*) Em 1851, aparece nos Estados Unidos a primeira máquina de costura com pedal, uma invenção de Isaac SINGER. A máquina foi autorizada a funcionar no Brasil pela Princesa Isabel em 1888. Sem dúvidas era uma grande novidade naquela época para um povoado pequeno como Limoeiro já ter representante exclusivo de tão moderno instrumento.

Residia em um casarão assobradado na esquina da atual Avenida Dom Aureliano Matos com a Rua Coronel Serafim Chaves. Ao ficar viúvo do primeiro casamento, contraiu segundas núpcias com Maria da Conceição da Silva, em 24 de abril de 1888, e as terceiras com Maria Senhorinha, em 16 de setembro de 1909. Separou-se desta última, razão pela qual se mudou para o Recife, onde faleceu, provavelmente, em 1910. (MENDES, Antônio Adriano; HOLANDA, Vanusa Mendes. Resgate às Nossas Origens. Fortaleza: Gráfica Editora Glichê, 2006. p. 137, 141).

Apesar do forte envolvimento na política local, Camilo Brasiliense nunca assumiu a Intendência. Contudo, seu filho, o Tenente-Coronel Luiz Brasiliense de Holanda Cavalcante, tornou-se o oitavo prefeito/intendente do município, exercendo o cargo entre 1896 e 1902.

No curto período de 30/08/1897 (data da criação do município) até o dia 20/09/1897, o presidente da Câmara de Vereadores era o major Francisco Juvenal de Abreu Lajesmais um nome desconhecido da nossa história; de onde vieram e onde se encontram seus descendentes? — Depois, o comendador Nogueira Accioly confirmou por nomeação o Tenente-Coronel Luiz Brasiliense para continuar no cargo de Intendente pelo período de 20/09/1897 a 1902. Essa gestão foi marcada por turbulências e agitações políticas resultantes das lutas pelo poder na época. Os brasiliense eram aliados do Coronel José Nunes nos confrontos contra o Coronel Serafim Chaves. Nos meios políticos do Estado, Luiz Brasiliense era conhecido como “o sujo”.
“De Limoeiro acabam [de] chegar os dois corypheus acciolyis Luiz Brasiliense – o sujo, como vulgarmente o chamam, e o revd. Intendente Antônio Pereira da Graça Martins, bem dispostos, aparelhados e ajustados dragões de politicagem sertaneja”. (sic) (Notícia do jornal periódico O Cearense)
Na parte burocrática, o poder sempre esteve montado sobre os cartórios, que funcionavam como armas poderosíssimas na confecção brutal e escandalosa de resultados eleitorais. As chamadas "eleições a bico de pena" ocorriam por meio de um vergonhoso processo pelo qual uma comissão fraudava qualquer apuração. Violavam-se as urnas, falsificavam-se assinaturas e criavam-se eleitores fantasmas, tornando o resultado favorável a quem a comissão bem quisesse. Para isso, o cartório era peça fundamental, pois exercia o controle eleitoral total. Dessa forma, os novos mandatários eram praticamente escolhidos pelos mesários que, sozinhos ou com a ajuda de profissionais, determinavam o “resultado” da eleição. Ademais, tal prática tornava-se ainda mais fácil porque o eleitorado era inteiramente controlado pelo voto de cabresto e pela estrutura do curral eleitoral, o que também espalhava o medo.
Aqui, cabe-nos mencionar a influência dos padres e, por que não dizer, na maioria das vezes, a conivência destes com essa prática descabida. As eleições se realizavam justamente na igreja, sob a “fiscalização” do pároco que, ao final, chancelava toda a fraude cometida.
A prática da intimidação aos eleitores no momento da votação também ocorria em Limoeiro do Norte, como relata o escritor Antônio Nunes Malveira. O autor cita, mais uma vez, a Fazenda Água Fria, propriedade de seu avô, o Coronel Cândido Gonçalves Malveira:
“Lá, em época de eleição, se escondiam os cangaceiros Raimundo das Neves, compradre de meu avô, e Pedro das Neves, seu irmão. (...) No dia das eleições eram conduzidos para a cidade” (MALVEIRA, Op. cit., p. 25).
Note-se que a menção a "no dia das eleições" revela que o processo eleitoral no município obedecia ao mesmo padrão de outras regiões: o poder público era exercido pela força, por meio do coronelismo. Sendo assim, em Limoeiro, os pleitos também ocorriam em clima tenso. A presença dos pistoleiros servia exatamente para assegurar a vitória, impedir que adversários tivessem acesso ao voto e permitir a prática de outras manobras fraudulentas.
Um fato que chama a atenção é que um dos cangaceiros, Raimundo das Neves, era compadre do coronel, o que demonstra os fortes laços de amizade entre ambos. Fica a dúvida, porém, sobre quem apadrinhou o filho de quem. De qualquer forma, esse compadrio evidencia a notável intimidade de um coronel da Guarda Nacional com figuras à margem da lei.
Foi também em meados do século XIX, por volta de 1873, que surgiu em Limoeiro uma das figuras coronelísticas mais influentes, dando origem a uma oligarquia que dominou a política local por mais de oitenta anos. Tratava-se do Coronel Serafim Tolentino Freire Chaves.

Serafim Chaves foi casado com duas Joanas. A primeira chamava-se Joana de Sena Freire (em 2 de fevereiro de 1860) que era sua tia caçula, ou seja, irmã do seu pai .
A segunda, Maria Joana Pereira Chaves (ou Maria Joana de Jesus em 21 de setembro de 1864), era filha do Cap. José Rodrigues Pereira Chaves (do Poço das Pedras) (*1810 +?) e, portanto, neta de André Felício da Silva Chaves. Esse André era irmão de Ângela da Silva de Santa Bárbara Rodrigues Chaves (*? +1875), que era mãe de Antônio Rodrigues Freire Chaves (*1811 +1885) e, portanto, avó do Cel. Serafim Tolentino (*1839 +1914). Ou seja, o avô de Joana era irmão da avó de Serafim, o que os tornou primos de 3o grau. (Por Abner Rodrigues Chaves Junior)

Fato interessante é que para casar-se com Maria Joana de Jesus, teve que "roubá-la" e praticamente à vista dos pais dela durante uma festa religiosa em Tabuleiro. Podemos presumir, portanto, que o pai da moça era contrário ao casamento:
“O Capitão José Rodrigues era um matuto durão; por ocasião de uma festa religiosa em Tabuleiro, fez-se presente com toda a família. Trazia mantimentos para muitos dias de permanência no povoado, quando foi avisado que sua filha Maria Joana, havia fugido com o Coronel Serafim Chaves. José Rodrigues ficou calado. Pouco tempo depois, chamou os serviçais, mandou atrelar os bois ao carro, que era o seu transporte, reuniu a família e foi embora. Abandonando a festa que apenas começara. Apesar de analfabeto, que não era novidade na época, comparecia a todos os eventos promovidos pela Igreja, especialmente, às festas da Padroeira.”  (MAIA Gumercindo Cláudio. Tabuleiro, o povo e a terra. Fortaleza, 1999, p. 12)
Muito prestigiado pelo Império, foi nomeado o 1º Tabelião de Limoeiro (Decreto Imperial de 28 de fevereiro de 1874) e, anos após, comandante da Guarda Nacional (Decreto Imperial 9.131, de 16 de fevereiro de 1884). Foi também deputado da antiga Província do Ceará no biênio 1886/1887.
O inconstante e vulnerável ambiente político em Limoeiro, na época, foi altamente propício para que Serafim não encontrasse dificuldades para estabelecer uma acentuada liderança e, segundo Lauro de Oliveira Lima, solidificada sobre o tripé:
“cartorial (tabelionato), militar (Guarda Nacional) e político (prestígio junto ao presidente da Província)” (LIMA, op. cit., p. 318).
Tem-se a informação de que ele era amigo íntimo de Antônio Pinto Nogueira Accioly. Essa amizade com o "Velho Babaquara"(*), presidente da Província, era-lhe conveniente, visto que assim mantinha melhor o seu prestígio.
*A expressão pejorativa foi criada por Antônio Sales e logo foi adotada pelos demais adversários políticos do líder oligárquico.
O comendador Accioly governou o Ceará por quase vinte anos (1896/1912), período chamado de oligarquia acciolina ou cesarismo acciolino. O mandato foi interrompido entre 1900/1904, época em que se elegeu senador da República, mas colocou no lugar seu pau-mandado, Pedro Augusto Borges, que fazia exatamente tudo o que ele determinava. Passou para a história do Ceará como um dos governantes mais corruptos, fato, talvez, que favorecia o próprio Serafim, já que gozava também dos benefícios dos quais usufruíam os governantes estaduais através da chamada “Política dos Governadores”(*).
(*) Criada por Campos Sales, baseava-se no seguinte: o presidente apoiava os governadores estaduais e seus aliados e, em troca, eles garantiam a eleição para o Congresso dos candidatos oficiais. Isso garantia a continuidade das grandes famílias (ricas e poderosas) no poder. (http://www.infoescola.com/historia/politica-dos-governadores).
Há de se estranhar, portanto, que, mesmo sendo poderoso e detentor de praticamente a totalidade do comando político, o Coronel Serafim Chaves nunca tenha assumido o posto de intendente.
A seu favor, ele ainda tinha o poder eclesiástico, controlado quase na sua totalidade. Usando de grande influência e prestígio político, conseguia substituir o vigário da paróquia caso este não estivesse de acordo com suas ideias ou as contestasse, tentando fazer oposição.
Politicamente, como não admitia discordâncias de seus atos, tampouco a intenção de lhe tomarem o poder, usava contundentemente o poder cartorial — sem dúvidas, a maior arma para assegurar sua soberania política. Era sob a égide desse instrumento, o mecanismo mais eficiente no funcionamento das engrenagens da máquina eleitoral, que conseguia exercer um poder quase absoluto e uma liderança invejável.
O que o Coronel Serafim não contava era que, com o aparecimento de outros nomes, perderia boa parte do prestígio com o qual manobrava toda a política da pequena vila.
Mas, para que se configurasse uma verdadeira disputa política, foi preciso que surgissem realmente outras forças capazes de combater o poderio incipiente do Coronel Serafim Chaves. E foi nos anos finais do século XIX que começou a atuação de José Nunes Guerreiro.
(*) Coronel José Nunes era genro do Coronel Malveira, casado com sua filha Maria Josina Malveira Nunes. Depois uma das filhas do Coronel José Nunes, Izaura Malveira Nunes, casou com Alberto Malveira, que era filho de Cândido Gonçalves Malveira, que era filho do Coronel Malveira.
Um de seus irmãos, Francisco Nunes Guerreiro, casou-se com Maria Jardilina que também era filha do Coronel Malveira. Pelos menos quatro sobrinhos(as) seus, casaram-se com filhos(as) de Cândido Gonçalves Malveira.
Assim, pelos laços familiares que foram se estabelecendo através dos casamentos entre os Malveira e os Nunes, podemos supor que ambas as famílias eram aliadas politicamente contra a família Chaves.  
Era mais um coronel, esperto o suficiente para se tornar também um fiel aliado do Comendador Accioly, com prestígio, inclusive, para criar o segundo cartório. (Dizem que os Chaves tomaram esse cartório tempos depois).
Acredita-se que o projeto de criação deste cartório, com a influência fortíssima do Presidente da Província, tenha sido uma vingança deste contra o Coronel Serafim Chaves — até então seu aliado, mas que, em determinado momento, se opôs às suas vontades, como bem noticia o jornal “O Cearense”, periódico oposicionista e de grande repercussão na época.
“O projeto visa uma vingança a nosso prestimoso amigo coronel Seraphim Chaves que não se dobrou à vontade onipotente do Sr. Accioly e preferiu, como político, acompanhar os opprimidos a deshonrar-se aderindo ao usurpador...” (sic) (notícia do jornal periódico O Cearense)
Em razão disso, começou o verdadeiro jogo de confronto político e cartorial. Essa rixa tornou os Chaves e os Nunes inimigos políticos, em uma briga que se prolongaria por grande parte da história. A grande amizade com Nogueira Accioly também fez com que o Coronel José Nunes começasse a indicar intendentes, chegando, inclusive, a dominar o pleito eleitoral em que foi eleito (ou nomeado) o Padre Antônio Pereira da Graça Martins. Tal fato é comprovado por uma notícia do periódico O Cearense, publicada por ocasião da visita do irmão do Coronel José Nunes à capital:
“Há poucos dias esteve nesta capital o Sr. Joaquim Nunes Guerreiro, do Limoeiro, irmão do célebre chefeto Jose Nunes, um dos mais ousados ​​e menos escrupulosos reguletes que infestam a zona do Jaguaribe.
Na eleição de 11 de abril deu uma grande amostra do seu valor reunindo uns 12 capangas de cujo numero fazia parte o vereador João Maria de Freitas e outros que se prepararam para receber o pujante partido opposicionista naquele pleito.
No intuito de vedarem à opposição de exercer o direito do voto, ordenou que se pregassem as portas da casa da Câmara, fazendo José Nunes com seu séquito a eleição na cosinha de sua própria casa, logar reservado para todas as tramoias políticas e para as sangrias do intendente Antônio de Castro, sacrificado pelo sangue-suga chefe acciolyno, a quem desejamos um bom proveito.(sic) (noticia do jornal periódico O Cearense).
Vê-se, entretanto, que a chegada do Coronel José Nunes ofuscou realmente a liderança do Coronel Serafim Chaves, que, a partir de então, passou a ser considerado pelo Comendador Accioly seu inimigo político.
A partir de 1908, surgiu outra figura com forte atuação em Limoeiro. Tratava-se do Padre Acelino Viana Arrais, sacerdote intrépido e valente, vindo da região Centro-Sul do Estado (era natural do município de Jucás), que se transformou em uma mistura de líder espiritual e político, exercendo considerável influência no município.
Ao chegar, mandou o Mestre Sombra, de quem se tornou amigo íntimo, construir sua própria residência (foto abaixo).
Logo se converteu em inimigo figadal do Coronel José Nunes, que, em contrapartida e numa demonstração de que levava a sério a intriga, não assistia às missas celebradas por ele. Mais tarde, o Padre Acelino também se atritou com os Chaves em virtude de uma agressão física contra um dos membros da família (Getúlio Chaves), por tê-lo visto namorando na calçada da matriz, depois de haver proibido namoros naquele local. Contam que o Padre Acelino levantou a batina e partiu ferozmente contra o rapaz; os dois chegaram a travar uma luta corporal, com bofetes de parte a parte — briga esta acompanhada pelos presentes à missa.(*)

(*) O autor, quando criança — sempre muito curioso —, ouviu a narrativa desse episódio atentamente da boca do Sr. Luiz Loureiro, em um domingo, pouco antes da missa, enquanto se olhava a galeria de fotos de todos os párocos de Limoeiro existente na sacristia da Catedral. Disse o Sr. Luiz Loureiro, que era criança na época, ter presenciado toda a briga.

De outra feita, o Padre Acelino travou uma batalha com o Coronel José Nunes, disparando tiros de sua casa (NIT) em direção à residência do coronel (onde hoje fica a Residência de Genésio Bezerra). Um fato que ficou registrado naquele recontro — até pitoresco — é que um balaço atingiu a soleira da janela da casa do coronel, deixando-a bastante dilacerada. O tiro foi disparado por José Ferreira Sombra (Mestre Sombra), amigo íntimo do Padre e exímio atirador.

“No tiroteio entre Zé Nunes que morava na rua da matriz e Pe. Acelino que morava na casa vizinha a Zé Osterne, Sombra atirava do lado de Pe. Acelino que possuía armas de pesado calibre, uma das quais só Sombra sabia usar – arma molixe – cujo tiro arrancou a soleira da casa de Zé Nunes.” (LIMA. Op. cit. p. 400)
A gota d'água que faltava para transbordar o copo deveu-se a uma aliança que os irmãos, o Coronel José Nunes e Francisco Nunes, fizeram com os Chaves para a realização de uma eleição que aconteceria dois dias depois. Como o padre já estava em atrito de sangue e fogo com os Chaves e há muito já não se entendia de jeito nenhum com os Nunes, resolveu partir para o extremo.
Esse também foi um dos fortes motivos para que ele tivesse a ordem sacerdotal suspensa, ficando, portanto, proibido de celebrar na igreja matriz.
Contam que, no exato momento do episódio, o Sr. Joaquim Nunes, ao se certificar de que seu irmão, o Cel. José Nunes — mesmo recebendo tiros vindos da residência do sacerdote e contando com apenas um pequeno grupo de homens ao seu lado —, dispunha somente de um canivete como arma, tomou a corajosa decisão de ir até a casa do padre para tentar um diálogo. Ao chegar lá, depois de passar por dois capangas na entrada, encontrou-o bufando de raiva, com as mangas da batina arregaçadas, dizendo que “estava disposto a beber sangue”. Joaquim Nunes — baixinho e valetudinário — enfrentou-o com altivez, alegando que seria "um ato de covardia lutar contra um grupo de homens desarmados", e convenceu o padre a baixar as armas.
A atuação do Padre Acelino, com sua atitude sempre hostil em relação às principais lideranças políticas municipais, vem reforçar a argumentação de que o poder eclesiástico exercia, verdadeiramente, uma forte influência no processo político local.
O que se deve questionar, portanto, é o fato de o padre, desde que chegou a Limoeiro em 1908, ter entrado logo em atrito com famílias influentes. Ao que parece, não era por ser truculento, mas sim por se sentir incomodado com as injustiças praticadas contra o povo.
“Defendeu vítimas de pessoas perversas, empenhando-se pessoalmente para que se fizesse justiça em rumorosos casos que abalaram a consciência e o coração da pacata Limoeiro d’antanho! Silenciem-se alguns desses casos escabrosos por respeito à inocência das vítimas!” (BRANCO, João Olímpio Castelo. O Limoeiro da Igreja. A História de Limoeiro a partir dos seus Párocos. Fortaleza: Premius Editora, 1999p. 117)
Quem foram essas vítimas, bem como os seus algozes? Que casos tão escabrosos foram esses? Dado o seu perfil de homem destemido e corajoso, podemos presumir, diante de tais episódios, que o sacerdote defendia seu rebanho com unhas e dentes. Talvez por isso tenha entrado em conflito com famílias poderosas, pois não admitia qualquer tipo de injustiça contra os seus fiéis.
As hostilidades do Padre Acelino com algumas pessoas de Limoeiro eram realmente sérias. Com relação a isso, vejamos como ele foi provocado por ocasião de uma festa religiosa em Tabuleiro do Norte, por alguns desses desafetos:

"...numa festa da Padroeira, alguns adversários do Padre, vieram de Limoeiro e se posicionaram em frente à mesa do leilão, posta no patamar da Igreja. Começaram com indiretas para aborrece-lo. O Padre era tido como valente; ouviu as provocações e disse para João Fernandes, o sacristão: João, eu vou me retirar; estou aqui para promover uma festa e não para brigar. Você está ouvindo aqueles insultos? É comigo! Bem perto estava sentado o Sr. João Quincó, matuto destemido e perguntou: - O que está acontecendo? O padre relatou o incidente. João Quincó com uma faca lombada fincou com toda força no tampo da mesa e disse em voz alta: - Sente-se padre, porque enquanto essa faca tiver ponta, ninguém mexe com o Senhor. Foi o suficiente para que os provocadores do Padre debandassem e não aparecessem mais, enquanto durou a festa. E a paz reinou sob o patrocínio da faca de João Quincó.  (MAIA Gumercindo Cláudio. Tabuleiro, o povo e a terra. Fortaleza, 1999, pág. 23)

Sem mais clima para residir na cidade e sem direito a exercer as suas funções sacerdotais, o Padre Acelino contratou o Mestre Sombra para construir uma casa e uma capela no Sítio Socorro, onde continuou a realizar batizados e casamentos e a celebrar missas, mesmo estando com a ordem sacerdotal suspensa. Lá permaneceu pelo resto da vida, até falecer em Fortaleza, em 1931, aos 49 anos de idade.

Capela de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, localizada no bairro Socorro - antigamente parte do sítio Pitombeira. Em 1920 o Padre Acelino Viana Arrais comprou parte do terreno a Cândido Olímpio de Souza. Nesse mesmo ano construiu a capela, dedicada a Nossa Senhora do Perpétuo Socorro e em 1925 comprou a outra parte do terreno e construiu sua residência. (https://www.instagram.com/p/DMyfpVVOzuf/ - em 21.03.2026)

Foi no Sítio Socorro que, durante as enchentes de 1922 e 1924, o Padre Acelino acolheu muitos dos desabrigados.
As enchentes eram tão terríveis quanto as secas e podemos ver em um relato feito pelo Cônego Pedro de Alcântara Araújo sobre a grande enchente de 1924: 
“O ano de 1924 começou sem do céu cair uma gota d'água. O povo já sem esperança de chuva se preparava para romper uma grande seca...[...] Mas foi grande a surpresa deste mesmo povo com o inverno que logo começou, no dia 24 de janeiro, chovendo quase cotidianamente até 1º de julho. O rio Jaguaribe transbordou com impetuosidade submergindo as terras maginaes, em uma altura e largura como nunca se vio nos maiores invernos até hoje conhecidos”. (sic) ( Mons. Raymundo Hermes Monteiro apud ARAÚJO, 1986, p. 306)
O lado religioso era mais um ângulo de ação dos Chaves, que utilizavam muito bem esse poder para melhor controlar a política local. Alguns padres eram, inclusive, ligados ou pertenciam à própria família. Foi o caso do Padre Joaquim Franklin Granjeiro Gondim (1896-1900), irmão de Dulcinéia, esposa de Sindulfo; bem como do Cônego Climério Chaves (1922-1925), filho de Serafim.

Cônego Climério Chaves nasceu em 4 de junho de 1875 e faleceu em 18 de agosto de 1925, em Limoeiro do Norte (CE), de morte súbita (infarto fulminante)

Encontramos momentos na história em que a família Chaves utilizou repetidamente sua influência junto ao governo da província e à alta autoridade católica do Estado para substituir padres que divergiam de suas ideias, sempre sob o pretexto de que a medida era necessária por "questões morais".
"Neste sentido, as indicações e permanências de párocos estavam ligadas às relações de poder com as famílias do município, em especial os Chaves, detentores do poder cartorial, e seus correligionários, que detiveram por muitos anos o monopólio do poder político local. Os padres que ousavam desafiar o poder dos Chaves, sofriam fortes represálias, já que a influência desse poder alcançava a alta hierarquia católica cearense, o que podia ocasionar até “suspensão de ordem” para os padres inimigos. (...) (ANDRADE, Maria Lucélia de. Tese de Mestrado; “Filhas de Eva como Anjos sobre a Terra” A Pia União das Filhas de Maria em Limoeiro-CE,1915-1945, p. 42.
Começou com o padre Antônio Pereira da Graça Martins (1902–1904), talvez porque tenha sido intendente por indicação de seu adversário político, o Coronel José Nunes, mas também porque sua truculência gerava atritos políticos e religiosos. Ele teve, inclusive, sua ordem suspensa pela autoridade católica, ficando impedido de exercer o sacerdócio.
Padre Graça foi um dos fundadores do Pão de Santo Antônio, em 01 de novembro de 1900
O Padre Godofredo teve que sair às pressas, ameaçado de morte. Também foi expulso o Padre Vital Guedes, que saiu como um fugitivo, pressionado pela acusação de simonia e também pela oposição à reforma que ele queria fazer na Igreja Matriz.
O Padre Manoel Caminha Freire, a quem se atribui grande parte do mérito na luta pela sede do bispado, também foi praticamente expulso.
“Pelos esforços empreendidos, o vigário Manoel Caminha estaria cotado para ser o vigário geral da nova Diocese, porém devido a boatos caluniosos que lançaram contra o mesmo, e acreditados pelo arcebispo D. Manoel, o grande batalhador pela Diocese de Limoeiro do Norte foi transferido para Riacho do Sangue”. (ARAÚJO, Pedro de Alcântara Cônego. Capital e Santuário Miragens Russano-Nordestinas, 1986, pág.339).
Invariavelmente, a família Chaves sempre criava ou facilitava motivos para tirar do caminho os padres que lhe fizessem oposição ou que tivessem atitudes que os desagradassem. Se assim agiam, era justamente porque sabiam que a política não podia deixar de ter o poder eclesiástico como aliado, posto que os vigários eram sinônimos de liderança sobre os fiéis. Já com relação ao Padre Acelino, pode-se afirmar que o seu constante acirramento com as dignas famílias limoeirenses, bem como a sua intransigência em defender o rebanho, foram os motivos principais para a suspensão sumária de sua ordem sacerdotal. Ele foi substituído exatamente pelo Cônego Climério Chaves, filho de Serafim. A vinda de Climério teve o objetivo de acalmar os ânimos, por exigência do Arcebispo Dom Manoel S. Gomes e por pressão dos Chaves.
Há boatos que o Cônego Climério Chaves nunca entregou, em mãos, ao Padre Acelino o documento da suspensão de ordem.
Após a morte do patriarca Serafim Chaves, em 9 de fevereiro de 1914, Francisco Celestino da Costa (Seu Coração) assumiu o comando do Cartório e, consequentemente, o controle político — sempre sob a orientação da família. Natural de Martins, no Rio Grande do Norte, ele era casado com Leôncia (conhecida como Sinhá), uma das filhas de Serafim. Ficou na história como a figura mais conhecida por fraudes eleitorais, além de ser versátil na falsificação de assinaturas:
“Nunca perdeu uma eleição e, no tempo em que não havia controle eleitoral da justiça, era exímio preparador de eleições a bico de pena." (Um Neto de Coração em carta a Lauro de Oliveira Lima. Apud. BRANCO, Op. cit. p. 134).
Com certeza foi por essas últimas razões que lhe confiaram os poderes político e cartorial, principalmente porque, como mestre nas eleições "a bico de pena", era importante sua participação no processo político local. Chegou, inclusive, a ser nomeado prefeito/intendente.
(*) Coração foi um dos fundadores do Pão de Santo Antônio (01/11/1900), redator e gerente do Jornal Limoeiro, além de maestro de banda de música. Sua voz de tenor/barítono (barítenor) encantava as plateias nas festas cívicas e religiosas.
No dia 20 de fevereiro de 1911, consta em ata da Câmara Municipal a posse de Júlio Eduardo de Sousa como Intendente, com mandato até a posse de Francisco Celestino da Costa (Coração) em 1912. No entanto, seu nome não consta em nenhum arquivo na lista de intendentes daquele período, havendo apenas o registro de  (1904/1912).
Portanto, com base no que está registrado (Livro de Atas 1911/1922), podemos concluir que era Júlio Eduardo o chefe do executivo municipal no momento da queda de Antônio Pinto Nogueira Accioly do Governo da Província em 1912. Estranha-se, porém, que um dado tão importante não conste em nenhum relato histórico do município. Todavia, em um documento de Medição do Sítio Limoeiro, Júlio Eduardo de Sousa aparece como "participante da ação de medição de 1911, prefeito..." (LIMA, Op. cit., p. 244).
Também entrou para a história, sempre no controle do cartório, o Coronel Sindulfo Freire Chaves, filho de Serafim. A partir da morte do pai, recebeu o cetro da liderança e tinha acentuada influência também na política cearense.
Por seguir a linha política do pai, tornou-se um ferrenho adversário de Nogueira Accioly. Muito embora existam passagens na história de que tenha sido acciolista — entretanto e dependendo do interesse político, mudava de lado convenientemente —, tanto que apoiou a violenta revolta armada na Praça do Ferreira, sendo um dos que se entrincheiraram juntamente com seu irmão Leonel Chaves e mais um grupo de homens fortemente armados, provocando a renúncia de Accioly em 24 de janeiro de 1912.
no dia 24 de janeiro, depois de três dias de fuzilaria, a cidade aliviou-se do clima opressivo, com a renúncia do confiante oligarca. Vencera o slogan – “Franco Rabelo ou Morte!” – que empolgara todo o Estado, do menino ao velho. (GIRÃO, Raimundo. Geografia Estética de Fortaleza, Fortaleza. BNB. ETENE, 1979, pg. 133 e 235) 
Com a ascensão do Tenente-Coronel Marcos Franco Rabelo ao poder, os Chaves foram recompensados com a indicação de Seu Coração para intendente (1912-1914), tendo tomado posse no dia 2 de fevereiro de 1912 (Livro de Atas da Câmara Municipal – 1911/1922).
Pouco tempo depois, Sindulfo rompeu com Franco Rabelo, voltando a apoiar os aciolistas. Tanto que se tornou também aliado do Padre Cícero e dos coronéis caririenses, fazendo-se presente, inclusive, à reunião em Juazeiro do Norte onde se deu o "Pacto dos Coronéis" e, mais tarde, a rebelião contra o governo da província no movimento chamado Sedição de Juazeiro.
Em Fortaleza, cedeu sua granja (Sítio Bom Futuro), nas Damas, para hospedagem da jagunçada do Meu Padim por ocasião da vinda desta à capital, quando foi deposto, humilhantemente, o Coronel Franco Rabelo, em 13 de março de 1914.
O Sítio Bom Futuro era de propriedade da família Chaves (...) O senhor Sindulfo Chaves e sua mulher, Dulcinéa Gondim Chaves, no dia 9 de setembro de 1939 fizeram à Arquidiocese de Fortaleza a doação de um terreno para a construção da futura Igreja de Nossa Senhora de Nazaré. Essa doação foi passada através do Cartório Pergentino Maia
Consta ainda que em 1941, fez doação de um terreno para construção de um abrigo para senhoras idosas e pobres (hoje Casa de Nazaré – Montese) apenas com a “exigência” de que deixassem à sua disposição um quartinho para ele, caso precisasse quando chegasse à velhice, mas que nunca utilizou o dito quartinho.
https://www.arquidiocesedefortaleza.org.br/wp-content/uploads/2011/03/Nazar%C3%A9-HISTORICO-DOS-MOVIMENTOS-E-PASTORAIS-2013.pdf
Em Limoeiro do Norte, Sindulfo passou a indicar nomes de seus familiares e asseclas para assumirem o executivo municipal. Todavia, houve uma contradição na indicação do prefeito/intendente em 1914, quando foi nomeado Júlio Eduardo de Sousa (1914-1918), elemento contrário à ala política dos Chaves, cuja nomeação, curiosamente, se deu em duas ocasiões, conforme consta em ata da Câmara Municipal:

- A primeira em  27 de fevereiro de 1914 : “nomeado intendente municipal, pelo Excelentíssimo Presidente do Estado Dr. Floro Bartolomeu da Costa”.

- A  segunda em  30 de março de 1914: “nomeado intendente municipal pelo Excelentíssimo Senhor Coronel Fernando Setembrino de Carvalho, Interventor Federal”,  mandato que durou até 1918. (Livro de Atas da Câmara Municipal de Limoeiro – 1911-1922)

A primeira nomeação, como se vê, deu-se antes da queda de Marcos Franco Rabelo do governo da província; portanto, de forma arbitrária, como arbitrários foram todos os atos do Dr. Floro Bartolomeu, que, mesmo sem nenhum poder constituído, foi designado Presidente do Estado pela Assembleia Revolucionária de Juazeiro do Norte, em dezembro de 1913, com respaldo do governo central, criando, assim, um governo paralelo no Ceará. Diretamente de Juazeiro do Norte, onde montou o seu “gabinete”, passou a depor e nomear — ilegalmente — autoridades do Estado e intendentes municipais.

Júlio Eduardo foi genro do Coronel José Nunes por duas vezes — casou-se com Dovina (primeira esposa) e com Filonila, conhecida por Filó (a segunda) —, o que explica sua posição política contra os Chaves. Além disso, ele ainda era tio paterno de João Eduardo Neto e tio materno de dona Fransquinha, esposa de João Eduardo.

Como as eleições eram "tumultuadas" e os prefeitos eram nomeados, o cargo às vezes ficava "flutuando". Podemos comprovar isso com a saída de Júlio Eduardo, quando assumiu, por alguns meses, José Satino de Moura (1919) e, depois, por apenas três dias, João Maria de Freitas (1919).

De 1919 a 1927, foi prefeito, por indicação de Sindulfo Chaves, o russano Felipe de Santiago Lima, cuja gestão foi marcada por algumas obras na Sede do município. Ele deu sinais de uma administração moderna, tendo sido construída, inclusive, a primeira praça pública, a Praça 7 de Setembro (depois Praça José Osterne). Também foi no seu período como prefeito que aconteceu a passagem em Limoeiro do famigerado Lampião e de seu bando, em 15 de junho de 1927, procedentes de Mossoró, onde foram humilhantemente derrotados.

Após a terrível derrota que sofreu em Mossoró/RN em 13 de junho de 1927, em que perdeu dois grandes cangaceiros (Colchete e Jararaca), Lampião andando à cavalo, juntamente com seus comandados, adentrou no território cearense com destino á cidade de Limoeiro do Norte no Ceará.
Em rápido deslocamento, o rei vesgo do cangaço alcançou a fazenda do Sr. Anízio Batista, na Lagoa do Rocha, e sob sua direção entrou em Limoeiro, tendo sido recebido por Custódio Menezes (juiz de paz), em virtude da ausência do prefeito (Cel. Felipe Santiago de Lima)*, e pelo padre Vital Gurgel.
Lampião, esperto como uma águia, antes de entrar na respectiva cidade, mandou Anízio Batista sondar as autoridades locais, sobre a possibilidade de recebê-lo, pacificamente, ou não.
Diante do gesto afirmativo das autoridades, de não promoverem nenhuma represália/agressão ao temível cangaceiro, até porque Limoeiro não tinha condições satisfatórias de defesa, Lampião entrou serenamente com seu grupo naquela cidade, tendo dito ao Sr. Anízio:

" O senhor vai na frente, pois se houver qualquer reação, a primeira cabeça a rolar será a sua ".

Já no interior da cidade, Lampião caminhou até o Hotel Lucas, onde mais tarde jantaria. Antes de iniciar a refeição exigiu que alguns cidadãos experimentassem a comida, antes dele e de seu grupo.                            (https://lampiaoaceso.blogspot.com/2009/11/lampiao-em-limoeiro-do-norte-ce.html- em 21 de março de 2026) 

De 1927 a 1930, assume como prefeito Pedro Saraiva de Menezes, também por indicação de Sindulfo, que procurava ampliar sua influência política através de membros da família. Isso ocorria porque tanto Felipe de Santiago como Pedro Saraiva eram casados com duas irmãs pertencentes à família Chaves.

Felipe de Santiago Lima era casado com Adélia e Pedro Saraiva de Menezes era casado com Maria (Nenen), ambas filhas do Cap. José Rodrigues Rebouças Chaves.

A Revolução de 1930 teria sido um golpe fatal para os Chaves se não soubessem muito bem fazer o jogo político, embora tenham saído do acontecimento um pouco enfraquecidos.
“A Revolução de 1930 não os desalojou por completo, mas minou suas bases, devido à ampla campanha desencadeada contras as práticas políticas fartamente adotadas por seu grupo”. (REGES João Rameres. Tese de Doutorado; INTEGRALISMO E CORONELISMO: INTERFACES DA DINÂMICA POLÍTICA NO INTERIOR DO CEARÁ (1932-1937); UFRJ; 2008).
Na transição, assumiram Melquiedes de Oliveira Lima (meses 1930) e  Miguel Vieira de Melo (meses 1930).
Para a sorte dos Chaves, em seguida foi nomeado Arsênio Ferreira Maia (1930-1932). Embora fosse tavorista — seguidor e adepto de Juarez Távora e de seu tio Manoel do Nascimento Fernandes Távora, interventor do Ceará (1930-1931) —, por ser casado com Acelina (sua primeira esposa), irmã de Dulcinéia, esposa de Sindulfo, ele praticamente fazia parte do pensamento político dos Chaves.

Arsênio foi casado em primeiras núpcias com a Sra. Acelina Gondim Maia, natural de Lavras da Mangabeira, irmã do Padre Joaquim Franklin Gondim e de Dulcinéia,  esposa de Sindulfo Chaves. E em segundas núpcias, com a virtuosa Sra. Benigna Batista Maia, natural de Jaguaribe.                                                                                    https://www.blogger.com/u/1/blog/post/edit/7416000007726567155/7255399997110499698 - 2025

Interessante destacar como os Chaves praticavam o jogo político a fim de não quebrar o elo oligárquico desde os tempos do velho patriarca Serafim. Com o surgimento, nos meses finais de 1932, da LEC (Liga Eleitoral Católica) — organização de fortíssimos vínculos religiosos e participação efetiva dos latifundiários — e da AIB (Ação Integralista Brasileira, de ideologia fascista), procuraram abrigar-se nesses dois importantes movimentos.
A LEC passou a ser presidida por Judite Chaves, enquanto Franklin Chaves fundou a AIB em Limoeiro. Era uma solerte manobra para estarem envolvidos em todos os movimentos; assim, para onde pendessem as melhores vantagens, saberiam tomar a posição que lhes fosse mais favorável. E foi sob a sombra da AIB e da LEC que Franklin Chaves se elegeu vereador (1936-1937), estando, portanto, muito bem posicionado politicamente.
Foi nesse período que os Chaves adquiriram terras no município de Pacajus — a Fazenda Campestre —, destinadas ao plantio de carnaubeiras, numa área de desmatamento de mais de oitocentos hectares. Por causa desse empreendimento, aliado à participação de membros da família tanto na LEC quanto na AIB, os adversários políticos desconfiaram que eles estivessem recebendo dinheiro de outros países a fim de que se construísse ali um campo de pouso para aviões alemães. Os boatos ganharam manchetes em jornais da capital e, na tentativa de desfazê-los, eles mandaram enterrar estacas por toda a área desmatada.

Finalmente tudo passou, e as carnaubeiras ainda hoje vicejam altivas, em terras da Fazenda Campestre...” (Centenário do Nascimento de Franklin Gondim Chaves (10.02.1908 – 10.02.2008)
Evidentemente que, da forma como os Chaves agiam politicamente – preferencialmente à sorrelfa –, não se pode descartar a possibilidade de terem ensaiado uma aliança com algum movimento internacional, pois sempre fizeram política em favor de si próprios, muitas vezes por critérios e caminhos duvidosos que não atendiam necessariamente aos interesses públicos, importando em quaisquer circunstâncias a manutenção da família no poder.
De 1932/1933, assumiu a prefeitura José Júlio de Castro, nomeado pelo Interventor Federal Cap. Roberto Carneiro de Mendonça. Enquanto isso, somente em 1933 é que Sindulfo chega à prefeitura (1933/1934), nomeado pelo mesmo Interventor Federal Carneiro de Mendonça. Podemos crer que, para ele, era preferível ficar mantendo o jogo político na capital, junto ao Governo do Estado, de onde influenciava as indicações dos prefeitos, dóceis ao seu comando, do que ele próprio assumir o cargo; entretanto, aquele era o momento azado de chegar ao Executivo Municipal.
Perdeu um pouco do espaço político em 1934 e 1935 com a nomeação do opositor Anísio Batista, ocorrida por meio do também interventor federal Felipe Moreira Lima e por influência do Dr. Manoel do Nascimento Fernandes Távora. Isso serviu como reconhecimento por o opositor tê-lo ocultado, a pedido de Arsênio Ferreira Maia, em sua fazenda na Lagoa do Rocha, pouco antes da revolução de 1930, quando estava sendo perseguido pela polícia de José Carlos de Matos Peixoto, presidente do Estado (1928-1930).
Mas ainda em 1935, Sindulfo voltou ao controle político e conseguiu a nomeação de seu genro, Custódio Saraiva de Menezes (1935-1936), agora por indicação de Francisco Menezes Pimentel (1935-1937). Este fora eleito governador do Estado como resultado das eleições legislativas vencidas pela LEC (Liga Eleitoral Católica) e pelo PSD em 1934.
Lembremos que Custódio era esposo de Judite Chaves, que brevemente se transformaria em herdeira do cartório e em uma das mais influentes lideranças políticas limoeirenses.
Em 1936 e 1937, novamente com a ingerência de Sindulfo e com o apoio da AIB (Ação Integralista Brasileira), liderada por seu filho Franklin Chaves, elegeu-se prefeito o outro filho, José Gondim Chaves. Por conta do golpe que instituiu o Estado Novo em 1937, José Chaves renunciou ao cargo de forma inexplicável. Em seguida, assumiu o comando do executivo, por alguns meses em 1937, o finório Francisco Pergentino Mendes Guerreiro, chavista incondicional e, na ocasião, presidente da Câmara Municipal.
O Estado Novo conferia a Getúlio Vargas o controle total do Poder Executivo e lhe permitia nomear interventores nos Estados, que, por sua vez, gozavam de ampla autonomia para tomar suas decisões, inclusive para nomear os prefeitos dos Municípios.
No Ceará, permaneceu no cargo, agora nomeado Interventor Federal, Menezes Pimentel (1937-1945). Provando a eficiência do jogo político, volta ao poder executivo, por nomeação, Custódio Saraiva de Menezes (1937-1945). O retorno de Custódio ao poder mostrava a força e o prestígio político dos Chaves naquele momento. Enquanto isso, no mesmo ano de 1945, por nomeação e apenas por alguns meses, novamente assume a prefeitura Sindulfo Chaves, durante o tempo em que se definiria qual o novo nome a ser por ele indicado.
Nesse ínterim, dona Judite, esposa de Custódio, já vinha despontando como uma exímia manipuladora na arte de fazer política, o que lhe renderia a alcunha, um pouco prosaica, de "Coronel de Saia".
Dona do cartório local chegou a ser conhecida como “coronel de saias”, tendo em vista seu poder político na região. [...] Judite articulava-se com muitos nomes da política e, em anos de eleição, sua casa transformava-se em núcleo de articulação, onde ela recebia a todos como uma espécie de matriarca. Seu prestígio político era maior do que o de muitos “coronéis” e “caciques políticos” da região. (ANDRADE Maria Lucélia de. Tese de Mestrado; “Filhas de Eva como Anjos sobre a Terra ”A Pia União das Filhas de Maria em Limoeiro-CE (1915-1945); UFC; 2008
Há quem afirme, seguramente, que dona Judite era quem realmente comandava a administração. Dizem que Custódio não tinha a firmeza exigida dos administradores, razão pela qual Judite sempre interferia em suas decisões.
Existe até um fato, narrado pela boca do povo, de que certa vez, ao tentar resolver uma discórdia entre vizinhos por causa de uma questão em suas propriedades, Custódio ao ouvir os argumentos do primeiro, afirmou:
– Você está com razão.
Ao ouvir as ponderações do segundo, fez a mesma afirmativa:
– Você está com razão.
Dona Judite até então apenas ouvindo a conversa, não resistiu à indecisão do marido, dirigiu-se a ele perguntando:
– Ora Custódio, como você pode chegar a uma decisão correta se você mesmo diz que os dois estão com a razão?
Custódio fez um sobrolho pensativo e disse:
– É verdade Judite, você está com razão.
Custódio ficou no poder por oito anos, permanecendo até a queda de Getúlio Vargas em 1945. Em seu mandato, não teve que dar satisfações a ninguém de seus atos, pois se tratava de um momento em que prevalecia a Ditadura Vargas, sem a atuação, inclusive, da Câmara Municipal, já que o Poder Legislativo foi castrado pelo Estado Novo a partir de 1937.
Foi nesse período em que, talvez para disfarçar a sua inoperância diante do executivo, Custódio inventou de construir um prédio que serviria de hospital/maternidade.
Ao que parece, a construção do prédio não passou de uma forma de encobrir a malversação do dinheiro público. Dizem as más línguas que sua construção foi estudada exatamente para desviar a atenção do povo e que, durante muito tempo, mesmo depois de sair do poder, a família continuou recebendo verbas oriundas do governo federal para a conclusão da obra. O hospital chegou, inclusive, a receber uma ambulância (Kombi) que nunca saiu da garagem para o seu verdadeiro fim. Qual terá sido o destino daquela Kombi?
Até ser demolido em 1982, o prédio nunca chegou a funcionar ou, melhor dizendo, nunca foi concluído, tendo sido esse o primeiro elefante branco da história das administrações limoeirenses. A sua demolição deve ter agradado demais aos Chaves, pois apagou de uma vez por todas, da história de Limoeiro do Norte, aquilo que ficaria como um monumento à corrupção das administrações públicas no município.
Para se ter uma ideia, aquela construção foi motivo até de chacota. Jocosamente, a apelidaram de Flor da Serra, numa alusão a um tipo de cachaça do mesmo nome. Para entender como o prédio mereceu esse apelido, é preciso lembrar que, na propaganda da cachaça, o pai, já velho, dizia para os filhos: “meus filhos, esses tonéis somente deverão ser abertos daqui a cinquenta anos”. Assim, parodiando o velho da propaganda, Custódio diria: “meus filhos, este prédio somente deverá ser concluído daqui a cinquenta anos”.
Todavia, não se pode deixar de enumerar alguns feitos durante seu período administrativo, como: a arborização da cidade, a reforma da Praça 7 de Setembro (Praça José Osterne), a abertura de novas ruas, o melhoramento nas iluminações pública e domiciliar com a instalação de motores a gasogênio, a instalação da telefonia municipal e a construção do matadouro público.

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Os padres, de uma maneira geral, como tinham papel de destaque nas lutas políticas e usavam o seu poder de liderança, muitas vezes chegavam a medir forças e confundir a posição de pastor com a posição política, o que formava um paradoxo com relação ao papel fundamental da igreja. Em virtude disso, muitos eram os políticos que os tornavam aliados e eles, os padres, por sua vez, se deixavam levar pela fantasia dos bons pretextos ou, em outros casos, tinham mesmo a consciência de que estavam ajudando um déspota, preferindo ficar do lado dos interesses escusos a proteger o seu “rebanho”, conforme as prerrogativas sacerdotais.
Com esse quadro e diante da força de outros elementos religiosos tão eminentes, era de praxe que os padres também se envolvessem em política, representando uma grande força, levando-se em conta o seu forte poder de persuasão sobre os fiéis. Muitas vezes, eles eram confundidos com os próprios coronéis ou se tornavam um deles.
O Padre Cícero Romão Batista, para exemplificar, foi o sacerdote mais famoso nesse jogo político e, segundo a escritora Maria de Lourdes M. Janotti: "Padre Cícero foi o mais célebre de todos os coronéis" (Coronelismo – Uma Política de Compromissos, 1992, p. 76).
Além do mais, transformou-se em uma espécie de Messias do Sertão, apesar de ser perseguido pela Igreja Católica. Para se ter ideia de sua força política, liderou sertanejos revoltosos de Juazeiro do Norte e fechou cerco a Fortaleza, declarando deposto o governador Franco Rabelo (13/03/1914).
Muitas vezes, os padres eram abastados proprietários de terras, o que os tornava latifundiários poderosos; e, na defesa de seus patrimônios, eles se juntavam aos amigos coronéis, também latifundiários. Como exemplo, podemos destacar o primeiro sacerdote de Limoeiro, Padre Vicente Rodrigues da Silva. Por herança dos seus pais, ele tornou-se proprietário de grandes extensões de terra, mas a história é meio obscura quanto a como elas foram adquiridas por sua família quando aqui chegou.
O Padre Ambrósio Machado é outro exemplo. Grande fazendeiro na Barra do Figueiredo, ele também era proprietário no Piauí, Rio Grande do Norte e Pernambuco.
Outro fator que fazia parte da vida dos padres, além do envolvimento na política e de serem grandes fazendeiros, era o concubinato. Muitos deles mantinham relações amorosas com mulheres — geralmente suas escravas ou criadas —, com as quais constituíam famílias, o que se traduzia como uma grave desobediência ao Direito Canônico referente ao celibato. Para exemplificar, voltamos ao Padre Ambrósio Machado, cujo caso é um dos fatos mais conhecidos. Ele gerou nove filhos com três mulheres diferentes:
Cândida Rosa das Neves, filhos(as): Henrique, Otaviano, Ambrosina, Tito(*), Belizário e Tertuliano; Isabel Maria do Sacramento, filhos: Isabel e Geminiano; Francisca Sabina do Espírito Santo, filha: Benvinda Francisca da Silva. (SETUBAL, Carmelita. Crônica – O Padre Ambrósio, 1983)
(*) Tito era pai legítimo de José Osterne Ferreira Maia

OBS:  Padre Ambrósio foi Deputado da antiga Província do Ceará (Biênio de 1835 - 1837). Faleceu - No dia 31 de outubro de 1878, aos 85 anos de idade em sua propriedade a fazenda Barra do Figueiredo, em São João do Jaguaribe, sendo sepultado na capela existente na localidade.   (htps://efemeridesdolimoeiro.blogspot.com/2021/08/jornal-o-cearense-19-de-outubro-de-1858.html) - 2026

Com relação a esse assunto, até mesmo o polêmico Padre Acelino é citado por Lauro de Oliveira Lima como tendo ido refugiar-se no Sítio Socorro depois de ter sua ordem suspensa, para melhor viver com sua concubina, "Mariinha, ex-esposa de Paulo Fidelis..." (LIMA, op. cit., p. 382).
O fato de um padre, naquela época, produzir filhos bastardos mostra o grande poder que eles tinham sobre os fiéis, que aceitavam sem contestações aquilo que a própria Igreja condenava – e condena – como um pecado ou desvirtuamento da missão de sacerdote. Dom José Freire Falcão, justificando essa atitude, afirma o seguinte:
“a situação moral e irregular dos padres daquela época é devida, em parte, ao isolamento físico, humano e espiritual. Os padres tinham raros contatos com os outros colegas e raríssimos com o seu bispo, dadas as distâncias e as dificuldades de comunicação e, em parte, à deficiente formação humana, espiritual e intelectual”. (FALCÃO, D. José Freire. Apud: LIMA, Op. cit. p. 211)  

21 comentários:

Anônimo disse...

não ajudo em nada

Nilson Osterne disse...

Neste trabalho, os fatos vão se apresentando com uma simpática e agradável fluidez, sempre ancorados em fatos que tornam a leitura mais prazeirosa com invejável realismo dos depoimentos.

Anônimo disse...

Maurilo, sou bisneto de dois irmãos do Cel Serafim Tolentino. Sou nascido em Limoeiro, criado até os 18 em São João do Jaguaribe. Falando bem ou falando mal de quem quer que seja, seu blog é uma grande contribuição à história de Limoeiro, da região e, em particular, de uma pequena parte da minha família. Dessa forma, agradeço a você e lhe parabenizo por ele.

Acrescento o seguinte:
Você bem mencionou que Serafim casou com duas Joanas. Pois bem, Joana de Senna Freire Chaves era tia caçula (irmã do pai) de Serafim. E a outra, Maria Joana Pereira Chaves era prima, através do pai, o Cap José Rodrigues Pereira Chaves (do Poço das Pedras), de quem foi raptada por Serafim.

Abner Rodrigues Chaves Junior
abnerchaves@hotmail.com

Renata Mendes disse...

Tinha que ser os Chaves!

Anônimo disse...

Maurilo, boa tarde!
Venho solicitar que corrija uma imprecisão em seu texto. Em outra postagem, eu mencionei que "Maria Joana Pereira Chaves era prima (de Serafim Tolentino), através do pai, o Cap José Rodrigues Pereira Chaves (do Poço das Pedras)". Daí você deduziu que ela era "filha de um irmão do pai", ou seja, prima legítima. Mas não é assim.

Embora não seja o objetivo do blog, é importante a precisão, pois isso será lido por outros parentes, que podem ter interesse especial nisso.

A explicação correta do parentesco é a seguinte:
Maria Joana Pereira Chaves (ou Maria Joana de Jesus), era filha do Cap José Rodrigues Pereira Chaves (do Poço das Pedras) (*1810 +?) e, portanto, neta de André Felício da Silva Chaves.
Esse André era irmão de Ângela da Silva de Santa Bárbara Rodrigues Chaves (*? +1875, que era mãe de Antonio Rodrigues Freire Chaves (*1811 +1885) e, portanto, avó do Cel. Serafim Tolentino (*1839 +1914).
Ou seja, o avô de Joana era irmão da avó de Serafim, o que os fez primos em 3o grau.

Abner Rodrigues Chaves Junior
abnerchaves@hotmail.com

Abner Chaves disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Abner Chaves disse...

Maurilo, boa noite! Quanto ao 3o Intendente, José Vidal de Sousa Maciel (1881-1883), (*1827 + 1911) era filho de Antonio Paes de Sousa Jr (*1810 +?) e Felícia Francisca dos Reis, que possuíam terras em São João (Sítio Lima), Tabuleiro e talvez também em Limoeiro. Sua esposa, Maria Escolástica do Espírito Santo, era filha do Capitão Antonio Lopes de Andrade e também era irmã de Maria de Jesus da Purificação, que se casou com o Cap. José Rodrigues, do Poço das Pedras. Um dos irmãos de José Vidal, Antonio Alves de Carvalho Lima (*1825 +?) foi juiz de paz em Limoeiro.
Vê-se aqui o natural: os poderosos vão unindo seus descendentes, para que estes também sejam poderosos.

Abner Rodrigues Chaves Junior
abnerchaves@hotmail.com

cartasenespañol disse...

Meu caro, estou fazendo JMA pesquisa genealógica sobre minha família (VIDAL) e tudo leva a crer que meus descendentes são de Limoeiro. Você teria mais algumas informações acerca dessa familia? Meus avós e pais são de Jaguaribe. Qualquer informação envie para meu email: italo_lima34@hotmail.com
Agradeço.

cartasenespañol disse...

Meu caro, estou fazendo JMA pesquisa genealógica sobre minha família (VIDAL) e tudo leva a crer que meus descendentes são de Limoeiro. Você teria mais algumas informações acerca dessa familia? Meus avós e pais são de Jaguaribe. Qualquer informação envie para meu email: italo_lima34@hotmail.com
Agradeço.

Ricardo Nogueira Campos Ferreira disse...

Sobre João Ennes, onde se diz que não se encontram descendentes dele em Limoeiro do Norte, minha mãe é uma, mora em Fortaleza. Arides Enes Nogueira.

Anônimo disse...

Alguém sabe informar a genealogia da Família Chaves de Limoeiro? Sou Chaves do Maranhão e gostaria de saber se somos da mesma raiz.

Unknown disse...

Gostei da história

Abner Chaves disse...

Você que quer saber sobre a genealogia dos Chaves de Limoeiro, me procure no facebook pelo meu nome completo, Abner Rodrigues Chaves Junior, ou pelo e-mail abnerchaves@hotmail.com

Unknown disse...

Muito interessante essas histórias...
Meu pai é de orígem dos Remígio de Freitas, ( Manoel Izidro de Freitas) conheci meu tio em Fortaleza, e se
chamava Hipolito Remígio de Freitas.
Não tenho notícias desses parentes desconhecidos pois vivo no Amazonas Manaus , caso vc tenha alguma ingormação: agradeço.
Ainda vive alguem em Limoeiro, dessa família?

- "José Arimatéa F. Maia * disse...

Vou postar um pequeno comentário sobre Bonifácio José Carneiro encontra no jornal Pedro II, 12 de dezembro de 1861, pág. 3 – nº 286.
"Faleceu no dia 28 de novembro de 1861 na povoação do Limoeiro, vitima de uma hidropisia, que o fez sucumbir dentro de poucos dias e depois de esgotado os recursos da medicina.
O Sr. Bonifácio era um cidadão prestimoso, que soube sempre corresponder à estima e consideração de que gozava entre os seus concidadãos. Os habitantes do Limoeiro devem ser gratos a memória desse homem que tanto contribuiu para o estado em que se acha aquela florescente povoação. Com efeito, em 1844 - 45 ou quanto muito de 1840 a 1845, o Sr. Bonifácio foi estabelecer-se no Limoeiro, apenas havia ali duas ou três casas velhas, sendo uma destas a do capelão, onde estava colocado o oratório privado em que se celebravam os atos divinos e suspenso em um dos frechais da casa o sino que convocava os fiéis para assistirem a esses mesmos atos".

Depois postarei o restante dessa notícia do ano de 1861.

José Arimatéa Ferreira Maia disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
- "José Arimatéa F. Maia * disse...

José Arimatéa F. Maia - Continuação:
Foi então que o Sr. Bonifácio tratou de levantar a efeito a edificação da capela sob a invocação de Nossa Senhora da Conceição, que era venerada no mesmo oratório como a padroeira daquele lugar; promoveu uma subscrição entre os moradores, animou-os a empreenderem a obra e conseguiu a força de trabalhos e perseverança construir a capela-mór e elevar as paredes do corpo da igreja a tal altura que podia comodamente servir para o culto; depois passou a administração a outros encarregados, nunca deixando de ser um benfeitor da mesma igreja. Foi ainda o Sr. Bonifácio quem primeiro promoveu a edificação de casas naquele lugar, aonde deu principio a uma rua e construiu um quarteirão de pequenas casas ou quartos próprios para o mercado público; de então em diante começou a desenvolver-se ali o gosto pela edificação, de modo que a população tem argumentado muito, e hoje é incontestavelmente a mais importante do município. Como politico pertencia o Sr. Bonifácio ao partido conservador, a quem foi sempre fiel e prestou relevantes serviços, prevalecendo-se para isso da influencia bem merecida que exercia entre os habitantes daquela localidade; revela, porém notar que, não obstante a sua dedicação ao partido, sempre se conservou sem inimigos políticos; prudente e moderado tratava bem a todos quaisquer que fossem suas opiniões politicas e por isso mesmo contava afeiçoados entre os membros de ambas as parcialidades.
Conhecendo a gravidade do mal de que se sentiu afetado, preparou-se com a recepção dos sacramentos e morreu possuído de uma verdadeira resignação. A terra lhe seja leve.
P.L.
(jornal Pedro II, 12 de dezembro de 1861, pág. 3 – nº 286).

- "José Arimatéa F. Maia * disse...

Corrigindo: "a população tem aumentado muito e não argumentado"

- "José Arimatéa F. Maia * disse...

Quero aqui postar uma notícia sobre a morte do CORONEL CÂNDIDO JOSÉ GONÇALVES MALVEIRA em um jornal da Capital.

CORONEL CANDIDO JOSÉ GONÇALVES MALVEIRA.
Já não pertence ao número dos vivos o distinto Coronel Candido José Gonçalves Malveira.
Acerba e triste realidade!
Quem o conheceu, não pode deixar de experimentar um doloroso choque ao reconhecer a infausta notícia do passamento de tão respeitável cidadão.
De volta de minha viagem ao Recife recebi aqui a lancinante e nova, pungentemente emocionado.
Por inúmeras vezes tive o prazer de reconhecer no meu pranteado amigo coronel Malveira, os mais raros e nobres predicados, que tanto enalteciam a sua veneranda individualidade.
Todos viam naquele cavalheiro, um pai de família exemplar, um católico sincero e fervoroso, um amigo modelo de caráter imaculado e um correligionário dedicado e honesto.
Na cidade do Limoeiro onde ele residia, Gregos e Troianos sentiram enormemente a sua morte!
Profundo e bem profundo foi o vácuo deixado por tão distinto cidadão, cuja pureza de costumes servia de verdadeiros ensinamentos aos que o admiravam.
A desolada e ilustre família do pranteado morto e notadamente ao seu digno filho João Candido Malveira e ilustre genros Francisco Nunes e José Nunes Guerreiro, envio minhas sinceras condolências, como também ao partido Republicano Federal que nele contava uma de suas legitimas influências nesta comarca.
Aracaty, 10 de julho de 1896.
Alexandrino F. da Costa Lima.

- "José Arimatéa F. Maia * disse...

Algumas informações de Francisco Casimiro Varella publicada em jornais do passado:
*Em 28 de julho de 1872 o Partido Liberal do Limoeiro, teve uma grande reunião para organização do diretório liberal, que ficou composta dos seguintes cidadãos: Cândido José Gonçalves Malveira, presidente; Osterne Lindolpho Ferreira Maia, secretário; José Vidal Maciel; Balthazar de Brito Pereira; Francisco Casimiro Varella de Oliveira; Francisco Xavier Mendes Guimarães; Damião da Silva Costa; Antônio Manoel Ferreira Maia; Padre Ambrósio Rodrigues Machado e Silva; Salustio Joaquim da Silva; Ezequiel Lopes d’Andrade, José Felício Fernandes da Silva; José Martiniano de Marrocos.

Francisco Casimiro Varella em 14 de junho de 1892 fez parte da Exposição de Chicago: Comissão encarregada de promover a representação do Ceará colombiana de Chicago.
De Limoeiro
Candido José Gonçalves Malveira, Serafim Tolentino Freire Chaves, José Nunes Guerreiro, João de Hollanda Cavalcante e Mello.

*Em 22 de outubro de 1892, Francisco Casimiro Varella e sua mulher, afiançaram o escrivão nomeado para a coletoria do Limoeiro, Antônio Varella da Costa Lima, oferecendo-se bens a hipoteca e requerendo que se lavre o termo de responsabilidade.
*Francisco Casimiro Varella foi suplente JUIZ DE PAZ entre 1873 – 1876 Freguesia da Vila do Limoeiro – 3º Distrito.
*Sr. Francisco Casimiro Varella era um boiadeiro do Limoeiro, assim informou jornal Cearense, em 5 de maio de 1876. Que o mesmo vendia Carnes Verdes na feira do Arouchos atual Parangaba.
*Em 15 de agosto de 1892 foram nomeados para a Guarda Nacional do Ceará: Limoeiro, o tenente coronel comandante – Francisco Casimiro Varella, major fiscal – Inácio Mendes Guerreiro de Andrade.
*Francisco Casimiro Varella foi em 1890, 1º suplente de delegado do Limoeiro.
*Limoeiro 21 de março de 1894 – Candido José Gonçalves Malveira – Presidente da Câmara; João de Hollanda Cavalcante Mello – vice – presidente; Joaquim Nunes Guerreiro - vereador; "Francisco Casimiro Varella - Intendente"; Vicente Fernandes da Silva - vereador e João Mendes Guerreiro - vereador.
Em 1915 Francisco Casimiro Varella era Fiscal Geral de Limoeiro.

- "José Arimatéa F. Maia * disse...

Será que Francisco Casimiro Varella era um aventureiro?
Leiam um fato desse homem considerado "resoluto e decidido" pela imprensa da Capital.

Carnes Verdes
Ultimamente, porém um boiadeiro do Limoeiro, o Sr. Francisco Casimiro Varella, homem resoluto e decidido, chegou à feira do Arouches com um magote de gado e não vendeu porque o maior preço que achou foi 25&000 reis.
Nestas circunstâncias o Sr. Varella veio para a Capital abater o gado, novilhos no retalho. Os monopolistas desapontados ofereceram-lhe maior preço, mas, o Sr. Varella recusou e continuou a matar o seu gado, fazendo logo descer o preço da carne verde de 360 e 400 reis a 240 e 200 reis o quilo.
É inútil dizer que o povo correu em chusma aos açougues do Sr. Varella, que sem demora dispôs de todo o seu gado e não perdeu dinheiro, conforme nos asseguram, ao passo que se o entregasse pelo irrisório preço que a sociedade lhe oferecera, perderia mais de 300$000 reis.
E querendo dar uma boa lição aos monopolistas foi no sábado seguinte à feira e comprou gado para vender carne barata ao povo da capital, o que efetivamente aconteceu com grande aplauso e proveito do público e desespero dos atravessadores desconcertados, os quais quase arrebentaram de raiva.
Assim, graças ao Sr. Varella, tivemos carne barata durante duas semanas e os boiadeiros mais desafogados venderam seu gado por preço razoável.
Infelizmente, porém o Sr. Varella adoeceu e retirou-se há poucos dias; mas, consta-nos que brevemente voltará para continuar sua obra meritória.
É realmente uma vergonha para a câmara, o fato que vimos expor.
O que ela com todo seu poder e dinheiro não pode conseguir – fê-lo, sem grande trabalho, um boiadeiro do sertão, com poucos recursos e lutando contra todos os obstáculos suscitados pelos especuladores.
Ninguém conseguia derrubar o monopólio dos marchantes do comercio de carne verde, nem a câmara municipal da capital, através de seu presidente o Sr. José Albano que estava desmoralizado e desacreditado. Nada pode fazer salvo o Sr. Francisco Casimiro Varella do Limoeiro.
(jornal Cearense, 5 de maio de 1876, Nº 39).