FOI A PARTIR DO período das administrações dos primeiros prefeitos chavistas após a redemocratização que aqueles que haviam se filiado à UDN começaram a ganhar corpo e formar um bloco de oposição – fortificado com a eleição de Manuel de Castro – capaz de brevemente combater e derrubar quase um século de poder dos Chaves em Limoeiro do Norte.
Vários fatores concorreram para a derrocada do PSD (dos Chaves) e o principal talvez tenha sido uma exagerada confiança na prepotência e na arrogância além da equivocada concepção de que o poder é intransferível, o que levou o partido a um declínio rápido e irreversível.
Os céus também estariam dispostos a conspirar contra os Chaves naquela batalha. Em 1951, teve início um ciclo de estiagem que duraria até 1953, durante a gestão do prefeito Mixico Nonato. No primeiro momento, talvez eles tenham achado que a intromissão da natureza viesse como uma dádiva favorável, com a certeza de que seriam abertas "frentes de trabalho" e que serviriam como montagem estratégica para a próxima campanha política (1954).
E não tardou muito. Logo no início de 1952 surgiu a tão comentada e famosa Comissão de Abastecimento do Nordeste – CAN (criada pelo Decreto nº 30.134 de 05 de novembro de 1951). Além da vergonha na distribuição de esmolas aos famintos, a CAN foi usada para fins eleitoreiros a começar pelo Governo Federal, que “ironicamente” mandava entregar em cada casa dos pobres sertanejos o presente de uma enxada acompanhada de um cartão, numa verdadeira demonstração de demagogia e descaramento.
A Prefeitura não perdeu tempo em transformar a CAN numa arma a favor do PSD, mas, nesse estratagema, “o tiro saiu pela culatra” ou, mais ainda, “o feitiço virou contra o feiticeiro”. De posse do comando da distribuição de alimentos, estabeleceram condições que, segundo eles, serviriam para deter o crescimento da UDN, já substancialmente forte.
Primeiro, passaram a exigir das pessoas que procuravam alistamento nas frentes de serviço que se declarassem como seus eleitores; caso contrário, eram perseguidas, humilhadas e até excluídas da lista de necessitados. Depois, criaram frentes de serviço, tais como recuperação de estradas e construção de pequenos açudes, em troca das quais os trabalhadores recebiam cestas que basicamente se compunham de carne de charque (carne velha), feijão, farinha e rapadura. Os serviços foram entregues justamente aos chefetes políticos pessedistas, para reforçar a pressão junto aos flagelados.
Com essas arbitrariedades, via-se claramente que ainda persistia a política dos antigos coronéis, impregnada na cabeça dos que sempre estiveram no poder pela força e não pela liderança. Aliás, é bom que se diga que a forma de fazer política dos Chaves e seus aliados era como uma espécie de timocracia, onde os pobres eram usados apenas como elementos indispensáveis para a satisfação de suas vontades.
Começou uma onda de perseguições que se espalhou rapidamente pelo município sob o comando do prefeito Mixico Nonato, em parceria com o então delegado:
“Mixico, na sua gestão, por ocasião da seca, (1951-1954) através do Delegado Herbas Cavalcante Pinheiro, tratou brutalmente os flagelados...” (LIMA, Lauro de Oliveira. Na Ribeira do Rio das Onças, 1997, p. 324)
Foi o bastante para o deputado Manuel de Castro sair em defesa da população, tirar proveito da situação e mostrar sua face populista. De vez em quando, visitava os flagelados, calçando alpargatas de couro e, junto com eles, merendava pedaços de rapadura com farinha. Em outras ocasiões, contam que chegava a derramar lágrimas na presença deles – com certeza não passavam de “lágrimas de crocodilo” –, apiedando-se daquela situação.
Nessas alturas, o PSD já tinha consciência de que a UDN estava cada vez mais forte, fazendo crescer um bloco de oposição sedento pelo poder precisando tão somente de um bom motivo para fazer campanha contra. E um dos trunfos seria exatamente a perseguição aos flagelados da CAN, sem dúvidas elemento importante para a queda dos Chaves e do PSD.
Aqui, podemos relatar um caso que servirá de ilustração. Em Danças, uma das turmas foi entregue ao comando de um “coronel” aliado dos Chaves. Por ser reconhecidamente um explorador do trabalho alheio — e fazendo jus ao apelido —, recebeu a alcunha de Herodes, devido à maneira cruel como tratava os mais pobres. Sob o seu domínio e sentindo prazer em humilhar as pessoas, o “coronel” pendurou na parede, dentro do recinto onde se dava a distribuição de mercadorias, um rifle à vista de todos. Era uma forma de intimidar os coitados, já fragilizados pela miséria, e um aviso claro do que aconteceria caso não trabalhassem conforme as exigências. E qual era a exigência? Cada cassaco tinha que construir um metro e meio de estrada por dia; caso contrário, não receberia a ração. Isso era um duplo absurdo. A execução do serviço exigia escavação e transporte de barro, compactação com malho de madeira, aterramento e conclusão; portanto, uma carga de trabalho excessiva para um só homem em um único dia, ainda mais faminto como estava. Esse fato inspirou um poeta glosador, de nome Francisco Mendes de Sousa (Chico Mendes), a compor a seguinte estrofe:
Herodes fez mal juízo,Sacrificando a pobreza,Dessa projetada empresa,Seu Mixico teve aviso.Disse: assim dá prejuízo,P’ra nós fica muito feio.De outra moradia veioO seu rifle mosquetão,Obrigando a um cristãoA fazer um metro e meio.
O outro absurdo era o uso indevido na distribuição das mercadorias, que deveriam ser entregues independentemente de trabalho ou não, pois se tratava de uma situação de fome e miséria. Mas o “coronel”, acostumado ao seu mesquinho gesto de exploração do suor alheio, não perdeu a oportunidade de praticar esse ato de humilhação. Certamente, fez isso por dois motivos: primeiro, para satisfazer seu ego de carrasco; segundo, para agradar ao prefeito e aos chefes políticos na realização da incumbência que lhe foi confiada, demonstrando mais serviço que os outros. Mixico, sabendo da crueldade do “coronel” — menos por esse motivo e mais porque recaíam sobre si todos os comentários de maus-tratos aos flagelados —, chamou-o imediatamente e pediu-lhe que não fizesse aquilo, pois estava levando os adversários a falarem cada vez mais e a reforçarem o proveito que já vinham tirando da situação.
Mas a perseguição dos chefes do PSD não se resumiu apenas aos flagelados. O caso mais evidente dessa afirmação aconteceu durante a invasão ao armazém onde estavam guardadas as mercadorias da CAN destinadas aos famintos. Inconformada com a distribuição discriminatória dos alimentos, a população faminta partiu para o extremo e arrombou as portas do prédio (onde hoje funciona a Eletrovale), levando de lá toda a mercadoria. Horas depois, o senhor Francisco de Andrade Maia, conhecido como Chico Mãozinha, foi preso, algemado e conduzido para Fortaleza, denunciado como incentivador dos flagelados naquele ato de “vandalismo”.
Colocado de pronto como "bode expiatório", há quem afirme categoricamente que Chico Mãozinha foi preso injustamente, denunciado por asseclas do PSD, numa vã tentativa de encontrar motivos para responsabilizar a UDN pela invasão.
O poeta Luiz Mano chegou a citar o nome de Francisco Pergentino Mendes Guerreiro como denunciante:
“O Velho Chico VicenteEste foi caluniado,Saiu daqui escoltadoIa morrer inocente.Ha quem diga abertamenteQue o autor foi Pergentino,”(...)
Mas a verdade é que, quando Chico Mãozinha chegou ao local da invasão, quase já não havia mais movimento. É certo ainda o que contam: que a caminho de Fortaleza, vez por outra, os que o conduziam, paravam o jeep, o colocavam deitado no chão à frente do veículo e ameaçavam atropelá-lo caso não confessasse a sua participação no incentivo aos invasores.
Mas, para o azar dos que torciam por sua permanência na prisão, treze dias depois ele foi libertado por ordem judicial, após parecer favorável do promotor de justiça, doutor Hélio Carneiro Leal. Não há dúvidas de que a soltura ocorreu por influência do deputado Manuel de Castro.
Mixico Nonato, ao que parece, gostava de picuinhas mesmo, tanto que criou outro fato bestial, atingindo novamente o PSD.
Teimou incondicionalmente em não ceder a autorização para que um açude fosse construído na localidade de Castanhão, território na época pertencente a Limoeiro do Norte, pleito este defendido pelo líder político daquele setor, José Holanda Cunha. O mais estranho daquela atitude é que Zé Holanda, além de ser um fiel pessedista, tinha uma considerável influência naquela região. O prefeito, com uma teimosia por motivos meramente politiqueiros, demonstrava a sua inexperiência como político, atingindo inclusive um forte correligionário, ainda mais às portas de uma eleição.
José Holanda recorreu ao presidente da Câmara de Vereadores, o Senhor Francisco Pergentino Mendes Guerreiro, para que intermediasse a negociação da referida autorização. Foi em vão, pois, ao falar com Mixico, recebeu um não definitivo, com a garantia de que ele nunca autorizaria a construção daquele açude.
Sem outro jeito, Pergentino tratou de montar um plano para que José Holanda tivesse autorização da Prefeitura e pudesse construir o açude. Primeiro, sabendo que Mixico tinha uma consulta marcada em Fortaleza, fez com que José Holanda convencesse o médico de Mixico a sugerir um período de repouso e, nesse ínterim, na qualidade de prefeito, daria a autorização. Mixico, sem nada saber sobre o plano que envolvia inclusive seu médico, concordou com a licença. Ao lembrar do caso, telefonou imediatamente para Pergentino para que não cedesse a autorização para a construção do açude. Tarde demais! Para sua surpresa e desgosto, ouviu de Pergentino que já havia dado e que o açude seria construído. E assim foi feito.
Outro fato marcante para a decadência do PSD foi quando Mixico puniu injustamente um membro da família Remígio (Domingos Remígio – servidor público municipal), até então forte aliada dos Chaves. Esse episódio levou ao rompimento da família, que passou a apoiar a UDN nas próximas eleições e a aderir a um novo partido político (PSP).
Podemos dizer, então, que Mixico Nonato, por dá cá aquela palha, criou fortes motivos que facilitaram a derrocada do PSD e, por conseguinte, a retirada definitiva da família Chaves do poder em Limoeiro do Norte.
Conta-se que, certa vez, foi chamado para resolver uma pendenga de família em São João do Jaguaribe [link externo oficial do IBGE Cidades]. A família não se entendia na divisão dos bens e o grande problema era a existência de uma sela, tida como uma preciosidade, razão pela qual todos queriam herdá-la. Vendo que não havia nenhum acordo, sugeriu que lhes dessem o arreio de presente e, assim, acabasse a confusão.
Todos foram plenamente de acordo. Todavia, quando tudo estava resolvido, entregou a sela à irmã mais velha, com quem já tinha combinado tomar essa atitude. Enquanto isso, os outros irmãos nada puderam fazer.
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QUEM FOI CHICO MÃOZINHA?
FRANCISCO DE ANDRADE MAIA, conhecido como "Chico Mãozinha", nasceu no auge do coronelismo, no ano de 1908, em Danças, uma comunidade com histórico de dominação de coronéis.
Seus pais, Joaquim Vicente Maia e Maria Salviana de Andrade Maia, enfrentaram grandes dificuldades e criaram os três filhos com base na agricultura de subsistência. Nesse ambiente hostil, Chico Mãozinha passou sua infância e adolescência, trabalhando duro para ajudar no sustento da família.
Aos 21 anos, casou-se com Maria Luiza de Andrade Maia, com quem teve 12 filhos. A família passou a residir em Canafístula do Bichopá, em uma pequena propriedade que pertencera ao seu avô. Foi nessa região, uma das mais secas do município, que ele criou seus filhos.
Apenas no início da década de 1930 despertou para a política, quando ingressou no Integralismo, movimento político nacional comandado em Limoeiro do Norte por Franklin Chaves. Logo após iniciar sua militância política, passou a se posicionar em defesa dos agricultores pobres contra as injustiças praticadas. Essa postura chamou a atenção dos poderosos da época, que passaram a classificá-lo como "comunista".
“A dureza da vida camponesa deve ter-lhe criado a capacidade de indignar-se, a coragem de romper com as práticas políticas que regiam as relações entre grupos sociais distintos, de continuar na luta pela causa, [...] das condições de sobrevivência rural.” (MAIA, Mônica Emanuela Nunes. “A NECESSIDADE E O CHICOTE”: seca e saque em Limoeiro do Norte (1950 – 1954), pág. 99)
Adquiriu, naturalmente, o dom da oratória, e a lógica de seu raciocínio nos pronunciamentos surpreendia a todos. Ele sempre adotava uma linha de defesa em favor dos camponeses, reclamando a falta de apoio para o pequeno proprietário, de maneira que este pudesse trabalhar com dignidade, sobreviver do próprio suor e não ter que se sujeitar aos poderosos.
Segundo o próprio Chico Mãozinha, para que essa mudança acontecesse, dependia-se de uma ação política por parte dos homens públicos, o que, no seu entender, não existia.
Segundo o próprio Chico Mãozinha, para que essa mudança acontecesse, dependia-se de uma ação política por parte dos homens públicos, o que, no seu entender, não existia.
“Temos que procurar novos caminhos e novas formas de conduzir as técnicas administrativas para orientações dos trabalhos, como vimos os poderes tem demonstrado falhas em suas propostas e decisões não dando liberdade para os camponeses que estão organizados, poderem administrar sua sociedade e seu capital.” (MAIA, Francisco de Andrade. (Chico Mãozinha). Manuscrito. Apud MAIA, Mônica Emanuela Nunes. “A NECESSIDADE E O CHICOTE”: seca e saque em Limoeiro do Norte (1950 – 1954), p. 113).
Em virtude desse posicionamento, era considerado pelos donos do poder como um comunista. Na verdade, o que não lhe faltava era coragem para se pronunciar em seus discursos contra as injustiças sociais, transformando-se em um representante — mesmo que indireto — dos mais humildes, sobretudo dos pequenos proprietários rurais, os quais ele conhecia como ninguém.
Como se fosse uma ironia do próprio destino, ele tinha uma deficiência em uma das mãos, que era a razão de seu apelido. Esse defeito físico fazia com que o membro estivesse sempre fechado, o que, em seus pronunciamentos, parecia um gesto de agressividade, como se estivesse desferindo murros em alguém. Isso casava perfeitamente com o seu linguajar popular e contundente.
O SAQUE E A PRISÃO
Como forte opositor do sistema dominante, era natural que Chico Mãozinha fosse uma personagem de desagrado para os donos do poder. Como já vimos, na gestão de Mixico Nonato (1951-1955), a estiagem de 1951–1953 foi um fato marcante. Como solução paliativa para o problema, surgiu a CAN (Comissão de Abastecimento do Nordeste). Algumas carradas de mercadorias chegaram a Limoeiro do Norte e, sem o conhecimento da população, foram “guardadas” em um armazém de propriedade do prefeito Mixico Nonato (localizado na Avenida Dom Aureliano Matos, onde hoje funciona a ELETROVALE). Sabendo disso, um grupo considerável de camponeses — de estômago vazio — decidiu saquear o armazém, arrombando as portas do prédio e levando toda a mercadoria. Não há dúvidas de que Chico Mãozinha estava entre os saqueadores, mesmo tendo chegado atrasado ao local. O incrível é que não houve nenhuma indicação de que ele tenha sido o incentivador da invasão; porém, somente ele foi responsabilizado e preso.
“havia levado apenas 3 (três) latas de leite em pó. Depois da “invasão”, sai caminhando a pé em direção a sua casa, na comunidade de Canafístula do Bixopá, parou na comunidade de Danças para almoçar e descansar um pouco na casa do compadre – Joaquim Elias. Às três horas da tarde, é abordado pela polícia. Trouxeram-no para a sede do município, em seguida, encaminhado para a vizinha cidade de Russas, [...] Passou a primeira noite preso em Russas, no dia seguinte, foi levado para Fortaleza, onde passou 13 (treze) dias, preso.” (MAIA, Mônica Emanuela Nunes. “A NECESSIDADE E O CHICOTE”: seca e saque em Limoeiro do Norte (1950 – 1954), pág. 99)
O certo é que Chico Mãozinha era um revoltado com o sistema dominante, no qual os poderosos não olhavam para os pobres. Por sempre se posicionar a favor dos humildes, reivindicando o que de mais natural existe — a igualdade para todos, ou pelo menos a possibilidade de o homem do campo viver com dignidade —, ele era tachado de comunista, um rótulo de forte impacto naquela época.
Por causa disso, passou a ser visto como um obstáculo nas pretensões dos poderosos. Assim, a sua suposta “participação” no saque ao armazém, onde estavam as mercadorias da CAN, foi explorada politicamente com o evidente intuito de tirar proveito da situação.
O PSD, por meio da família Chaves, não se conformava em ver a UDN crescendo, a ponto de ameaçar o poder reinante há quase um século. É interessante notar que Chico Mãozinha não pertencia a nenhum dos dois partidos (UDN e PSD). Contudo, como sua postura era de defesa dos camponeses e a UDN era composta principalmente por produtores rurais — sobretudo os Coronéis da Carnaúba —, os pessedistas acreditaram que, ao denunciá-lo como líder dos saqueadores, conseguiriam deter o crescimento do partido opositor.
É admissível pensar que a prisão não tenha sido de todo injusta, levando-se em conta a sua posição diante dos fatos. Além disso, sua personalidade forte e suas ideias de extrema esquerda podem, de fato, tê-lo levado a incentivar a invasão. Entretanto, mais uma vez, a estratégia do PSD em denunciá-lo acabou favorecendo o partido adversário, e não a si próprio como havia imaginado.
O erro gravíssimo cometido pelo PSD, ao caluniar e prender Chico Mãozinha com o propósito de responsabilizar a UDN pela invasão, foi uma ação impensada. Mal sabiam eles que os udenistas se aproveitariam do ocorrido para utilizá-lo na eleição como forte propaganda política.
A MORTE E OS MOMENTOS FINAIS
A morte de Chico Mãozinha foi digna de um defensor dos injustiçados. Ocorreu justamente na sede do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Limoeiro do Norte, local onde, por muitas vezes, pronunciou-se com seu corajoso discurso em favor dos humildes e desprotegidos camponeses.
Naquele dia, o velho Chico Vicente foi um dos primeiros a chegar ao Sindicato a fim de participar de uma reunião dos trabalhadores rurais com técnicos da EMATERCE – Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural.
Durante a reunião, um dos técnicos presentes comportou-se de forma imprudente e desrespeitosa ao classificar os camponeses de preguiçosos. Nesse momento, Chico Mãozinha pediu a palavra e, num ato de coragem, pronunciou um inflamado discurso, defendendo com veemência e decoro o pequeno produtor rural por aproximadamente 20 minutos. Bastante aborrecido com o técnico, repreendeu-o publicamente pelo que acabara de dizer.
Em meio ao discurso, começou a sentir-se mal e, antes de ter um infarto fulminante, ainda teve tempo de deixar suas últimas palavras com a histórica frase: “ninguém bota papa na minha língua não”.
Era o dia 14 de novembro de 1992. Assim, deixava o mundo, aos 84 anos de idade e mais de 50 anos em defesa dos mais humildes, dos perseguidos e dos injustiçados: FRANCISCO DE ANDRADE MAIA – o VELHO CHICO VICENTE, ou simplesmente CHICO MÃOZINHA.

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