Para a eleição de governador, as forças políticas planejaram uma coligação partidária, o que fez surgir a famosa União pelo Ceará. Essa aliança reuniu tradicionais adversários, como UDN e PSD, num acordo que elegeu Virgílio Távora (UDN) a governador e Joaquim de Figueiredo Correia (PSD) a vice-governador.
Enquanto no Ceará a junção UDN/PSD/PTN tinha o dedo do astuto e famigerado Dr. Armando Falcão, aqui em Limoeiro do Norte o processo passava pelas ideias sagazes do deputado virgilista Manuel de Castro Filho. Naquele período, ele já era reconhecidamente o político de maior influência na região jaguaribana e, especialmente, em Limoeiro, seguindo à risca as orientações de Virgílio Távora. Em Limoeiro, porém, não havia a menor possibilidade de unir PSD e UDN. Todavia, Castro, com sua esperteza, conseguiu articular uma aliança entre a UDN e o PTB, aceitando a única imposição petebista: trabalhar pela candidatura do Dr. Simões a deputado estadual, que, em troca, hipotecaria todo o seu esforço em favor da candidatura de Pedro Alves Filho para prefeito. Estranhamente e com propósitos obscuros, Manuel de Castro aceitou essa imposição, mesmo sabendo que disputaria votos para a Assembleia Legislativa no mesmo palanque que Simões.
Já o PSD juntaria seus farrapos com o PTN (Partido Trabalhista Nacional), do qual também fazia parte o grupo do ex-prefeito Sabino Roberto(*). Essa união ocorreu mesmo sem contar mais com a participação de Sabino, que havia falecido em abril de 1962.
(*) Sabino Roberto de Freitas: nasceu em 11 de julho de 1894 e faleceu em 26 de abril de 1962, numa tarde de quinta-feira, vítima de um infarto fulminante quando se dirigia à cidade de bicicleta, na rua que hoje leva o seu nome.
Eis como se consolidou a campanha política limoeirense de 1962: a coligação UDN/PTB – denominada de "dobradinha" – partiu na frente com o lançamento das candidaturas de José Simões dos Santos e Manuel de Castro para a Assembleia Legislativa do Estado, e de Pedro Alves Filho e Evaldo Holanda Maia para prefeito e vice-prefeito, respectivamente.
O candidato a prefeito
É um moço generoso
É muito estudioso
E conhece bem o direito.
Pedro Alves leva jeito
Para o que se avizinha.
Se ama a essa terrinha
O povo a bota na mão
Fazendo a coligação
Elegendo a dobradinha.
Pra vice o povo escolheuJá o PSD, em coligação com o PTN, lança a candidatura de Franklin Chaves para mais um mandato a deputado estadual, além dos nomes de Luiz Gonzaga Pitombeira para prefeito e Jared Santiago para vice. Eis a paródia cantada durante a campanha:
Aquela capacidade
Que do mato à cidade
Há muito que se ergueu.
Evaldo só atendeu
Pra mostrar que é de linha
E não tendo a sorte mesquinha
Com seu grande coração
Com ele a coligação
Formou essa dobradinha.
Autor: Joaquim Castro Maia de Freitas
Luiz Gonzaga Pitombeira.Terminada a eleição, elegeram-se facilmente Pedro Alves Filho e o seu vice, Evaldo Holanda Maia. Enquanto para a Assembleia Legislativa elegeram-se os três postulantes — ou seja, Manuel de Castro, Dr. José Simões e Franklin Chaves. Assim, Limoeiro do Norte privilegiava-se, novamente, com três deputados estaduais, fato que podemos dizer inédito nos municípios cearenses, principalmente levando-se em conta ser um município de pequeno porte.
É o candidato da nossa coligação
O PTN junto com o PSD
Trabalham para eleger
o Luiz nessa eleição
JOSÉ SIMÕES DOS SANTOS - Nasceu em Russas a 12.05.1918. Filho de Ignácio Simões dos Santos e Deocleciana Simões dos Santos. Faleceu a 02.06.1978. Médico. Iniciou os estudos na cidade natal, completando-os no Colégio São Luís em Fortaleza. Formado pela Faculdade de Medicina da Universidade Federal da Bahia. Logo após sua formatura, retornou a Russas, exercendo a Medicina até 1949. Neste ano mudou se para a cidade vizinha de Limoeiro do Norte, onde instalou consultório médico, para atender a todas cidades da zona jaguaribana. Participou, juntamente com D. Aureliano Matos (Bispo Diocesano), da implantação do Hospital e Maternidade São Raimundo, em Limoeiro do Norte, do qual foi diretor até 1962. Eleito Prefeito de Limoeiro do Norte em 1958, pelo PTB - Partido Trabalhista Brasileiro. Eleito Deputado Estadual para as legislaturas de 1963, 1967 e 1971 (esta última como suplente). Terceiro Vice-Presidente da Assembléia em 1964, Terceiro Secretário em 1966 e 1967, e Quarto Secretário em 1970. Como parlamentar defendeu vários projetos de interesse da população da zona Jaguaribana dentre eles: 1. Construção de ponte sobre o Rio Jaguaribe, 2. Primeiro conjunto de casas populares em Limoeiro do Norte.Fonte: deputados-estaduais-17-legislatura-1967-1970.pdf
Foi presidente do Instituto de Previdência do Município de Fortaleza - IPM, onde permaneceu até sua morte por distúrbios cárdio-vasculares
PEDRO ALVES FILHO - UMA NOVA VISÃO ADMINISTRATIVA
, para a comercialização de carnes, peixes e verduras, o que veio melhorar sensivelmente o sistema daquele comércio, até então primitivista e funcionava em latadas de madeira sem nenhuma higiene.Ressentido pelo pouco reconhecimento por esse importante empreendimento, quando se referia ao SAAE costumava dizer:
"o que está enterrado ninguém vê, logo, não se sabe quem fez.”
Foi também na sua gestão que ocorreu a construção da ponte sobre o rio Jaguaribe, (Ponte Juarez Távora) resolvendo um dos mais graves problemas de acesso à sede do município em épocas invernosas.
“Como uma cidade do interior do Ceará, tinha um prefeito com tanta capacidade e inteligência!”
Graças à sua cultura, ponderação e reconhecida honestidade no trato do dinheiro público, Pedro Alves mostrou que é possível fazer um governo sério e compromissado com a modernidade administrativa. A surpresa para os limoeirenses ocorreu quando ele anunciou sua renúncia, um fato extremamente desagradável para os eleitores que lhe confiaram o voto. A justificativa para deixar o mandato foi sua aprovação em um concurso do Banco do Nordeste do Brasil, como realmente foi, e as vantagens oferecidas por aquela instituição lhe renderia muito mais financeiramente do que as vantagens do cargo de prefeito.
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- Serafim Chaves – 1886/1887
- Dr. Leonel Serafim Freire Chaves – 1915/1916
- Manuel de Castro – 1947, 1951, 1955, 1959, 1963, 1967, 1971 e 1975
- Franklin Chaves – 1947, 1951, 1955, 1959, 1963, 1967 e 1971
- Expedito Maia da Costa – 1959
- Dr. José Simões – 1963, 1967
- Douvina Castro – 1979, 1983
- Paulo Duarte – 1991, 1995, 1999, 2003, 2007
O que podemos enumerar como ponto negativo na eleição de Pedro Alves foi a volta da UDN ao poder depois de derrotada em 1958. Dentro desse contexto, voltamos a afirmar que os políticos esquecem rapidamente o compromisso com o povo. Se o retorno da UDN viabilizou-se, isso ocorreu com a ajuda e a conivência de José Simões dos Santos, justamente a pessoa contra a qual Pedro enfrentou um embate na eleição passada. Simões traiu o povo ao unir-se aos adversários. Ele esqueceu completamente que havia prometido acabar com as viciadas manobras eleitoreiras tanto do PSD quanto da UDN.
Em 1958, na qualidade de candidato a prefeito, ele apresentou-se à população como alguém capaz de dar um novo destino ao município e foi colocado na prefeitura com a incumbência de mudar a maneira de se fazer política, expondo uma conduta acima de qualquer suspeita. Porém, tão logo assumiu o poder, revelou-se igual a todos. Impulsionado tão somente pela ambição de um mandato para deputado estadual, passou a trilhar a mesma estrada, unindo-se àqueles a quem havia combatido contundentemente, cujas ideias arcaicas e manipuladoras tanto criticou. Diante disso, custa-nos entender e confiar em homens que, no passado, criticavam os então ocupantes do trono, para depois — como se pedissem ao povo que esquecesse tudo o que foi dito — não se envergonharem de estabelecer acordos em favor de si mesmos.
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4 comentários:
Pelo meu ver acho que você não conhece mesmo a historia, para fala sobre o Prefeito Pedro Alves,deveria medir palavras quando fala de alguém.
Ass: Fabricio Alves Viana Correia Neto de Pedro Alves Filho.
Realmente,essa desconfiança acerca da honestidade de Pedro Alves é absurda!O concurso do BNB existiu de fato,há inúmeras provas materiais de que ele foi aprovado e de que ele assumiu o cargo.Além disso,se ele estivesse sendo desonesto na prefeitura,estaria lucrando lá bem mais do que ganharia no cargo do banco,não trocando um pelo outro.É só raciocinar...
O autor se contradisse,e foi infeliz ao levantar suspeitas acerca da honestidade política de Pedro Alves,tendo iniciado o texto afirmando que o mesmo foi conhecido pela honestidade em seu mandato.
Além disso,quem conheceu Pedro Alves sabe de sua incapacidade de lesar quem quer que seja,nem mesmo aqueles que o fizeram algum mal ou o caluniaram.Quem o conheceu sabe que ele foi dos poucos prefeitos honestos que a cidade teve,por isso não fez fortuna na política,e teve de seguir outra carreira para melhorar o padrão financeiro de sua família.
Com relação aos comentários feitos acima, acho que os leitores do blog não atinaram bem para o que está escrito.Em nenhum momento eu deixo de reconhecer a HONESTIDADE do então prefeito PEDRO ALVES FILHO, e é certo de que foi um dos administradores do nosso municipio que soube muito bem cuidar do dinheiro público. Reconheço inclusive que foram feitas
em sua gestão importantes obras como o Centro de Abstecimento, SAAE, Ponte Juarez Távora, pavimentação nas principais ruas do centro da cidade etc. Nao levanto suspeitas - como bem vêem no texto - sobre a sua HONESTIDADE, muito menos dúvidas sobre o concurso do BNB, no qual ele foi aprovado. Pedro Alves foi mais honesto ainda, quando renunciou, para não ter que declarar desonestos familiares seus, atitude inclusive louvável e ao meu ver, presente somente nas pessoas com grandeza de caráter.
(Pedro Alves despediu-se do mandato levando consigo o respeito e o reconhecimento dos limoeirenses como um homem digno e que teve a sorte de passar a administração para o seu vice Evaldo Holanda Maia, outra figura respeitada e querida).
Mas fatos acontecem e se tornam história, e não tento escreve-la para agradar ninguem e muito menos para denegrir a imagem de quem quer seja.
Maurilo Freitas
Pedro Alves era de familia pobre ,honesta ,conheci seu pai ,seus primos ,estudei com Zé Maria ,todos andavam a pé, moravam na ilha e continuaram pobre s é impossível ter havido roubo por parte de seus familiares.e seu Evaldo Holanda super honesto jamais permite ria
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