segunda-feira, 6 de julho de 2026

AO LEITOR

A HISTÓRIA POLÍTICA DE LIMOEIRO DO NORTE é recheada de acontecimentos que revelam a forma como o processo se desenvolveu ao longo de mais de um século. Desde o domínio da família Chaves, iniciado em meados do século XIX, os acordos e conchavos fizeram e ainda fazem parte das negociações para a manutenção do poder.

Se a oligarquia Chaves durou quase um século e já se passaram várias décadas após a sua queda, é possível perceber que a estrutura de poder se manteve. O comando foi apenas transferido, dando continuidade a interesses individuais e de grupos.
A ascensão de Manuel de Castro no processo político local, a partir da queda dos Chaves em 1954, também caracteriza uma oligarquia (governo de poucos), perpetuando um modelo que perdura até os dias atuais. Curiosamente, nenhum dos atuais políticos limoeirenses — com raras exceções — pode se dar ao luxo de dizer que não tem origem no proselitismo político de Manuel de Castro. Mesmo tendo encerrado sua vida pública em 1983, na qualidade de governador do Estado — atividade que exerceu por quase quatro décadas —, ele deixou um legado que deverá permanecer no cenário local por algum tempo.
Os novos nomes que passaram a dominar o poder a partir da eleição de 1982 iniciaram o que podemos chamar de um novo ciclo político. Foi a partir de então que a política, se já era voltada para interesses sombrios, tornou-se ainda pior, pois as brigas, as fofocas, as futricas e, sobretudo, os interesses pessoais ficaram mais evidentes. “Brigar” hoje e “unir-se” amanhã tornou-se apenas uma questão de conveniência, dependendo da ocasião.
As últimas décadas foram marcadas por um jogo de cumplicidade entre os políticos limoeirenses. Embora, em determinados momentos, eles tenham se proclamado “amigos” apenas para enganar o povo, a amizade nunca existiu de fato. O que houve foi um estado de conexão profundamente personalizado e, apesar de tudo isso, coexistia entre eles uma visível desconfiança.
A união propalada durante as campanhas eleitorais nunca representou os anseios do povo, que foi propositalmente colocado no jogo cruel e injusto da política por eles praticada. Aqui, cabe muito bem uma citação de Étienne de La Boétie, em seu Discurso da Servidão Voluntária:
“Entre os maus, quando se juntam, há uma conspiração, não uma sociedade; eles não se entre-apóiam, mas se entre-temem. São cúmplices”.
Os atos político-administrativos ocorridos a partir de 1982 até os dias de hoje têm sido os mais absurdos de toda a história de Limoeiro do Norte. Os mais escabrosos boatos de corrupção, os mais desavergonhados conchavos políticos e os maiores descalabros administrativos tornaram-se tão habituais que viraram rotina, de tal forma que a população passou a considerá-los como ações normais.
Tanto cultuam os atos ilícitos que conseguem fazer com que boa parte da população passe a desacreditar da existência de pessoas sérias capazes de administrar o que é do povo com honestidade. O que mais se ouve nas rodas de conversa, com bastante frequência, é que “todo político é ladrão, todos são iguais, basta que cheguem ao poder e farão a mesma coisa”.
O ponto a que chegou a consciência popular, como resultado da política implantada nos últimos quarenta anos, tornou-se bastante favorável aos maus políticos. Para eles, o que interessa é que o povo continue cada vez mais alienado e sem condições de fazer uma análise crítica da situação, optando sempre pelo pior — o que é bem melhor para eles.
Todos eles, da mesma cepa, praticam e disseminam até hoje a semente nociva da politicagem e, com isso, conseguem sobreviver politicamente a ponto de superar até mesmo as suas próprias contrariedades.
O agravante é que parte da população, aquela que percebe como o jogo político é praticado, sente-se impotente diante do quadro atual. Sem nada poder fazer para conter a facilidade com que agem os pseudopolíticos, essa parcela assiste à falta de escrúpulos com que eles mostram a cara ao povo, sempre com a empáfia de grandes líderes.
Os conchavos e os acordos firmados a cada eleição são tão deslavados que sequer se preocupam em ser escondidos da vista da população. Isso não se restringe apenas ao uso indevido do dinheiro público, mas a um absurdo ainda maior: a falta de coerência, de sinceridade e de respeito para com o limoeirense.
A propósito: haverá ato de corrupção maior do que corromper consciências?
MF

Capítulo XXX - RESUMO FINAL - 2008 ATÉ A ELEIÇÃO DE 2016.

PASSADA A ELEIÇÃO DE 2008, João Dilmar iniciou o seu terceiro mandato como prefeito, enfrentando, antes de tudo, uma forte disputa judicial. Paulo Duarte, segundo colocado no pleito, ajuizou uma ação contra o mandato, acusando a chapa eleita de abuso de poder econômico, político e compra de votos.
A disputa judicial perdurou por todo o mandato. O prefeito chegou a ser cassado em primeira instância pela juíza eleitoral. Ele recorreu imediatamente ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE-CE) e obteve de pronto uma liminar para permanecer no cargo até que o colegiado decidisse sobre a questão. Em junho, o pleno do TRE-CE reformou a sentença por unanimidade, afirmando faltarem provas robustas e garantindo a sua permanência. Contudo, Paulo Duarte recorreu ao TSE, fazendo com que o prefeito exercesse o mandato por força de liminar até o seu término, em 31 de dezembro de 2012.
Sua gestão foi marcada por uma coligação local e investimentos em convênios federais. O mandato incluiu ações na infraestrutura e saneamento, mas também enfrentou severas ressalvas nos órgãos de controle devido a problemas nas prestações de contas.
Durante esse período, o governo municipal, que contava com grupos políticos coligados, assinou parcerias federais relevantes, como convênios na área de ciência, tecnologia e infraestrutura. No entanto, a administração foi alvo de processos de fiscalização. O Tribunal de Contas da União e o Tribunal de Contas do Estado do Ceará julgaram irregulares as contas referentes a obras de pavimentação e drenagem na cidade, o que resultou em inabilitação e multas ao gestor.
O nome de Mailson Cruz voltou a centralizar as articulações políticas, consolidando sua liderança na gestão de ações administrativas e estratégicas. Esse protagonismo pavimentou, gradativamente, o caminho para sua indicação como sucessor natural do então prefeito Dilmar para o pleito de 2012.

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Até aquele momento, o panorama político local não indicava rupturas. Sem a emergência de novas  lideranças, a disputa permanecia restrita às figuras tradicionais que já polarizavam o poder há décadas.
Com a chegada do ano eleitoral, confirmou-se o favoritismo de Mailson Cruz, lançado oficialmente pelo grupo governista como candidato à prefeitura, tendo Domingos Bezerra como companheiro de chapa.
Na oposição, Paulo Duarte confirmou sua terceira candidatura majoritária consecutiva, unindo forças com Marcos Coelho e garantindo o respaldo de peso do deputado federal Ariosto Holanda.
No final, foi eleito, até que enfim, Paulo Duarte para prefeito com 45,31% dos votos válidos, somando 15.936 votos.
O pleito foi marcado por uma disputa pulverizada, contando com seis candidatos ao Executivo municipal, e terminou com seguinte resultado:

Paulo Duarte : 15.936 votos (45,31%)
Mailson Cruz: 13.399 votos (38,09%)
Arivan Lucena: 5.385 votos (15,31%)
Nonato Pinheiro: 245 votos (0,70%)
Reginaldo: 157 votos (0,45%)
Mirailton Meneses: 51 votos (0,14%)
O município também definiu seus representantes para a Câmara Municipal. Entre os parlamentares eleitos naquele ano destacaram-se nomes como Chico Baltazar, o mais votado com 1.891 votos, e Eliezer, com 1.812.
O cenário político de Limoeiro do Norte ganhou um novo capítulo com a eleição de Chico Baltazar. O sucesso nas urnas teve um forte componente hereditário: o apoio de sua mãe, a ex-vereadora Lúcia Baltazar Costa. Figura central na política local, ela exerceu cinco mandatos consecutivos e ininterruptos na Câmara Municipal entre 1992 e 2012, tendo ingressado na vida pública na eleição de 1992 a convite do então prefeito João Dilmar da Silva. (Lúcia Baltazar faleceu no dia 13 de julho de 2018)
A trajetória política de Lúcia Baltazar foi marcada por uma forte assistência comunitária, mas também por práticas clientelistas que estenderam sua influência por todo o município. Esse foi o trampolim que projetou Chico Baltazar ao Legislativo.
Em seus primeiros meses na Câmara, o jovem parlamentar surpreendeu positivamente. Com um perfil moderado e discursos coerentes na tribuna, ele rapidamente conquistou a simpatia e a admiração dos limoeirenses. A opinião pública logo viu nele o nascimento de uma nova liderança para a cidade.
A expectativa, contudo, durou pouco. Diante de sua rápida ascensão, grupos políticos tradicionais da região — as chamadas "velhas raposas" locais — agiram para conter essa ameaça. Atraído pelas forças da política tradicional, Chico Baltazar acabou cooptado, interrompendo o que prometia ser uma renovação no cenário limoeirense.

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Com Paulo Duarte prefeito, Limoeiro do Norte assistia, estupefata, a um autêntico milagre do avesso: o triunfo do fracasso. Incrivelmente, ele conseguiu superar o ex-prefeito Ademar Celedônio, que, até então, ostentava com certa exclusividade o título de pior prefeito. (Paulo Duarte, faleceu no dia 25 de maio de 2026, aos 71 anos).
Mas a história política de Limoeiro do Norte, sempre surpreendente, provou com a gestão de Paulo Duarte que sempre há alguém pior. O que parecia uma ironia do destino confirmou-se: ele assumiu a prefeitura, ironicamente, para destronar Ademar da inépcia administrativa e o fez com muita "competência". Convém lembrar que Ademar Celedônio foi eleito em 1992, exatamente com o apoio de Paulo Duarte e seu grupo, que estiveram presentes na administração durante toda a gestão. 
Uma das faltas de seriedade e compromisso mais evidentes com a gestão pública ocorreu quando transformou a folha de pagamento municipal em uma campanha populista. Contratou, sem critérios, méritos ou freios, uma quantidade excessiva de pessoas, o que não tardou a apresentar resultados negativos. A folha de pagamento inchou a ponto de o município não ter condições de honrar os salários. Depois, agindo com total descaso, o gestor convocou todos os contratados para propor um acordo: pagar apenas 50% dos valores devidos, como uma forma de ninguém perder o "emprego". 
Para mascarar o desastre financeiro que batia à porta, a gestão optou pela arte do espetáculo. Todas as quartas-feiras, em frente ao prédio da prefeitura, com palanque montado, encenava-se uma prática moderna do milenar panem et circenses adotado por alguns imperadores romano. O que os assessores mais fiéis tentavam vender como uma "prestação de contas semanal" logo se despiu de qualquer seriedade. Transformou-se em uma farsa tragicômica batizada pelo povo de "O Caldão de Paulão". Ali, entre discursos vazios, distribuía-se um caldo ralo acompanhado de pão aos presentes. Era a inoperância administrativa servida em taminas em plena praça pública: uma tentativa quase teatral de saciar a indignação popular com o desprezível gesto de distribuir caldo para o povo.
Enquanto a praça se entretinha com o vapor das panelas fervendo o caldo, o gabinete do prefeito permanecia vazio de liderança. O desinteresse do gestor pelas obrigações do cargo tornou-se uma sombra evidente. O poder, outrora conquistado nas urnas, foi informalmente delegado ao seu irmão, Marduque Duarte, figura que compartilhava da mesma inoperância.
O ápice desse enredo foi o relacionamento com o vice-prefeito que ruiu em poucos meses, afogado no mesmo mar de descaso que assolava os servidores. A situação chegou ao ponto do absurdo jurídico: o vice-prefeito viu-se obrigado a acionar a Justiça para receber o próprio salário atrasado. Se o próprio vice-prefeito precisava da justiça para ver a cor do seu dinheiro, o que restava aos trabalhadores comuns, contratados sob as falsas promessas das quartas-feiras de caldo e ilusão?
Durante o exercício do mandato, em setembro de 2015, o próprio prefeito Paulo Duarte enfrentou forte pressão jurídica promovida pela Promotoria de Justiça de Limoeiro do Norte, quando o Dr. Léo Junqueira ajuizou uma Ação Civil Pública por improbidade administrativa motivada pelo atraso injustificado no pagamento dos salários dos servidores públicos municipais. E foi diante dos protestos da categoria liderados pelo sindicato local (SINTSEM), que o promotor do caso chegou a pedir o afastamento liminar do prefeito para garantir a regularização da folha de pagamento.
Além disso, mesmo após o término do mandato, em dezembro de 2018, emergiram denúncias e prisões de servidores associadas à gestão. Embora a ação policial tenha ocorrido posteriormente, os crimes investigados foram cometidos especificamente durante o período da administração municipal.
A ofensiva foi realizada em conjunto pelo Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco), pelo Núcleo de Investigação Criminal (Nuinc) e pela Polícia Civil, que investigou desvios de dinheiro público por meio de fraudes em licitações e contratos de terceirização de mão de obra entre os anos de 2013 e 2016, imputando aos investigados crimes como: organização criminosa, falsidade ideológica, lavagem de dinheiro e fraude licitatória.

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Foi com esse cenário que Limoeiro chegou à eleição de 2016. Naquele ano, o quadro se apresentava nada favorável. João Dilmar poderia concorrer como candidato a prefeito mais uma vez, contudo, estava inelegível devido a rejeições de contas públicas e condenações, o que o impedia de registrar sua candidatura.
Quem ensaiava seu nome para disputar aquela eleição era o vereador Chico Baltazar. Todavia, ele não teve, declaradamente, o aval de Dilmar e seu grupo, que optou por articular o nome do desembargador federal aposentado, Dr. José Maria de Oliveira Lucena. Faltou a Chico Baltazar a audácia para sustentar a candidatura e peitar as decisões da cúpula, mesmo diante do desinteresse inicial demonstrado por Lucena. Caso o vereador tivesse mantido firmeza em seu propósito, o magistrado aposentado dificilmente teria entrado no pleito.
Em vez de buscar o confronto para viabilizar seu nome, Baltazar adotou uma postura de recuo. Em entrevista a uma rádio local, o vereador declarou publicamente que, "sendo para o Dr. José Maria, eu abro mão de ser candidato". A possibilidade de unidade e a ausência de concorrência interna abriram caminho para que o Dr. José Maria aceitasse o desafio. Diante de um cenário favorável — impulsionado pelo desgaste e pelos gargalos administrativos da gestão de então —, o desembargador aposentado confirmou sua pré-candidatura a prefeito, selando a composição com Dilmar na vaga de vice.  (Dr. José Maria Lucena faleceu em 24 de agosto de 2026).
Apesar da visível desvantagem na disputa, Paulo Duarte tentava a reeleição ao lado de Nicinha como vice. Nicinha é irmã de Mailson Cruz, que estava coligado com Paulão naquela eleição.
Como o esperado, Dr. Jose Maria Lucena foi eleito prefeito em 2016 com uma larga vantagem de votos.
Naquela eleição concorreram nada menos do que seis candidatos:
Dr. Zé Maria: 24.938 votos (71,93%)
Paulo Duarte (DEM): 7.342 votos (21,18%)
Pedro Julião (PP): 1.029 votos (2,97%)
Anchieta Sousa (PSL): 675 votos (1,95%)
Professor Hélio (PC do B): 662 votos (1,91%)
Edilson Santiago (PSB): 25 votos (0,07%)

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O DILMARISMO

Quem caminha pela história de Limoeiro do Norte sabe que o tempo político se divide em eras. No pós-Manuel de Castro, a memória da cidade repousa inevitavelmente sobre a figura do Dr. João Dilmar da Silva. Para compreender o seu surgimento, é preciso voltar ao ano de 1982, quando o vento da renovação soprou forte com a eleição de Gladstone Bandeira. Foi ali, naquele pontapé inicial, que um novo ciclo político se abriu, fazendo com que futuras lideranças saíssem, pouco a pouco, de suas crisálidas para brilhar na política limoeirense.
Naquele mesmo ano de 1982, enquanto Gladstone — o eterno "Careca" — liderava a disputa pela prefeitura, o povo observava, curioso, o seu companheiro de chapa. Tratava-se de um jovem cirurgião-dentista, de apenas 32 anos. Uma figura até então anônima, um rosto novo que pedia licença para entrar na vida pública como candidato a vice-prefeito.
Mas a política, como a vida, é feita de caminhos que se pavimentam no cotidiano. A estrela do jovem doutor começou a brilhar de verdade em 1988, quando conquistou a chefia do Executivo. A vitória, contudo, não nasceu do acaso; foi desenhada dia após dia, ao longo de todo o mandato do Careca. Naquele intervalo de tempo, o jovem dentista soube tocar o coração do povo. Sempre com um sorriso sincero à mostra, ele estendia a mão a quem passasse, sem distinção de sobrenome ou classe social. Foi assim, com a simplicidade dos gestos miúdos, que ele conquistou a simpatia de uma fatia considerável do eleitorado e escreveu seu nome de forma definitiva na história da politica limoeirense.
É curioso notar os bastidores do poder. Durante os anos em que ocupou a vice-prefeitura, Dilmar foi o retrato da obediência. Seguia as orientações do prefeito à risca, sem alarde. Mas, por trás do silêncio disciplinado, operava uma engenharia sutil. Ele não apenas esperava a sua hora; ele pavimentava, palmo a palmo, o caminho que o levaria à cadeira principal a partir de 1 de janeiro de 1989.
Quando finalmente assumiu o comando, as máscaras da timidez caíram. Revelou-se ali um estrategista de rara perspicácia, pronto para se tornar a estrela mais brilhante da política moderna limoeirense. Dilmar dominava como ninguém a arte mais antiga do poder: o acordo de bastidores. Fechava alianças no sussurro e, com isso, ganhou uma força avassaladora logo após a eleição. Ofuscou, de imediato, a figura do velho "Careca", que até então se julgava insuperável e insubstituível no tabuleiro local.
A ascensão foi rápida. Já em 1990, mostrando que o seu farol enxergava longe, tirou da cartola uma figura totalmente alheia à política tradicional: o delegado da Polícia Federal Paulo Carlos Silva Duarte. Lançou-o a deputado estadual e, carregando o novato nos braços de sua própria influência, garantiu sua eleição.
Nascia ali, oficialmente, o "DILMARISMO". Mais do que um sobrenome, o termo virou sinônimo de um estilo de gestão, de um grupo fiel e de uma marca política moldada por João Dilmar da Silva. O movimento, que começou acanhado e sem muito alarde, ganhou fôlego renovado e uma nova roupagem nas mãos de sua filha, Dilmara, atual prefeita da cidade.
Ao longo das últimas décadas, o dilmarismo fincou raízes profundas em Limoeiro do Norte através de três mandatos. Se, por um lado, vê-se que a gestão pouco acrescentou em termos de desenvolvimento real — mantendo um compasso tradicional e conservador, muito parecido com o passado —, por outro, ninguém nega a sua fórmula de sucesso. A receita sempre foi a mesma: um forte apelo popular, conexão direta com as dores da comunidade e uma capacidade de articulação política imbatível na hora de garantir a governabilidade. No teatro do poder, Dilmar sabia exatamente como manter as portas abertas.
Quem caminha pelas ruas de Limoeiro do Norte hoje respira um ar diferente, misturado à poeira fina que o vento traz e à certeza de que os ventos da história também mudaram de direção. Pode-se afirmar, sem medo de errar, que o chamado "dilmarismo" fincou suas raízes sólidas e seguras. A ERA DILMARA não é apenas um período administrativo é o símbolo vivo de uma transição geracional que redesenhou o mapa do poder local.
Não faz muito tempo, o cenário era de incertezas. Víamos uma vice-prefeita assumir, de forma interina e silenciosa, enquanto os dias do antigo gestor, José Maria Lucena, se distanciavam do cotidiano da cidade. Foi ali, naquele hiato de poder, que o novo movimento começou a ganhar corpo, rosto e voz.
A resposta definitiva veio no formato mais sagrado da democracia: o eco das urnas. O ano de 2024 não trouxe apenas uma eleição, mas um veredito devastador. Uma montanha de 28.308 votos — 77,65% — selaram o destino político de limoeiro e carimbaram a liderança de Dilmara.
A verdade nua e crua e sem sombras de dúvidas, é que o "dilmarismo" veio para ficar e ditar o ritmo dos próximos anos. E o motivo é quase poético, se não fosse puramente pragmático: o silêncio do outro lado. Hoje, quem procura uma força contrária em Limoeiro do Norte encontra o vazio. NÃO HÁ OPOSIÇÃO. A cidade assiste, entre o consentimento e a expectativa, ao desfile de um PODER ABSOLUTO, que agora caminha sem oponentes, à espera de um amanhã mais promissor.

domingo, 28 de junho de 2026

XXIX - A ELEIÇÃO DE 2008 E SEUS DESDOBRAMENTOS

APROXIMAVA-SE MAIS uma eleição. Tudo indicava que Limoeiro iria ter uma disputa acirrada, porém sem nenhuma novidade em termos de candidaturas, exceto o PT, que, desde o início do ano, vinha divulgando o nome do empresário Wanderley Nogueira como candidato do partido.
Naquele pleito (2008), o cenário político em Limoeiro do Norte foi marcado por forte polarização e realinhamentos estratégicos. João Dilmar da Silva, que exercia o seu segundo mandato como prefeito e havia sido eleito em 2004 pelo PPS, migrou para as fileiras do PRB para buscar a reeleição, visando à ampliação de sua base de apoio e à garantia da governabilidade. Como candidato governista, ele enfrentou uma disputa acirrada.
Com a insistente divulgação do nome de Wanderley, o PT sinalizava a disposição de lançar uma nova liderança para romper com a estagnação política que se repetia a cada eleição há quase quatro décadas. Tal estratégia representaria uma mudança drástica no panorama local, além de configurar um desdobramento saudável para o cenário político da época. A intenção do partido causava surpresa e, por certo, estranheza, dado que, desde sua fundação em 1985, a legenda permanecia sob a liderança da família Pinheiro. Até aquele momento, era improvável que um candidato alheio ao clã familiar — ou que não integrasse seu círculo mais restrito — obtivesse a indicação partidária.
Contudo, a viabilidade dessa nova alternativa passou a inquietar os integrantes do principal bloco opositor ("grupão"). Evidenciava-se que o nome do jovem empresário Wanderley Nogueira alcançava expressiva aceitação popular, tornando-se o principal tema dos debates informais e consolidando-se como uma alternativa concreta perante o eleitorado. Consequentemente, instaurou-se um clima de apreensão entre os pré-candidatos do grupo governista e seus respectivos aliados, cientes de que a ascensão de uma candidatura renovadora comprometeria seriamente a hegemonia política de todos eles.
Diante disso, os bastidores – sombrios bastidores! – foram acionados, e puseram-se em prática as velhas e costumeiras manobras políticas a fim de inviabilizar a pretensão de Wanderley. O movimento ocorreu, sobretudo, devido a boatos de que uma pesquisa encomendada pelo bloco governista (leia-se: subgrupo de Dilmar), em abril de 2008, já posicionava o pretenso candidato petista com 14% das intenções de voto. Longe de contê-lo, esse fato impulsionou a divulgação do nome de Wanderley Nogueira, notoriamente articulada pelo articulador petista Nonato Pinheiro e pela então presidente do diretório municipal, Nadir Chaves. Tratou-se de uma clara demonstração de habilidade em engendrar maquinações políticas para extrair dividendos futuros.
Deflagrou-se, a partir de então, uma onda de rumores sugerindo que Wanderley fora convidado para figurar como candidato a vice-prefeito na chapa de Dilmar, após uma reunião reservada entre este e Nonato Pinheiro. O diálogo contava com o respaldo do diretório estadual do PT, que pressionava a militância limoeirense a abdicar de uma candidatura própria no município. Wanderley, contudo, já havia declarado publicamente que não aceitaria, sob hipótese alguma, compor chapa como vice, ciente de que a estratégia visava, unicamente, neutralizar sua liderança no pleito.
A recusa de Wanderley em compor a chapa como candidato a vice de Dilmar geraria uma situação delicada. Surpreendentemente, quando se presumia a consolidação da aliança e o apoio efetivo do PT ao seu nome, Wanderley, de forma inesperada, anunciou sua renúncia em entrevista por telefone à Rádio Vale do Jaguaribe. O político abdicou da candidatura governista e, mesmo sob a insistência do radialista sobre as razões de sua decisão abrupta, recusou-se a prestar esclarecimentos, limitando-se a declarar: “não sou mais candidato”. De maneira ainda mais emblemática, no dia seguinte, o veículo de Wanderley já circulava com propaganda em apoio à candidatura de Arivan Lucena, o que viabilizou o espaço para que Nonato Pinheiro articulasse novas coligações e acordos partidários.

Há quem assegure que Wanderley abdicou de sua candidatura em troca da concessão de um vultoso empréstimo pelo Banco do Nordeste do Brasil. Tal movimento teria ocorrido sob a influência do deputado José Guimarães — um dos principais articuladores a pressionar o diretório do PT limoeirense para que abandonasse a candidatura própria — e contado com a anuência de Nonato Pinheiro.
É imperioso reconhecer a destreza da estratégia de Nonato Pinheiro. O êxito da manobra outorgou-lhe plena liberdade para delinear as diretrizes do acordo que, subsequentemente, firmaria com Dilmar, viabilizando a imposição categórica de seu nome para a vaga de vice. Desse modo, o grupo político de Dilmar viu frustrada a intenção de cooptar Wanderley para a composição majoritária — arranjo que, caso concretizado, resultaria em expressiva vantagem à campanha do então prefeito. Todavia, dado o prévio envolvimento em tratativas e coalizões espúrias para aquele pleito, não restou alternativa a Dilmar senão chancelar a indicação de Nonato Pinheiro. Havia a plena ciência de que o nome do petista agregaria escasso valor ao projeto e que, em contrapartida, atrapalharia a candidatura devido ao seu controverso histórico político; contudo, a ala governista não dispunha de outra opção senão acatar a referida indicação.
Uma vez selado o ajuste, Dilmar coordenou uma robusta frente partidária, a qual aglutinou legendas como PSL, PTB, PMDB, PV, PT, PSC, PSB, PP, PHS e PRB.
Com a consolidação das candidaturas de Dilmar e Nonato Pinheiro aos cargos de prefeito e vice-prefeito, respectivamente, restava apenas a oficialização dos nomes de Arivan e Paulo Duarte. Caso tais postulações se confirmassem, restabelecer-se-ia o cenário verificado no certame eleitoral do ano 2000, reiterando-se os mesmos candidatos.
Assim, o cenário político de Limoeiro do Norte nas eleições de 2008 configurou-se a partir de uma intensa polarização. Paulo Duarte, em oposição ferrenha ao grupo liderado pelo então prefeito João Dilmar, bem como à ala de Arivan Lucena, ainda com os resquícios do crime de Nicanor Linhares, compôs sua chapa majoritária com o radialista Rosálio Daniel. O comunicador gozava de expressiva popularidade e ampla aceitação popular, capitalizada majoritariamente por meio de sua audiência no programa Encontro Político, continuado por ele a partir da morte do próprio Nicanor.
Convém lembrar que Rosálio Daniel exercera o cargo de Secretário de Cultura nos anos iniciais da gestão de Dilmar. Sua exoneração, contudo, foi sucedida por dissidências de ordem pessoal e política. Imbuído de forte ressentimento, o radialista resolveu canalizar sua influência midiática contra o chefe do Executivo, a quem imputava condutas desabonadoras durante o período em que integrou o primeiro escalão municipal. Em conversas informais, Rosálio Daniel chegou a manifestar o propósito de desestruturar politicamente o antigo aliado. Todavia, ao pretender anular politicamente o nome de Dilmar, o comunicador subestimava a densidade política do grupo governista — um dos mais consolidados da região — bem como o alcance do próprio capital político isolado do prefeito. 
Cônscio do poder de penetração dos meios de comunicação de massa e de seu público cativo, o radialista projetou a conversão da audiência em votos, condicionando sua participação como candidato a vice-prefeito na chapa de Paulo Duarte.
Paralelamente, consolidou-se a candidatura de Arivan Lucena. Respaldada por um histórico de aproximadamente 30% das intenções de voto no eleitorado limoeirense, Arivan formou sua chapa com Jerônimo Osterne, articulando uma coalizão com o PRTB, o PTB e o PR — estes dois últimos bastantes desgastados perante a opinião pública.
Por fim, o PSTU oficializou a candidatura de José Maria de Andrade. Com uma plataforma alinhada à esquerda radical, a candidatura cumpriu um papel estritamente ideológico, demarcando distanciamento programático em relação às demais forças políticas em disputa.
O pleito municipal de 2008 caracterizou-se pela acirrada disputa entre as três principais vertentes locais. O desfecho das urnas confirmou a reeleição de João Dilmar, que assegurou a vitória por uma margem estreita de sufrágios. Os resultados oficiais totalizaram:
  • João Dilmar: 12.730 votos (37,90%)
  • Paulo Duarte: 11.127 votos (33,13%)
  • Arivan Lucena: 9.583 votos (28,53%)
  • José Maria de Andrade: 149 votos (0,44%)
A pulverização dos votos entre Dilmar, Paulo Duarte e Arivan Lucena evidenciou uma profunda cisão no eleitorado limoeirense da época.
O sucesso nas urnas assegurou a João Dilmar a chefia do Executivo municipal. Sua vitória, consolidou os blocos de oposição e situação que protagonizariam os embates eleitorais subsequentes no municipio.
Paralelamente ao resultado das urnas, o processo eleitoral de 2008 desdobrou-se em um complexo embate jurídico, culminando na cassação do mandato do prefeito eleito em primeira instância. Todavia, por meio de medidas liminares, o gestor e seu vice, Nonato Pinheiro, mantiveram-se no exercício de suas funções, assegurando a continuidade administrativa até o término do mandato.
É que tão logo assumiu no início de 2009, Paulo Duarte, inconformado com a derrota, apresentou uma denúncia contra a eleição. Ela se baseava em acusações de compra de votos, abuso de poder político e econômico, além do uso ilegal de recursos durante a campanha. A acusação central apontava que o grupo de João Dilmar teria realizado a distribuição de camisas com as cores e alusões à sua legenda durante o período eleitoral, o que configuraria vantagem ilícita.
O caso gerou uma intensa disputa jurídica no estado. Em primeira instância, a juíza eleitoral acolheu a denúncia e cassou o mandato do prefeito Dilmar e de seu vice, Nonato Pinheiro. Dilmar recorreu da decisão no TRE-CE, onde a sentença foi reformada por unanimidade, sob o argumento de que não havia provas robustas capazes de sustentar a cassação, o que manteve o prefeito no cargo. Mesmo assim, a defesa de Paulo Duarte recorreu ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para tentar reverter o caso, consolidando um dos capítulos mais acalorados da história política de Limoeiro do Norte.

sábado, 27 de junho de 2026

XVIII - O SEGUNDO MANDATO DE DILMAR

APÓS TER RECEBIDO uma expressiva votação e criado uma espécie de alívio em grande parte do eleitorado que queria ver Arivan fora da prefeitura, Dilmar assumiu no dia 1º de janeiro de 2005, prometendo um governo popular.
Porém, antes de comparecer à Câmara Municipal para tomar posse no governo, um problema teve que ser resolvido: o surgimento de um impasse para a eleição da presidência da Casa. O "grupão" havia acertado que Marduque Duarte seria eleito para presidir o Legislativo, mas Lúcia Baltazar, incentivada por adversários — sobretudo os vereadores eleitos pela ala de Arivan Lucena —, manifestou, de última hora, sua intenção de também concorrer. O fato gerou um momento de grande turbulência, sendo preciso mobilizar tanto o prefeito eleito quanto os deputados Paulo Duarte e Ariosto Holanda, que precisaram intervir diretamente nas negociações para convencer a vereadora a desistir da candidatura. A verdade é que a disposição de Lúcia dividia de tal forma os votos que corria o risco de Marduque ser derrotado, o que atrapalharia o acordo estabelecido ainda em campanha.
Finalmente, tudo foi resolvido, e Marduque foi eleito presidente do Legislativo municipal.
Com semblante sorridente e pretencioso, voltava à prefeitura montado nos defeitos da administração passada, insinuando que Limoeiro havia, naquele momento, saído de uma situação de caos.
A escolha do secretariado não apresentou nenhuma novidade. A lista foi divulgada por ele próprio, um dia antes da posse, pela Rádio Vale do Jaguaribe, e dentre os nomeados estava o radialista Rosálio Daniel para a Secretaria de Cultura.
O discurso de posse na Câmara de Vereadores foi recheado de contornos inovadores, gabando-se como o melhor para Limoeiro. Sem se preocupar com a demagogia da qual sempre se utilizou para enganar os limoeirenses, quando se referiu a Ariosto Holanda e Paulo Duarte, chamou-os de “meus deputados”, exaltando as qualidades de ambos.
Convocou a população para participar do seu governo, dizendo que, a partir daquele momento, o prefeito não tinha adversários e estavam todos — poder público e população — imbuídos do propósito de desenvolver o município.
Dilmar iniciou seu governo praticando o nepotismo ao nomear sua esposa, Dra. Célia, para a Ação Social, e seu irmão, Deuzimar, para a Secretaria de Agricultura.
Para abrigar dois suplentes na Câmara de Vereadores, ele convidou os vereadores eleitos José Lins Guerra (Eliézer) para a pasta de Obras e Gladis Bandeira para a Chefia de Gabinete.
Desta vez, o Dr. Maílson Cruz ficou fora do secretariado. Entretanto, seu braço direito, Mâncio, foi nomeado para a Secretaria de Administração e Finanças, o que confirmou os boatos de que Maílson seria o real responsável pelas finanças do município.
Se Maílson não quis assumir nenhuma secretaria, deduz-se que a sua atuação na administração era muito mais eficiente ficando do lado de fora. Falavam ainda de que fora ele quem determinara a indicação de todos os secretários.
O slogan criado para identificar a administração, com a frase “É Tempo de Paz e Desenvolvimento” e o desenho artístico de uma pomba, sugeria pretensiosamente que Limoeiro encontrara novamente o caminho da paz e da tranquilidade.
Com o apoio da Rádio Vale do Jaguaribe, começou uma onda de propagandas do novo governo, noticiando uma administração inovadora, moderna, honesta e democrática.
O império do empreguismo, tão criticado durante a campanha, tornou-se, logo de início, uma prática à vista de todos. O prefeito esquecia-se de que, por algumas vezes, chegou a dizer que “o dinheiro da prefeitura não dava para nada porque Arivan pulverizava-o entre os seus protegidos”. Mas, mal sentou no trono, apenas tirou os “dela” e colocou os “dele”, gerando a primeira insatisfação em seu próprio eleitorado.
A partir de então, configurou-se um empreguismo exagerado e um nepotismo deslavado, quando abrigou na prefeitura parentes e aderentes, além do favorecimento aos aliados de plantão.
Não tardou para aparecerem os primeiros boatos de desvio de dinheiro público, e algumas obras e ações já se iniciavam recheadas de gravíssimas suspeitas.
Inventou um concurso público, numa tentativa de camuflar a onda de empreguismo, mas sofreu fortes denúncias logo na divulgação do edital por parte de alguns vereadores de oposição. Estes levantaram dúvidas sobre a lisura do processo de licitação por conta da empresa vencedora, correndo à boca pequena que a citada empresa pertencia ao próprio Maílson Cruz e que a licitação não passou de uma farsa.
Não obstante as denúncias, o concurso foi realizado e estas aumentaram consideravelmente após a sua aplicação. Desta vez, a população recorreu ao Ministério Público, denunciando falcatruas e favorecimentos. “Estranhamente”, o Ministério Público ignorou todas as denúncias sem se dar ao trabalho sequer de apurá-las e homologou-o como legal.

Começou também a enfrentar uma forte oposição por parte dos vereadores Nonato Pinheiro e Heraldo Holanda, quando denunciaram de forma contundente a estrada que liga o Arraial à estrada que de Quixeré, mostrando em vídeo que foi colocado na internet: o desvio de pelo menos R$ 115.000,00 reais. (https://www.youtube.com/watch?v=a8dMk3iU_o0) Por outro lado o Dr. Leovigildo denunciava a corrupção existente na administração, em uma reforma da Escola Carmelita Setúbal na Cidade Alta, também numa gravação de vídeo e da mesma forma colocado na internet.

Quanto mais o tempo passava, mas o prefeito se mostrava inoperante, confirmando a versão que era o Dr. Maílson quem realmente comandava a administração.
A tão alardeada modernidade administrativa não passou de mais um ato de enganação e o que se viu durante seu governo, foi a repetição dos mesmos desmandos que tanto colocavam o município em situação de atraso em relação aos outros municípios da região. As ruas continuavam esburacadas, muito embora em outras se construía calçamentos; o lixo acumulado nos logradouros públicos, as praças mal cuidadas, o prefeito distante do povo e dentro da administração os velhos e conhecidos “ratos de prefeitura”

RELACIONAMENTO COM PAULO DUARTE E A ELEIÇÃO DE 2006
Como era costume, desde que ingressaram na política, sempre brigarem e se unirem por conveniência, desta vez não foi diferente. Muito cedo, notava-se que aqueles que novamente se abraçaram como “grandes amigos” no último palanque, já estavam prestes a declarar mais uma briga, embora não tornassem públicas essas desavenças.
Antes, porém, da deflagração da grande intriga, e por serem mestres na arte de enganar o povo, sempre que tinham oportunidade, trocavam elogios. Pouco lhes importava se a população percebesse a farsa que costumavam estabelecer no jogo político e a falsa “amizade” existente entre eles.
A prova disso vem de uma declaração de Paulo Duarte durante a comemoração do primeiro ano de administração. Na ocasião, ele elogiou toda a equipe, inclusive o Dr. Maílson, reconhecendo-o como o homem forte ao lado de Dilmar:
“Digo isso aqui sem nenhuma necessidade de esforço. De todos os prefeitos que eu tenho acompanhado agora neste primeiro ano de mandato, pode ter certeza, o prefeito que tem uma obra mais marcante, fazendo mais obras aqui, em toda a região jaguaribana, é o prefeito Dilmar. Isso aqui é pra fazer justiça... (...) Se você chegar em Limoeiro hoje, Limoeiro está um canteiro de obras. Calçamentos, estradas asfaltadas, colégios, quadra de esportes... (...) Isso é a marca da equipe do Dilmar que tem, sempre, o projetista, aquele cara que está sempre à disposição, que é o Dr. Maílson, e merece uma referência especial pela disposição de colaborar, apoiar, fazer os projetos, ir a Brasília buscar os recursos, e essa é a marca da administração do prefeito Dilmar”. http://www.youtube.com/watch?v=fx-sBS08Q2E – em 05.04.2009
As palavras de Paulo Duarte não entusiasmavam ninguém, posto que era muito comum entre eles declarações desse tipo, tão somente para tentar repassar à população a imagem de que estavam solidamente unidos. A verdade é que, até aquele momento, eles realmente ainda não haviam brigado, e isso só viria à tona na eleição para deputado.  
Quando se iniciou a campanha de 2006, já se percebiam os caminhos diversos que ambos seguiriam. Dilmar, aliado de Ciro Gomes, não tinha como deixar de apoiar a candidatura de Cid Gomes ao governo do Estado, enquanto Paulo Duarte, aliado de Tasso Jereissati, declarou seu apoio à reeleição do governador Lúcio Alcântara. Mas, até aí, não havia motivos suficientes para se aviltarem. O que estava em jogo eram as candidaturas para deputados.
Enquanto isso, Arivan Lucena, ao contrário do que pensavam seus “adversários”, mantinha vivo o seu grupo. Embora declarando seu apoio à candidatura de Cid Gomes, escolhera para deputado estadual Manoel de Castro Neto (Manezinho).
Para a Câmara Federal, tanto Paulo Duarte quanto Dilmar novamente “trabalhariam” ao lado de Ariosto Holanda. Entretanto, para a Assembleia Legislativa, existia uma dúvida com relação ao grupo de Dilmar, sobre se realmente apoiaria o nome de Paulo Duarte. Em momento algum da campanha, Dilmar e seu grupo declararam esse apoio. Por outro lado, Paulo Duarte, em momento algum, pediu votos para Ariosto Holanda; pelo contrário, juntamente com Kennedy Linhares, deixava perceber que ambos estavam trabalhando o nome de Gonzaga Mota.
Durante a campanha, nenhum deles tinha coragem de declarar-se rompido ou magoado com o outro. O tempo todo mantiveram-se calados, pois temiam uma reação contrária do povo e preferiram esconder que o "grupão" havia sofrido mais uma implosão; tanto que, durante todo o período eleitoral, não se agrediram publicamente.
Passada a eleição, logo no dia seguinte, Paulo Duarte concedeu entrevista à Rádio Vale do Jaguaribe. Na ocasião, afirmou que foi traído por Dilmar e seu grupo, responsabilizando-os por sua derrota, mesmo tendo conseguido 13.045 votos somente em Limoeiro do Norte.
A partir dali, com a briga deflagrada, Paulo Duarte tornou-se um crítico contundente da administração, usando abertamente a Rádio Vale do Jaguaribe para declarar publicamente o rompimento. Também instruiu seu irmão, Marduque, a fazer oposição cerrada na Tribuna da Câmara de Vereadores. Este, sempre em seus peculiares surtos de desequilíbrio e irresponsabilidade, transformou-se em uma verdadeira metralhadora, repetindo os mesmos pronunciamentos que fazia na época de Arivan Lucena. Aliás, Marduque tinha competência de sobra para bombardear o prefeito, pois sua maior marca — e o que melhor soube fazer — era apontar defeitos alheios.
Enquanto isso, Ariosto Holanda, em seu estilo sutil de sempre calar-se, teve uma votação expressiva de 14.728 votos. Sem nada a reclamar, não deu uma declaração sequer para agradecer pelos votos recebidos, muito menos para opinar sobre as declarações de Paulo Duarte.
Os limoeirenses, mais divididos do que nunca entre os grupos de Paulo Duarte e Dilmar, ficaram aguardando a próxima campanha, onde, mais uma vez, estariam os dois lados em palanques diferentes e, novamente, brigando desesperadamente pelo poder.

XVII - A ESPETACULARIZADA ELEIÇÃO DE 2004

A CAMPANHA POLÍTICA de 2004 se aproximava com a certeza de que seria uma verdadeira guerra entre o grupo da prefeita e os seus adversários. O clima no município era tenso e delicado. O eleitor encontrava-se extremamente decepcionado, com a autoestima em baixa e a esperança mutilada, procurando, em meio aos acontecimentos, uma saída positiva.
Arivan se tornara o centro do ódio para a maioria dos limoeirenses. A sua conduta como prefeita era questionada devido a uma série de fatores que contribuíram para a sua rejeição por parte da maioria da população. Como pontos principais, pesavam contra ela a acusação de ser mandante do crime contra o radialista Nicanor Linhares e o fato de manter-se no mandato por meio de uma liminar, desde que foi cassada em abril de 2004 pela Câmara de Vereadores, além de sua postura considerada arrogante. Apesar de tudo, teimava em candidatar-se, o que para muitos era um ato de ousadia e muita coragem e, no discurso dos adversários, uma afronta aos limoeirenses.
Mesmo com dados tão deprimentes, Arivan ainda causava pânico aos inimigos, que chegaram a se amedrontar com o fantasma de mais uma derrota depois da confirmação de sua candidatura. A surpresa foi a escolha do candidato a vice-prefeito, que recaiu sobre a pessoa de Pedro Julião, muito embora já estivessem aliados havia algum tempo.
Do outro lado estava Dilmar que, mesmo derrotado por duas vezes, anunciava a sua inarredável disposição de mais uma vez candidatar-se. Ele não aceitava, por hipótese alguma, qualquer negociação que pretendesse tirar-lhe a cabeça de chapa, pois sabia, junto com seu grupo, que aquela seria a sua última cartada e, portanto, teria que ganhar a qualquer custo. Mais uma vez, apostava na aceitação que teve nas eleições passadas (1996 e 2000), sempre com um percentual girando entre 25% e 30% do eleitorado.
Estranha foi a atitude de Paulo Duarte, já que sua candidatura era esperada por todos em virtude da briga que comprou quando denunciou José Maria Lucena e Arivan, da tribuna da Assembleia Legislativa, como mandantes do crime de Nicanor Linhares. Acreditava-se que sua disposição em denunciar o casal teria sido para beneficiar-se politicamente, repetindo a dose da eleição de 2002, quando obteve uma estrondosa votação (47%), justamente por causa da intriga existente. Todavia, decidiu apoiar a candidatura de Dilmar, mesmo com a grande possibilidade de sair vitorioso naquela eleição, pois, naquele momento, era ele quem absorvia toda a rejeição da prefeita. O que não se esperava era que ele cedesse o lugar de candidato para outra pessoa, muito menos para Dilmar.
Era estarrecedor o fato de Dilmar e Paulão estarem juntos, se, até pouquíssimo tempo atrás, não se olhavam na cara e nem existia o mínimo de confiança entre eles para estabelecerem uma união. A palavra “amigos” era totalmente descartada do dicionário de ambos. Entretanto, estabeleciam um jogo de cumplicidade na luta pelo poder, totalmente esquecidos de que, na campanha passada, trocaram calorosas farpas em palanques contrários.
Paulo Duarte nunca explicou direito ao povo o motivo que o levou a jogar fora a grande oportunidade de tornar-se prefeito, ainda mais quando se sabia que esse era o seu maior desejo. Como diz o adágio popular, “o cavalo passou selado”, mas ele desperdiçou a chance de montar, preferindo “entregar o ouro aos bandidos”.
Pode-se supor, entretanto, que um dos fortes motivos — inclusive muito comentado pelo povo — foi o fato de que, quando procurou formar o grupo de apoio, já não tinha mais ninguém. Isso porque o Dr. Maílson já tinha atraído todos para apoiar Dilmar, e só entraria com os gastos da campanha se este fosse o candidato. Outra versão é a de que temia por sua vida devido a algumas ameaças que vinha recebendo por conta da denúncia feita aos arqui-inimigos José Maria e Arivan; e muito mais, porque a denúncia levou ao desbaratamento de uma quadrilha de assaltantes e pistoleiros na região jaguaribana.
O acordo de seguir junto com Dilmar foi selado publicamente por meio de entrevista conjunta na Rádio Vale do Jaguaribe, tendo como única imposição que sua irmã, Elizete, fosse a candidata a vice-prefeita.
A entrevista serviu para que, mais uma vez, Dilmar e Paulo Duarte trocassem elogios. Isso era de praxe entre eles, que o faziam com a mesma facilidade com que brigavam em determinados momentos.
No mesmo barco de Paulo Duarte, entraram Careca, Ademar Celedônio e Ariosto Holanda a favor da candidatura de Dilmar, deflagrando a união de todos aqueles que, em um passado recente, estiveram se digladiando e se agredindo entre si.
Finalmente, surgiu uma terceira candidatura. Tratava-se do vice-prefeito Laurinho, em uma coligação entre PSB, PT e PMDB, formando chapa com o Dr. Lindenor. Este, insatisfeito por não ter algumas de suas exigências aceitas, resolveu romper com o “grupão”. A coligação teria ainda a adesão do PV, entretanto, Luiz Mendes decidiu candidatar-se sozinho, mesmo sabendo que jamais teria condições sequer de concorrer.
Quando a campanha chegou às ruas, iniciaram-se as brigas de palanque, e o eleitor assistiu ao maior espetáculo de baixarias já visto em uma campanha política no município.
Os comícios se transformaram em verdadeiras arenas, e os palavrões eram ditos sem o menor respeito ao povo. O palanque de Dilmar dirigia impiedosamente a Arivan e ao Dr. José Maria as mais absurdas frases, principalmente com relação ao crime de Nicanor Linhares, que foi intencionalmente transformado na bandeira principal da campanha.
O ponto alto deu-se durante a realização de um comício na Praça do Seminário, onde o linguajar usado pelos oradores foi deprimente. Em vez de levar propostas de trabalho e mudanças para o tão mutilado processo político, simplesmente promoveram uma audiência pública de condenação à prefeita e ao seu esposo, chamando-os de criminosos, farsantes, mentirosos, entre outros adjetivos. Chegaram ao ponto de dizer “que o casal entrava na igreja para engolir hóstia e saía cuspindo sangue”.
Além de usarem na mensagem principal da campanha um crime que abalou toda a região pelo ato de selvageria com que foi praticado, o espetáculo ficava ainda pior quando "o Careca" se dirigia a Dilmar apenas com elogios, esquecendo que o chamara de “meninão” e “cara de boneca” no passado. Da mesma forma, Ademar Celedônio, mesmo tendo sido o maior desastre administrativo de Limoeiro, não só elogiava, como também era eloquentemente elogiado pelos companheiros de palanque. Paulo Duarte dirigia-se a Dilmar chamando-o de “amigo” e distribuindo sua metralhadora verbal para falar do crime de Nicanor, acusando insistentemente o casal Lucena. Seu irmão, Marduque, usava o mesmo crime para criar cenas de deboche no palanque, insinuando, inclusive, que teria mais votos naquela eleição do que a candidata Arivan. O quadro se completava quando Ariosto Holanda comparecia aos comícios e levava ao povo um pronunciamento inteiramente demagógico. Ele sempre externava aos limoeirenses um perfil de seriedade; no entanto, não se abstinha de fazer parte da grande farra que o grupão promovia para conquistar novamente o poder.
Toda aquela cena dantescamente fantástica era assistida por uma plateia interessada apenas em ver Arivan derrotada. O público não atinava para as consequências que adviriam daquela eleição, em total obediência à frase de efeito criada para disseminar, cada vez mais, a rejeição à prefeita. Ouvia-se nos quatro cantos do município: “Não importa quem ganhe, o importante é derrubar a mulher”.
Para demonstrar que, se fosse eleito, Limoeiro do Norte teria uma administração diferente — até mesmo de sua primeira gestão —, Dilmar tentava conquistar o eleitorado com a realização de seminários, dos quais sairia uma cartilha com as propostas de governo. Mesmo vendo o desinteresse do povo nesses eventos, resolveu publicar o livreto estabelecendo metas para a administração. No entanto, não teve o cuidado de evitar a inserção de promessas absurdas, como “a conclusão do ginásio coberto”, esquecendo-se de que ele próprio não o havia concluído por negligência quando foi prefeito. Por outro lado, dizia abertamente à população que faria um bom governo e tranquilizava o povo — agora mais amadurecido —, sugerindo que esquecessem a fraca gestão de 1989-1992.
Mais uma vez, uma onda de panfletagens de origem desconhecida foi usada para denunciar os adversários, e novamente Dilmar foi o mais atingido.
Enquanto Arivan e Dilmar ostentavam uma campanha com esbanjamento de dinheiro e contratação de atrações caríssimas, Laurinho prosseguia humildemente com reuniões nas comunidades. Ele tentava levar sua mensagem como a única que propunha seriedade e respeito aos limoeirenses.
Finalmente, depois de tantas baixarias, chegou o dia da eleição. O resultado foi bastante favorável a Dilmar, senão vejamos:
  • Dilmar - 18.699 votos - 61,16% dos votos.
  • Arivan - 8.987 votos - 29,40%,
  • Laurinho - 2.479 - 8,11%
  • Luiz Mendes - 408 votos - 1,33%.
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Podemos considerar que a eleição de 2004 em Limoeiro do Norte foi um caso sui gêneris e deu-se por fatos inteiramente fora do contexto normal de uma campanha política.
Tudo o que ocorreu comprovou aquilo que já relatamos em termos de personalidade dos participantes do processo político de Limoeiro das últimas décadas, ou seja, nunca se recusaram em utilizar quaisquer motivos, por mais absurdos e sórdidos que se apresentassem, desde que acarretassem rendimentos eleitorais, mesmo em detrimento de toda uma população.
Naquela campanha, ouviram-se mais do que nas outras pronunciamentos agressivos e deprimentes em cima dos palanques. A indústria da mentira foi trabalhada com tanta eficiência durante a campanha e de tal forma que surtiu o efeito desejado para aquele que conseguiu melhor repassar para o povo sua enganosa mensagem.
Aliás, é muito comum os políticos usarem o artifício da mentira, espelhando-se em um princípio de Adolf Hitler em seu livro Mein Kampf e frequentemente atribuído a Joseph Goebbels (Ministro da Propaganda da Alemanha Nazista na II Guerra Mundial, que exercia severo controle sobre as instituições educacionais e os meios de comunicação): “uma mentira dita cem vezes torna-se verdade”. O uso dessa estratégia não passa de mais uma artimanha dos políticos para tirar proveito próprio, sem a preocupação de estarem levando toda uma população para o abismo da miséria e da alienação política.
O mais incrível e até inaceitável na campanha de 2004 foi o uso imoral e sórdido do assassinato de Nicanor Linhares utilizado pelo “Grupão” para denegrir as imagens de Arivan e do seu esposo. Eles fizeram as mais ineptas acusações, sabendo de antemão que os pronunciamentos neste sentido eram do agrado da maioria do eleitorado e produziam efeitos positivos.
Outro fato que não pode escapar de uma análise mais acurada, foi o agrupamento de todos eles, como se fossem verdadeiros amigos. Via-se no mesmo palanque Careca, Ademar, Paulo Duarte, Dilmar e Ariosto Holanda. Esse último confirmava sua indisposição de estar ao lado do povo, esquecido de que, tempos atrás, havia sido contrário à candidatura de Dilmar com base em um comentado “dossiê” que tinha em mãos sobre o período em que o mesmo administrou Limoeiro (1989-1992) e agora pedia obstinadamente aos limoeirenses que o elegessem.
Ante a exibição historicamente cinematográfica promovida pelo “grupão”, pelo menos alguns eleitores mais sensatos sabiam que, por trás daquele cenário, existia entre eles uma desconfiança generalizada, mas preferiam encenar amizades recíprocas para ludibriar a consciência do povo. A declaração de apoio feita pelos componentes do “grupão” à candidatura de Dilmar na eleição de 2004 foi a forma que eles encontraram para assegurar a participação no bolo, ainda que pequena. A cena, de certa forma pitoresca, lembrava o escritor francês Etienne de La Boétie: (Discurso da Servidão Voluntária, http://www.consciencia.org/moderna/boetie.shtml)
“(...) não pode haver amizade onde se encontram a crueldade, a injustiça. Entre os maus quando se juntam, há uma conspiração, não uma sociedade. Eles não se entreapóiam mas se entretemem. Não são amigos, mas cúmplices”. 
Se naquela época – Séc. XVI – La Boétie já descrevia a sujeição do povo aos seus líderes, imagine hoje quando a mente humana se aprimora no jogo político.
Para os políticos limoeirenses, alienar tornou-se um verbo de conjugação saborosa e doce e em virtude disso, passaram a oferecer ao povo em vez de liberdade, uma sensação de desprezo e impotência a cada administração.
Se, durante todo o mandato, Arivan tivesse usado o mínimo de inteligência no trato com seus “inimigos” políticos, não teria viabilizado o retorno deles ao poder. Ela não soube ou não quis conduzir a administração, cujo objetivo principal era o de promover a ruptura com o modelo anterior e fazer nascer um novo período na história político-administrativa de Limoeiro do Norte.
Faltou-lhe a experiência e, ainda mais, a habilidade política necessária para expurgar definitivamente do município os viciosos costumes politiqueiros, implantados por todos aqueles que foram derrotados naquela eleição que a tornou prefeita.
Não soube ainda emprestar seu carisma – embora raquítico – para que pudesse fazer um governo catalisador e aglutinador de forças políticas; e, para isso, seria necessário apenas que tivesse agido sem arrogância.
Os complicados fatores e circunstâncias que deveriam ser combinados para o êxito de sua administração não foram usados. Pelo contrário, ela desprezou todos aqueles que a ajudaram a chegar ao cargo de prefeita.
Em vez de estabelecer métodos administrativos inovadores, optou pelo empreguismo, pelas futricas pessoais e pelo acirramento das discordâncias, de certa forma praticando os mesmos atos desabonadores dos adversários, o que foi inteligentemente aproveitado por eles para jogá-la contra a população. Para a tristeza dos limoeirenses, o desinteresse de Arivan em optar pela humildade e de se fazer verdadeiramente representante do povo, viabilizou o retorno de um grupo político inadequado para conduzir os destinos de Limoeiro.