COM A CHEGADA da eleição para prefeito, teve início mais uma onda de reuniões para a escolha de candidatos.
Não obstante o raquitismo político do grupo, Franklin e Judite Chaves buscavam um forte apoio para se manterem com condições de disputar as eleições. Numa tentativa de sobrevivência, foram buscar respaldo junto ao então Governador do Estado, César Cals, sabendo que este tinha a intenção de angariar forças nos municípios para a formação de suas bases eleitorais, inclusive em Limoeiro do Norte.
Na definição dos nomes para a eleição de 1972, Judite e Franklin saíram na frente com José Honorato e Gentil Saraiva, candidatos a prefeito e vice-prefeito, respectivamente. Zé Honorato era uma figura pouco conhecida pelos limoeirenses, mas fiel às determinações do antigo PSD. Já Gentil Saraiva, que possuía mandatos de vereador e era afilhado de Judite, seguia à risca as orientações políticas da madrinha e do irmão dela, Franklin Chaves. Há quem diga que, se o nome escolhido para a cabeça de chapa tivesse sido o de Gentil, e não o de vice, a disputa teria sido facilitada, visto que ele era mais popularmente conhecido que o candidato a prefeito.
Se alguém estava apressado em escolher seus candidatos, este não era Manuel de Castro, que mais do que nunca sobrepunha suas vontades políticas a todos os seus comandados. Como era de seu feitio, ficou aguardando o posicionamento dos adversários para depois se manifestar. Sua escolha recaiu exatamente sobre Antônio Holanda de Oliveira e Eurico Vieira de Melo, para prefeito e vice-prefeito, respectivamente. Ambos haviam sido praticamente rejeitados por ele no pleito anterior, e acreditava-se que não tinham sido eleitos, naquela ocasião, justamente pelo desinteresse do líder, que se mostrava muito mais simpático ao nome de Raimundo de Castro.
Se em 1966 Manuel de Castro mostrou-se apático e desinteressado na campanha de Antônio Holanda para prefeito — sem atrapalhar a eleição de Raimundo de Castro —, era porque sabia que, agindo assim, teria a oportunidade de "matar dois coelhos com uma só cajadada". Ele tinha a certeza, como realmente aconteceu, de que Raimundo viria para o seu lado logo após ser eleito. Dessa forma, ele não perdeu Antônio Holanda e ganhou Raimundo de Castro, ampliando seu número de seguidores.
Chegara o momento certo para Antônio Holanda. Com seu jeito rústico de matuto e traços de trabalhador rural — sempre acompanhado do inseparável “cigarro-pé-duro” —, ele ganhou o apelido de “Velho da Serra”. A marca funcionou como uma excelente estratégia de marketing na campanha, soando como um tratamento carinhoso dos eleitores. Nem mesmo os deboches dos adversários, que tentaram rotulá-lo como homem de “unhas sujas” e “mal-asseado”, conseguiram apagar sua forte identificação popular.Para aproximar ainda mais o candidato do homem do campo, a campanha promoveu um fato inédito: um comício no centro da cidade onde as carroças substituíram os caminhões no transporte dos eleitores. Ao anoitecer, uma multidão vinda de todos os recantos do município começou a chegar naqueles veículos rústicos. O cenário pitoresco transformou o formato tradicional do evento, trocando a costumeira carreata por uma "carroceata".
Na eleição de 1972, Manuel de Castro entrou na disputa motivado pelo desejo de manter o controle político de Limoeiro do Norte, demonstrar sua força ao seu líder Virgílio Távora e derrotar seus antigos adversários. Essa estratégia culminou na vitória do candidato apoiado pelo grupo, conhecido como Velho da Serra.
A força da ARENA era tão evidente naquele pleito e o prestígio eleitoral de Manuel de Castro tão grande, que o pequerrucho MDB não conseguiu eleger um único vereador para a Câmara Municipal, sendo amplamente superado pelas forças arenistas e manuelistas.
A força da ARENA era tão evidente naquele pleito e o prestígio eleitoral de Manuel de Castro tão grande, que o pequerrucho MDB não conseguiu eleger um único vereador para a Câmara Municipal, sendo amplamente superado pelas forças arenistas e manuelistas.
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A administração de Antônio Holanda não teve nenhuma novidade em termos de modernidade administrativa.
Convém destacar que foi na sua gestão que se construiu o primeiro Posto de Saúde Municipal (denominado popularmente Posto de Antônio Holanda), melhorando sensivelmente o atendimento médico e odontológico da população.


Podemos registrar como o maior legado do ex-prefeito Antônio Holanda de Oliveira o surgimento do bairro Limoeiro Alto (oficialmente Bairro Antônio Holanda de Oliveira). A comunidade foi idealizada por ele após a enchente de 1974, que atingiu o município durante sua gestão. Na ocasião, as famílias desabrigadas foram aglomeradas no local e alojadas em barracas de lona cedidas pelo Exército. Diante da situação, o gestor vislumbrou a possibilidade de construir casas populares na região. Para isso, contou com o apoio crucial da Diaconia — atuação que, segundo registros da Câmara Municipal, consolidou-se na década de 70 por meio da assinatura de convênios, incluindo a parceria para a edificação das primeiras moradias da então Cidade Alta. Graças aos esforços do prefeito, nasceu o que hoje é o bairro mais populoso de Limoeiro do Norte.
Outro fato que comprova a honestidade do Velho da Serra aconteceu durante a compra de um veículo para a prefeitura. Na ocasião, o vendedor informou a Antônio Holanda que havia um "desconto" de 15% na operação. Satisfeito com a notícia, o prefeito determinou o depósito imediato desse valor na conta corrente do município. A surpresa veio quando o Tribunal de Contas dos Municípios (TCM) o intimou a explicar a origem daquele dinheiro, que constava como uma receita sem comprovação de origem, gerando uma sobra na contabilidade. Ao esclarecer que o montante vinha do abatimento concedido pela empresa, ele descobriu que a prática era, na verdade, uma tentativa de superfaturamento. O valor havia sido embutido no preço final e seria destinado ao bolso do comprador, e não aos cofres públicos, revelando que a recusa em ficar com o dinheiro evitou a consumação do ato ilícito.⛯⛯⛯
CORONEL CÉSAR CALS - O GOVERNADOR SEM VOTO
É oportuno relatar como César Cals de Oliveira Filho transformou-se em um dos mais influentes coronéis da política cearense, com fortíssima ingerência inclusive em Limoeiro do Norte. Mesmo sendo um nome totalmente desconhecido nos meios políticos, em 1970, o presidente Emílio Garrastazu Médici — por indicação de Virgílio Távora e com respaldo do IV Exército sediado em Recife — o convidou para substituir o governador Plácido Castelo. A escolha deveu-se muito mais às suas qualidades como engenheiro civil e elétrico e à notoriedade adquirida no Nordeste após a construção da Barragem de Boa Esperança,(1) do que à sua trajetória política. Cals foi eleito governador no pleito indireto de 3 de outubro de 1970 pela Assembleia Legislativa Cearense.
Cals começou a governar com perfil técnico. Somente no final do segundo ano de mandato percebeu que tinha em mãos uma eficiente máquina política, momento em que rompeu com Virgílio Távora. A gota d’água para o rompimento foi o ousado gesto de demitir o seu secretário, Dr. Lúcio Alcântara, um fiel aliado virgilista e filho do então líder político Waldemar Alcântara.A partir de então, começou a direcionar seu governo no sentido de controlar boa parte das prefeituras do Estado e, por conseguinte, formar o seu próprio grupo político.
Ao sentir a eficiência da poderosíssima máquina e usando-a com o respaldo federal, criou o slogan O Governo da Confiança, alardeado em uma cadeia de rádio e televisão. Com isso, conseguiu montar o maior esquema promocional já visto em torno de um governo de Estado, tanto que lhe rendeu o título de Governador do Ano pela imprensa paulista.
Tratou de comandar politicamente o Estado, para melhor se armar na luta contra seus adversários. Com Virgílio Távora, criou um clima de hostilidade que resultou na divisão da ARENA cearense, gerando duas alas distintas: uma comandada por ele e a outra por VT.
A divisão do partido tornou-se mais evidente na eleição indireta para governador em 1974. Na ocasião, a ARENA cearense, através de Cals, indicava dois nomes para sua sucessão: o Coronel Luciano Salgado e o então superintendente da SUDENE, João Gonçalves de Sousa. Por outro lado, Virgílio lançava o nome do então deputado estadual Coronel Adauto Bezerra. Para o desprazer de Cals, Adauto foi o escolhido e o preferido do Palácio do Planalto, sendo eleito indiretamente pela Assembleia Legislativa para sucedê-lo.
Sua inimizade com Virgílio atingiu limites exacerbados, chegando ao cunho pessoal. Numa tentativa de denegrir a imagem do Senador, Cals enviou um bilhete a D. Luiza Távora insinuando que seu esposo tinha uma amante, como bem relata Adriana Negreiros em reportagem da Revista Veja: "Intimidades do coronel".
Ao sentir a eficiência da poderosíssima máquina e usando-a com o respaldo federal, criou o slogan O Governo da Confiança, alardeado em uma cadeia de rádio e televisão. Com isso, conseguiu montar o maior esquema promocional já visto em torno de um governo de Estado, tanto que lhe rendeu o título de Governador do Ano pela imprensa paulista.
Tratou de comandar politicamente o Estado, para melhor se armar na luta contra seus adversários. Com Virgílio Távora, criou um clima de hostilidade que resultou na divisão da ARENA cearense, gerando duas alas distintas: uma comandada por ele e a outra por VT.
A divisão do partido tornou-se mais evidente na eleição indireta para governador em 1974. Na ocasião, a ARENA cearense, através de Cals, indicava dois nomes para sua sucessão: o Coronel Luciano Salgado e o então superintendente da SUDENE, João Gonçalves de Sousa. Por outro lado, Virgílio lançava o nome do então deputado estadual Coronel Adauto Bezerra. Para o desprazer de Cals, Adauto foi o escolhido e o preferido do Palácio do Planalto, sendo eleito indiretamente pela Assembleia Legislativa para sucedê-lo.
Sua inimizade com Virgílio atingiu limites exacerbados, chegando ao cunho pessoal. Numa tentativa de denegrir a imagem do Senador, Cals enviou um bilhete a D. Luiza Távora insinuando que seu esposo tinha uma amante, como bem relata Adriana Negreiros em reportagem da Revista Veja: "Intimidades do coronel".
"mandou colada numa folha de papel uma foto de revista com uma moça de biquíni e um automóvel Passat do ano, o carrão da época. A carta é endereçada a Luíza Távora, mulher de Virgílio, e dedura alguém. “O carro que ele deu para ela é igual a este”, escreve Cals. Ao lado da moça de biquíni, outra anotação. “Essa aí é a empregada. Imagine a patroa”” (NEGREIROS, Adriana. Revista Veja, São Paulo, 19 de dezembro, 2001, pgs. 121-122.)
César Cals foi um político eminentemente de cúpula e talvez o coronel de maior prestígio na esfera federal, dada a sua grande amizade com o presidente João Batista de Oliveira Figueiredo, que o nomeou para seu Ministro das Minas e Energia, quando já era Senador Biônico.[2] Sem nunca sentir o gosto do voto soube conquistar a confiança do Planalto, e se não fosse o seu enorme prestígio no governo central, com certeza teria sido pisoteado facilmente pelos outros coronéis Virgílio Távora e Adauto Bezerra.
[1] Instalada no rio Parnaíba, que separa o Maranhão do Piauí, a aproximadamente 80 quilômetros da cidade piauiense de Floriano, a usina hidrelétrica de Boa Esperança começou a ser construída em agosto de 1964, e concluída em abril de 1970.
[2] Instituído em 1977 pela Emenda Constitucional nº 8, o senador biônico era um cargo ocupado por serviçais do Regime Militar.
[1] Instalada no rio Parnaíba, que separa o Maranhão do Piauí, a aproximadamente 80 quilômetros da cidade piauiense de Floriano, a usina hidrelétrica de Boa Esperança começou a ser construída em agosto de 1964, e concluída em abril de 1970.
[2] Instituído em 1977 pela Emenda Constitucional nº 8, o senador biônico era um cargo ocupado por serviçais do Regime Militar.




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