“Como e de quem os Rodrigues adquiriram terras nas áreas de Limoeiro, propriedades que iam da Chapada do Apodi (São Gonçalo) até o Congo e Jatobá, nada se sabe...” (LIMA, Lauro de Oliveira. Na Ribeira do Rio das Onças, 1997. p. 174)
(*) Bonifácio José Carneiro , faleceu no dia 28 de novembro de 1861 na povoação do Limoeiro, vítima de uma hidropisia, que o fez sucumbir dentro de poucos dias e depois de esgotado os recursos da medicina. Sr. Bonifácio era um cidadão prestimoso, que sempre soube corresponder à estima e consideração que gozava entre seus concidadãos. Os habitantes do Limoeiro devem ser gratos a memória desse homem que tanto contribuiu para o estado em que se acha aquela florescente povoação. Com efeito, em 1844 - 45 ou muito de 1840 a 1845, o Sr. Bonifácio foi estabelecer-se no Limoeiro, apenas havia ali duas ou três casas velhas, sendo uma destas a do capelão, onde estava colocado o oratório privado em que se celebravam os atos divinos e suspenso em um dos frechais da casa o sino que convocava os fiéis para assistirem a esses mesmos atos". Foi então que o Sr. Bonifácio tratou de levantar a efeito a edificação da capela sob a invocação de Nossa Senhora da Conceição, que era venerada no mesmo oratório como a padroeira daquele lugar; promoveu uma subscrição entre os moradores, animou-os a empreenderem a obra e conseguiu a força de trabalhos e perseverança construir a capela-mór e elevar as paredes do corpo da igreja a tal altura que podia comodamente servir para o culto; depois passou a administração a outros encarregados, nunca deixando de ser um benfeitor da mesma igreja. Foi ainda o Sr. Bonifácio quem primeiro promoveu a edificação de casas naquele lugar, aonde deu princípio a uma rua e construiu um quarteirão de pequenas casas ou quartos próprios para o mercado público; desenvolver-se ali o gosto pela edificação, de modo que a população tem aumentado muito, e hoje é incontestavelmente a mais importante do município. afeiçoados entre os membros de ambas as parcialidades. (PL - jornal Pedro II, 12 de dezembro de 1861, pág. 3 – nº 286).
O pequeno povoado, sem praças ou ruas definidas, abria o novo século com as divergências entre as famílias Chaves e Nunes, cada uma delas, almejando o poder. Ambas muito bem acomodadas no governo do Comendador Accioly, com suas "intrigas" colocavam o recém-criado município em total situação de esterilidade. Nada de producente acontecia e o ronceiro e quase imperceptível processo de desenvolvimento, caminhava a passos de tartaruga e não era nada interessante a nenhuma das partes divergentes, crescer social e politicamente a pequenina Limoeiro.

O primeiro Intendente Capitão João Ennes da Silva (1873/1878)* - ( na verdade era presidente da Câmara de Vereadores) - para servir de exemplo, não se tem notícia de que era um político e destacou-se na história muito mais como um burocrata, sobretudo pela sua "luta" em favor dos flagelados da grande seca de 1877/1879. Seu pai de nome também João Ennes, morava no Sitio Pasta. De onde teria vindo essa família, cujos descendentes (*) não são encontrados em Limoeiro? Sabe-se entretanto que antes de ser nomeado intendente foi subdelegado ( 1870-1873 ). A Grande Seca, ou a seca no Nordeste brasileiro de 1877/1879, foi o mais devastador fenômeno de seca da história do Brasil, ocorrido no período imperial brasileiro. A região mais afetada foi a província do Ceará. Foram três anos seguidos sem chuvas, sem colheita, sem plantio, com perda de rebanhos e com a fuga das famílias, deixando despovoado o sertão.
https://pt.wikipedia.org/wiki/Grande_Seca - 2025
(*) NOTA: Sobre João Ennes, onde se diz que não se encontram descendentes dele em Limoeiro do Norte, minha mãe é uma, mora em Fortaleza. Arides Enes Nogueira. (Por Ricardo Nogueira Campos Ferreira - em 21.11.2019 )
Já o 3° Intendente, José Vidal de Sousa Maciel (1881-1883), (*1827 + 1911) era filho de Antônio Paes de Sousa Jr (*1810 +?) e Felícia Francisca dos Reis, que possuíam terras em São João (Sítio Lima), Tabuleiro e talvez também em Limoeiro. Sua esposa, Maria Escolástica do Espírito Santo, era filha do Capitão Antônio Lopes de Andrade e também era irmã de Maria de Jesus da Purificação, que se casou com o Cap. José Rodrigues, do Poço das Pedras. Um dos irmãos de José Vidal, Antônio Alves de Carvalho Lima (*1825 +?) foi juiz de paz em Limoeiro. Vê-se aqui o natural: os poderosos vão unindo seus descendentes, para que estes também sejam poderosos. (Colaboração de Abner Chaves – em 28.10.2015)
"As disputas políticas envolvendo os sacerdotes no município de Limoeiro das primeiras décadas do século XX eram evidentes e pouco disfarçadas. As rixas partidárias eram determinantes na nomeação e permanência de párocos no município (...)" (ANDRADE, Maria Lucélia de. Tese de Mestrado; “Filhas de Eva como Anjos sobre a Terra” A Pia União das Filhas de Maria em Limoeiro-CE (1915-1945); UFC; 2008.
O Coronel Malveira (segundo intendente - 1878/1881) era proprietário de uma das modernas casas de comércio, que ficava localizada na hoje rua Serafim Chaves:
"Na sua loja, vendia-se de quase tudo: prataria, talheres, e bons tecidos para ambos os sexos, era uma substanciosa casa comercial ao estilo do tempo; abastecida através do Estado de Pernambuco onde ele ia de dois em dois anos fazer compras...” (MALVEIRA, Coronéis, Ascenção e Queda. Rio de Janeiro: Ed. Peneluc Prod. Graf. e Pub. Ltda, 1998, p. 20)
A máquina consistia em uma espécie de peneira com um tambor que girava bem próximo a ela, fazendo o "papel" dos dedos puxando o fio. Na superfície do cilindro havia ganchos que capturavam o fio da semente e uma escova rotativa os puxava. A máquina poderia fazer apenas em uma hora o que vários trabalhadores poderiam fazer em um dia inteiro. http://www.tocadacotia.com/economia/tecido-algodao
(*) Com a Proclamação da República, o Brasil adotou o federalismo, dando maior autonomia local e substituindo o sistema imperial.
A criação dos Conselhos Municipais (ou Conselhos de Intendência) foi impulsionada pela Constituição Federal de 24 de fevereiro de 1891, que instituiu a República e determinou a organização autônoma dos municípios.
A experiência com esses Conselhos foi relativamente curta, extintos logo em 1892.
(*) Francisco Casimiro Varella foi suplente JUIZ DE PAZ entre 1873 – 1876 Freguesia da Vila do Limoeiro – 3º Distrito.
*Sr. Francisco Casimiro Varella era um boiadeiro do Limoeiro, assim informou jornal Cearense, em 5 de maio de 1876. Que o mesmo vendia Carnes Verdes na feira do Arouchos atual Parangaba.
*Em 15 de agosto de 1892 foi nomeado para a Guarda Nacional do Ceará: Limoeiro, o tenente coronel comandante – Francisco Casimiro Varella.
*Francisco Casimiro Varella foi em 1890, 1º suplente de delegado de Limoeiro.
*Limoeiro 21 de março de 1894 – "Francisco Casimiro Varella - Intendente";
*Em 1915 Francisco Casimiro Varella era Fiscal Geral de Limoeiro.
(Jornal Cearense, 5 de maio de 1876, Nº 39) - Colaboração de Jose Arimatéia F. Maia)
Também era comerciante de destaque Camilo Brasiliense de Holanda Cavalcante cujo comercio era inovador para a época, pois representava com exclusividade as máquinas de costura Singer.(*) Era um homem de visão e mesmo naquela época, fez algumas viagens à Europa. (*) Em 1851, aparece nos Estados Unidos a primeira máquina de costura com pedal, uma invenção de Isaac SINGER. A máquina foi autorizada a funcionar no Brasil pela Princesa Isabel em 1888. Sem dúvidas era uma grande novidade naquela época para um povoado pequeno como Limoeiro já ter representante exclusivo de tão moderno instrumento.

Embora bastante envolvido na política local, Camilo Brasiliense nunca assumiu a Intendência, entretanto o seu filho, Tenente-Coronel Luiz Brasiliense de Holanda Cavalcante, foi o oitavo prefeito/intendente (1896/1897 - 20.09.1897/1902), no período da emancipação da Vila Limoeiro à categoria de Município em 1897 cuja gestão foi marcada pelas turbulências e agitações políticas, resultantes das lutas pelo poder na época. Os brasilienses eram aliados do Coronel Jose Nunes nos confrontos com o coronel Serafim Chaves. Luiz Brasiliense era conhecido nos meios políticos do Estado como “o sujo”:
“De Limoeiro acabam chegar os dois coripheus acciolynos Luiz Brasiliense – o sujo como vulgarmente o chamam e o revd. Intendente Antônio Pereira da Graça Martins bem dispostos e aparelhados e ajustados dragões de politicagem sertaneja”. (noticia do jornal periódico O Cearense)
Aqui também já nos cabe mencionar a influência dos padres e porque não dizer, na maioria das vezes da conivência destes com essa prática descabida. As eleições se realizavam justamente na igreja, sob a “fiscalização” do pároco, que depois de tudo assinava em baixo toda a fraude cometida.
“Lá, em época de eleição, se escondiam os cangaceiros Raimundo das Neves, compradre de meu avô, e Pedro das Neves, seu irmão”. (...) No dia das eleições eram conduzidos para a cidade”. (MALVEIRA, Op. cit, p. 25)
Serafim Chaves foi casado com duas Joanas. A primeira chamava-se Joana de Sena Freire (em 2 de fevereiro de 1860) que era sua tia caçula, ou seja, irmã do seu pai .
A segunda, Maria Joana Pereira Chaves (ou Maria Joana de Jesus em 21 de setembro de 1864 ), era filha do Cap. José Rodrigues Pereira Chaves (do Poço das Pedras) (*1810 +?) e, portanto, neta de André Felício da Silva Chaves. Esse André era irmão de Ângela da Silva de Santa Bárbara Rodrigues Chaves (*? +1875), que era mãe de Antônio Rodrigues Freire Chaves (*1811 +1885) e, portanto, avó do Cel. Serafim Tolentino (*1839 +1914). Ou seja, o avô de Joana era irmão da avó de Serafim, o que os tornou primos de 3o grau. (Por Abner Rodrigues Chaves Junior)Fato interessante é que para casar-se com Maria Joana de Jesus, teve que "roubá-la" e praticamente à vista dos pais dela durante uma festa religiosa em Tabuleiro. Podemos presumir, portanto, que o pai da moça era contrário ao casamento:
“O Capitão José Rodrigues era um matuto durão; por ocasião de uma festa religiosa em Tabuleiro, fez-se presente com toda a família. Trazia mantimentos para muitos dias de permanência no povoado, quando foi avisado que sua filha Maria Joana, havia fugido com o Coronel Serafim Chaves. José Rodrigues ficou calado. Pouco tempo depois, chamou os serviçais, mandou atrelar os bois ao carro, que era o seu transporte, reuniu a família e foi embora. Abandonando a festa que apenas começara. Apesar de analfabeto, que não era novidade na época, comparecia a todos os eventos promovidos pela Igreja, especialmente, às festas da Padroeira.” (MAIA Gumercindo Cláudio. Tabuleiro, o povo e a terra. Fortaleza, 1999, p. 12)
“cartorial (tabelionato), militar (Guarda Nacional) e político (prestígio junto ao presidente da Província)”. (LIMA, Op. cit, p. 318)
*Nota: A expressão pejorativa foi criada por Antônio Sales e logo foi adotada pelos demais adversários políticos do líder oligárquico.
[*]Criada por Campos Sales, baseava-se no seguinte: o presidente apoiava os governadores estaduais e seus aliados e em troca eles garantiam a eleição para o congresso dos candidatos oficiais. Isso garantia a continuidade das grandes famílias (ricas e poderosas) no poder. (http://www.infoescola.com/historia/politica-dos-governadores%29
O que o coronel Serafim não contava era que com o aparecimento de outros nomes, perderia boa parte do prestígio com o qual manobrava toda politica da pequena vila.
Mas para que se configurasse uma verdadeira disputa política foi preciso aparecer realmente outras forças capazes de combater o poderio incipiente do Coronel Serafim Chaves.
E foi nos anos finais do século XIX, que começou a atuação de José Nunes Guerreiro.(*) Era mais um coronel, esperto o suficiente para se tornar também um fiel aliado do Comendador Accioly, com prestígio inclusive para criar o segundo cartório. (dizem que os Chaves tomaram esse Cartório tempos depois)
Acredita-se que o projeto da criação deste Cartório, com a influência fortíssima do Presidente da Província, tenha sido uma vingança deste ao Coronel Serafim Chaves, até então seu aliado, mas que em determinado momento se opôs às suas vontades, como bem noticia o jornal “O Cearense”, periódico oposicionista e de grande repercussão na época.
“O projeto visa uma vingança a nosso prestimoso amigo coronel Seraphim Chaves que não se dobrou à vontade onipotente do Sr. Accioly e preferiu como politico acompanhar os opprimidos a deshonrar-se aderindo ao usurpador...” (noticia do jornal periódico O Cearense)
“Há poucos dias esteve nesta capital o Sr. Joaquim Nunes Guerreiro, do Limoeiro, irmão do célebre chefeto Jose Nunes, um dos mais ousados e menos escrupulosos reguletes que infestam a zona do Jaguaribe.
Na eleição de 11 de abril deu uma grande amostra do seu valor reunindo uns 12 capangas de cujo numero fazia parte o vereador João Maria de Freitas e outros que se prepararam para receber o pujante partido opposicionista naquele pleito.
No intuito de vedarem à opposição de exercer o direito do voto, ordenou que se pregassem as portas da casa da Câmara, fazendo José Nunes com seu séquito a eleição na cosinha de sua própria casa, logar reservado para todas as tramoias políticas e para as sangrias do intendente Antônio de Castro, sacrificado pelo sangue-suga chefe acciolyno, a quem desejamos um bom proveito. (noticia do jornal periódico O Cearense)
Vê-se, entretanto, que a chegada do coronel José Nunes, ofuscou realmente a liderança do Coronel Serafim Chaves, que a partir de então passou a ser considerado pelo Comendador Acccioly seu inimigo politico.
(*) OBS: Coronel José Nunes era genro do Coronel Malveira, casado com sua filha Maria Josina Malveira Nunes. Depois uma das filhas do Coronel José Nunes, Izaura Malveira Nunes, casou com Alberto Malveira, que era filho de Cândido Gonçalves Malveira, que era filho do Coronel Malveira.Um de seus irmãos, Francisco Nunes Guerreiro, casou-se com Maria Jardilina que também era filha do Coronel Malveira. Pelos menos quatro sobrinhos(as) seus, casaram-se com filhos(as) de Cândido Gonçalves Malveira.Assim, pelos laços familiares que foram se estabelecendo através dos casamentos entre os Malveira e os Nunes, podemos supor que ambas as famílias eram aliadas politicamente contra a família Chaves.
A partir de 1908 surgiu uma outra figura com forte atuação em Limoeiro. Tratava-se do Padre Acelino Viana Arrais, sacerdote intrépido, valente, vindo da região Centro Sul do Estado (era natural do município de Jucás) e que se transformou numa mistura de líder espiritual e político exercendo uma considerável influência no município.(*) O autor, quando criança - sempre muito curioso - ouviu a narrativa desse episódio, atentamente, da boca do Sr. Luiz Loureiro, em um domingo pouco antes da missa, enquanto se olhava a galeria de fotos de todos os párocos de Limoeiro existente na sacristia da Catedral. Disse o Sr. Luiz Loureiro, que era criança na época, ter presenciado toda a briga.
De outra feita, o Padre Acelino travou uma batalha com o Coronel José Nunes, disparando tiros de sua casa (NIT) em direção à casa do coronel (Residência de Genésio Bezerra). Fato que ficou registrado naquele recontro, até pitoresco, é que um balaço atingiu a soleira da janela da casa do Coronel, deixando dilacerada em boa parte dela. O tiro foi disparado por José Ferreira Sombra (Mestre Sombra), amigo íntimo do Padre e um exímio atirador.
“No tiroteio entre Zé Nunes que morava na rua da matriz e Pe. Acelino que morava na casa vizinha a Zé Osterne, Sombra atirava do lado de Pe. Acelino que possuía armas de pesado calibre, uma das quais só Sombra sabia usar – arma molixe – cujo tiro arrancou a soleira da casa de Zé Nunes.” (LIMA. Op. cit. p. 400)
Esse também foi um dos fortes motivos para que tivesse a ordem sacerdotal suspensa, portanto proibido de celebrar na igreja matriz.
“Defendeu vítimas de pessoas perversas, empenhando-se pessoalmente para que se fizesse justiça em rumorosos casos que abalaram a consciência e o coração da pacata Limoeiro d’antanho! Silenciem-se alguns desses casos escabrosos por respeito à inocência das vítimas!” (BRANCO, João Olímpio Castelo. O Limoeiro da Igreja. p. 117)
Sem mais clima para residir na cidade e sem direito a exercer as suas funções sacerdotais, o Padre Acelino contratou o Mestre Sombra para construir uma casa e uma capela no Sitio Socorro, onde continuou a fazer batizados, casamentos e a celebrar missas, mesmo estando com suspensão de ordem sacerdotal. Lá permaneceu pelo resto da vida até falecer em Fortaleza em 1931, aos 49 anos de idade.As hostilidades do Padre Acelino com algumas pessoas de Limoeiro eram realmente sérias. Com relação a isso, vejamos como ele foi provocado por ocasião de uma festa religiosa em Tabuleiro do Norte, por alguns desses desafetos:"...numa festa da Padroeira, alguns adversários do Padre, vieram de Limoeiro e se posicionaram em frente à mesa do leilão, posta no patamar da Igreja. Começaram com indiretas para aborrece-lo. O Padre era tido como valente; ouviu as provocações e disse para João Fernandes, o sacristão: João, eu vou me retirar; estou aqui para promover uma festa e não para brigar. Você está ouvindo aqueles insultos? É comigo! Bem perto estava sentado o Sr. João Quincó, matuto destemido e perguntou: - O que está acontecendo? O padre relatou o incidente. João Quincó com uma faca lombada fincou com toda força no tampo da mesa e disse em voz alta: - Sente-se padre, porque enquanto essa faca tiver ponta, ninguém mexe com o Senhor. Foi o suficiente para que os provocadores do Padre debandassem e não aparecessem mais, enquanto durou a festa. E a paz reinou sob o patrocínio da faca de João Quincó. (MAIA Gumercindo Cláudio. Tabuleiro, o povo e a terra. Fortaleza, 1999, pág. 23)
Capela de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, localizada no bairro Socorro - antigamente parte do sítio Pitombeira. Em 1920 o Padre Acelino Viana Arrais comprou parte do terreno a Cândido Olímpio de Souza. Nesse mesmo ano construiu a capela, dedicada a Nossa Senhora do Perpétuo Socorro e em 1925 comprou a outra parte do terreno e construiu sua residência. (https://www.instagram.com/p/DMyfpVVOzuf/ - em 21.03.2026)
Foi no Sítio Socorro, que durante as enchentes de 1922 e 1924 o Padre Acelino acolheu muitos dos desabrigados.
As enchentes eram tão terríveis quanto as secas e podemos ver em um relato feito pelo Cônego Pedro de Alcântara Araújo sobre a grande enchente de 1924:“O ano de 1924 começou sem do céu cair uma gota d'água. O povo já sem esperança de chuva se preparava para romper uma grande seca...[...] Mas foi grande a surpresa deste mesmo povo com o inverno que logo começou, no dia 24 de janeiro, chovendo quase cotidianamente até 1º de julho. O rio Jaguaribe transbordou com impetuosidade submergindo as terras maginaes, em uma altura e largura como nunca se vio nos maiores invernos até hoje conhecidos”. ( Mons. Raymundo Hermes Monteiro apud ARAÚJO, 1986, p. 306)
Cônego Climério Chaves, nasceu em 04 de junho de 1875 e faleceu em 18 de agosto de 1925, em Limoeiro do Norte, Ceará.
Encontramos passagens na história em que os Chaves usaram várias vezes de sua influência junto ao governo da província e com a autoridade católica maior do Estado, para substituir os padres que não estivessem de acordo com suas ideias e sempre sob a argumentação de que era necessário fazer isso por “questões morais” ."Neste sentido, as indicações e permanências de párocos estavam ligadas às relações de poder com as famílias do município, em especial os Chaves, detentores do poder cartorial, e seus correligionários, que detiveram por muitos anos o monopólio do poder político local. Os padres que ousavam desafiar o poder dos Chaves, sofriam fortes represálias, já que a influência desse poder alcançava a alta hierarquia católica cearense, o que podia ocasionar até “suspensão de ordem” para os padres inimigos. (...) (ANDRADE, Maria Lucélia de. Tese de Mestrado; “Filhas de Eva como Anjos sobre a Terra” A Pia União das Filhas de Maria em Limoeiro-CE,1915-1945, p. 42.
Começou com o Padre Antônio Pereira da Graça Martins, (1902/1904) talvez porque fora intendente por indicação do inimigo político Coronel José Nunes, mas também porque era truculento a ponto de gerar atritos políticos e religiosos. Teve inclusive ordem suspensa pela autoridade católica, impedido então de exercer o sacerdócio.Padre Graça foi um dos fundadores do Pão de Santo Antônio, em 01 de novembro de 1900
“Pelos esforços empreendidos, o vigário Manoel Caminha estaria cotado para ser o vigário geral da nova Diocese, porém devido a boatos caluniosos que lançaram contra o mesmo, e acreditados pelo arcebispo D. Manoel, o grande batalhador pela Diocese de Limoeiro do Norte foi transferido para Riacho do Sangue”. (ARAÚJO, Pedro de Alcântara Cônego. Capital e Santuário Miragens Russano-Nordestinas, 1986, pág.339).
Invariavelmente, os Chaves sempre criavam ou facilitavam os motivos para tirar do caminho os padres que fizessem oposição a eles ou que tivessem atitudes que os desagradassem. Se assim agiam era justamente porque sabiam que a política não podia deixar de ter como aliado o poder eclesiástico, posto que, os vigários eram sinônimos de liderança sobre os fiéis.
Há boatos que o Cônego Climério Chaves nunca entregou, em mãos, ao Padre Acelino o documento da suspensão de ordem.
“Nunca perdeu uma eleição e, no tempo em que não havia controle eleitoral da justiça, era exímio preparador de eleições a bico de pena." (Um Neto de Coração em carta a Lauro de Oliveira Lima. Apud. BRANCO, Op. cit. p. 134).
Coração foi um dos fundadores do Pão de Santo Antônio - (01/11/1900), redator/gerente do Jornal Limoeiro e também maestro de banda de música e sua voz tenor/barítono - (baritenor) encantava as plateias nas festas cívicas e religiosas.
Portanto, baseado no que está registrado (Livro de Atas 1911/1922) podemos concluir que era Júlio Eduardo o chefe do executivo municipal no momento da queda de Antônio Pinto Nogueira Accioly do Governo da Província em 1912. Estranha-se porém, esse dado tão importante não constar em nenhum relato histórico do município, todavia, em um documento de Medição do Sítio Limoeiro, consta como "participante da ação de medição de 1911, Júlio Eduardo de Sousa, prefeito..." (LIMA, Op. cit. p. 244).
Por seguir a linha política do pai tornou-se um ferrenho adversário de Nogueira Accioly – muito embora existam passagens na história que tenha sido acciolista, entretanto e dependendo do interesse político, mudava de lado convenientemente – tanto que apoiou a violenta revolta armada na Praça do Ferreira, sendo um dos que se entrincheiraram juntamente com seu irmão Leonel Chaves e mais um grupo de homens fortemente armados, provocando a renúncia de Accioly em 24 de janeiro de 1912.
“no dia 24 de janeiro, depois de três dias de fuzilaria, a cidade aliviou-se do clima opressivo, com a renúncia do confiante oligarca. Vencera o slogan – “Franco Rabelo ou Morte!” – que empolgara todo o Estado, do menino ao velho. (GIRÃO Raimundo. Geografia Estética de Fortaleza, 1979, pg. 133 e 235)
O Sítio Bom Futuro era de propriedade da família Chaves (...) O senhor Sindulfo Chaves e sua mulher, Dulcinéa Gondim Chaves, no dia 9 de setembro de 1939 fizeram à Arquidiocese de Fortaleza a doação de um terreno para a construção da futura Igreja de Nossa Senhora de Nazaré. Essa doação foi passada através do Cartório Pergentino MaiaConsta ainda que em 1941, fez doação de um terreno para construção de um abrigo para senhoras idosas e pobres (hoje Casa de Nazaré – Montese) apenas com a “exigência” de que deixassem à sua disposição um quartinho para ele, caso precisasse quando chegasse à velhice, mas que nunca utilizou o dito quartinho.https://www.arquidiocesedefortaleza.org.br/wp-content/uploads/2011/03/Nazar%C3%A9-HISTORICO-DOS-MOVIMENTOS-E-PASTORAIS-2013.pdf
A primeira em 27 de fevereiro de 1914 : “nomeado intendente municipal, pelo Excelentíssimo Presidente do Estado Dr. Floro Bartolomeu da Costa”. - A segunda em 30 de março de 1914: “nomeado intendente municipal pelo Excelentíssimo Senhor Coronel Fernando Setembrino de Carvalho, Interventor Federal”, mandato que durou até 1918. (Livro de Atas da Câmara Municipal de Limoeiro – 1911-1922)
A primeira nomeação, como se vê, deu-se antes da queda de Franco Rabelo do governo da província, portanto de forma arbitrária, como arbitrários foram todos os atos do Dr. Floro Bartolomeu, que mesmo sem nenhum poder constituído, foi designado Presidente do Estado pela Assembleia Revolucionária de Juazeiro do Norte, em dezembro de 1913 e com respaldo do governo central, criando assim, um governo paralelo no Ceará. Diretamente de Juazeiro do Norte, onde montou o seu “gabinete” passou depor e nomear ilegalmente autoridades do Estado e intendentes municipais.
Júlio Eduardo foi genro do Coronel José Nunes, por duas vezes (casou-se com Dovina, primeira esposa e Filonila conhecida por Filó – a segunda) o que explica sua posição política contra os Chaves. Além disso ele ainda era tio paterno de João Eduardo Neto e tio materno de dona Fransquinha, esposa de João Eduardo.
De 1919 a 1927, foi prefeito, por indicação de Sindulfo Chaves o russano Felipe de Santiago Lima, cuja gestão foi marcada por algumas obras na Sede do município, dando sinais de uma gestão moderna tendo sido construída inclusive a primeira praça pública, Praça 7 de Setembro (depois Praça José Osterne). Também foi no seu período como prefeito que aconteceu a entrada em Limoeiro do famigerado Lampião e seu bando, em 15 de junho de 1927, procedente de Mossoró, onde fora humilhantemente derrotado.Após a terrível derrota que sofreu em Mossoró / RN em 13 de junho de 1927, em que perdeu dois grandes cangaceiros (Colchete e Jararaca), Lampião andando à cavalo, juntamente com seus comandados, adentrou no território cearense com destino á cidade de Limoeiro do Norte no Ceará.
Em rápido deslocamento, o rei vesgo do cangaço alcançou a fazenda do Sr. Anízio Batista, na Lagoa do Rocha, e sob sua direção entrou em Limoeiro, tendo sido recebido por Custódio Menezes (juiz de paz), em virtude da ausência do prefeito (Cel. Felipe Santiago de Lima)*, e pelo padre Vital Gurgel.
Lampião, esperto como uma águia, antes de entrar na respectiva cidade, mandou Anízio Batista sondar as autoridades locais, sobre a possibilidade de recebê-lo, pacificamente, ou não.
Diante do gesto afirmativo das autoridades, de não promoverem nenhuma represália / agressão ao temível cangaceiro, até porque Limoeiro não tinha condições satisfatórias de defesa, Lampião entrou serenamente com seu grupo naquela cidade, tendo dito ao Sr. Anízio:" O senhor vai na frente, pois se houver qualquer reação, a primeira cabeça a rolar será a sua ".Já no interior da cidade, Lampião caminhou até o Hotel Lucas, onde mais tarde jantaria. Antes de iniciar a refeição exigiu que alguns cidadãos experimentassem a comida, antes dele e de seu grupo. (https://lampiaoaceso.blogspot.com/2009/11/lampiao-em-limoeiro-do-norte-ce.html- em 21 de março de 2026)
“A Revolução de 1930 não os desalojou por completo, mas minou suas bases, devido à ampla campanha desencadeada contras as práticas políticas fartamente adotadas por seu grupo”. (REGES João Rameres. Tese de Doutorado; INTEGRALISMO E CORONELISMO: INTERFACES DA DINÂMICA POLÍTICA NO INTERIOR DO CEARÁ (1932-1937); UFRJ; 2008).Na transição, assumiram Melquiedes de Oliveira Lima (meses 1930) e Miguel Vieira de Melo (meses 1930).
Arsênio foi casado em primeiras núpcias com a Sra. Acelina Gondim Maia, irmã do Padre Joaquim Franklin Gondim, natural de Lavras da Mangabeira. E em segundas núpcias, com a virtuosa Sra. Benigna Batista Maia, natural de Jaguaribe. https://www.blogger.com/u/1/blog/post/edit/7416000007726567155/7255399997110499698 - 2025
“Finalmente tudo passou, e as carnaubeiras ainda hoje vicejam altivas, em terras da Fazenda Campestre...” (Centenário do Nascimento de Franklin Gondim Chaves (10.02.1908 – 10.02.2008)
De 1932/1933, assumiu a prefeitura José Júlio de Castro nomeado pelo Interventor Federal Cap. Roberto Carneiro de Mendonça. Enquanto isso, somente em 1933 é que Sindulfo chega à prefeitura (1933-1934), nomeado pelo mesmo Interventor Federal Carneiro de Mendonça. Podemos crer que para ele era preferível ficar mantendo o jogo político na capital junto ao Governo do Estado, de onde influenciava as indicações dos prefeitos, dóceis ao seu comando, do que ele próprio assumir o cargo, entretanto aquele era o momento azado de chegar ao Executivo Municipal.Mas ainda em 1935, Sindulfo volta ao controle político, conseguindo a nomeação de seu genro Custódio Saraiva de Menezes (1935/1936), agora, através de Francisco Menezes Pimentel (1935/1937), que fora eleito Governador do Estado, como resultado das eleições legislativas, vencidas pela LEC (Liga Eleitoral Católica) e PSD em 1934.
Lembremos que Custódio era esposo de Judite Chaves que brevemente se transformaria herdeira do cartório e uma das mais influentes lideranças políticas limoeirenses.Dona do cartório local chegou a ser conhecida como “coronel de saias”, tendo em vista seu poder político na região. [...] Judite articulava-se com muitos nomes da política e, em anos de eleição, sua casa transformava-se em núcleo de articulação, onde ela recebia a todos como uma espécie de matriarca. Seu prestígio político era maior do que o de muitos “coronéis” e “caciques políticos” da região. (ANDRADE Maria Lucélia de. Tese de Mestrado; “Filhas de Eva como Anjos sobre a Terra ”A Pia União das Filhas de Maria em Limoeiro-CE (1915-1945); UFC; 2008
Existe até um fato, narrado pela boca do povo, de que certa vez, ao tentar resolver uma discórdia entre vizinhos por causa de uma questão em suas propriedades, Custódio ao ouvir os argumentos do primeiro, afirmou:– Você está com razão.Ao ouvir as ponderações do segundo, fez a mesma afirmativa:– Você está com razão.Dona Judite até então apenas ouvindo a conversa, não resistiu à indecisão do marido, dirigiu-se a ele perguntando:– Ora Custódio, como você pode chegar a uma decisão correta se você mesmo diz que os dois estão com a razão?Custódio fez um sobrolho pensativo e disse:– É verdade Judite, você está com razão.

Cândida Rosa das Neves, filhos(as): Henrique, Otaviano, Ambrosina, Tito(*), Belizário e Tertuliano; Isabel Maria do Sacramento, filhos: Isabel e Geminiano; Francisca Sabina do Espírito Santo, filha: Benvinda Francisca da Silva. (SETUBAL, Carmelita. Crônica – O Padre Ambrósio, 1983)
OBS: Padre Ambrósio foi Deputado da antiga Província do Ceará (Biênio de 1835 - 1837). Faleceu - No dia 31 de outubro de 1878, aos 85 anos de idade em sua propriedade a fazenda Barra do Figueiredo, em São João do Jaguaribe, sendo sepultado na capela existente na localidade. (htps://efemeridesdolimoeiro.blogspot.com/2021/08/jornal-o-cearense-19-de-outubro-de-1858.html) - 2026
“a situação moral e irregular dos padres daquela época é devida, em parte, ao isolamento físico, humano e espiritual. Os padres tinham raros contatos com os outros colegas e raríssimos com o seu bispo, dadas as distâncias e as dificuldades de comunicação e, em parte, à deficiente formação humana, espiritual e intelectual”. (FALCÃO, D. José Freire. Apud: LIMA, Op. cit. p. 211)















21 comentários:
não ajudo em nada
Neste trabalho, os fatos vão se apresentando com uma simpática e agradável fluidez, sempre ancorados em fatos que tornam a leitura mais prazeirosa com invejável realismo dos depoimentos.
Maurilo, sou bisneto de dois irmãos do Cel Serafim Tolentino. Sou nascido em Limoeiro, criado até os 18 em São João do Jaguaribe. Falando bem ou falando mal de quem quer que seja, seu blog é uma grande contribuição à história de Limoeiro, da região e, em particular, de uma pequena parte da minha família. Dessa forma, agradeço a você e lhe parabenizo por ele.
Acrescento o seguinte:
Você bem mencionou que Serafim casou com duas Joanas. Pois bem, Joana de Senna Freire Chaves era tia caçula (irmã do pai) de Serafim. E a outra, Maria Joana Pereira Chaves era prima, através do pai, o Cap José Rodrigues Pereira Chaves (do Poço das Pedras), de quem foi raptada por Serafim.
Abner Rodrigues Chaves Junior
abnerchaves@hotmail.com
Tinha que ser os Chaves!
Maurilo, boa tarde!
Venho solicitar que corrija uma imprecisão em seu texto. Em outra postagem, eu mencionei que "Maria Joana Pereira Chaves era prima (de Serafim Tolentino), através do pai, o Cap José Rodrigues Pereira Chaves (do Poço das Pedras)". Daí você deduziu que ela era "filha de um irmão do pai", ou seja, prima legítima. Mas não é assim.
Embora não seja o objetivo do blog, é importante a precisão, pois isso será lido por outros parentes, que podem ter interesse especial nisso.
A explicação correta do parentesco é a seguinte:
Maria Joana Pereira Chaves (ou Maria Joana de Jesus), era filha do Cap José Rodrigues Pereira Chaves (do Poço das Pedras) (*1810 +?) e, portanto, neta de André Felício da Silva Chaves.
Esse André era irmão de Ângela da Silva de Santa Bárbara Rodrigues Chaves (*? +1875, que era mãe de Antonio Rodrigues Freire Chaves (*1811 +1885) e, portanto, avó do Cel. Serafim Tolentino (*1839 +1914).
Ou seja, o avô de Joana era irmão da avó de Serafim, o que os fez primos em 3o grau.
Abner Rodrigues Chaves Junior
abnerchaves@hotmail.com
Maurilo, boa noite! Quanto ao 3o Intendente, José Vidal de Sousa Maciel (1881-1883), (*1827 + 1911) era filho de Antonio Paes de Sousa Jr (*1810 +?) e Felícia Francisca dos Reis, que possuíam terras em São João (Sítio Lima), Tabuleiro e talvez também em Limoeiro. Sua esposa, Maria Escolástica do Espírito Santo, era filha do Capitão Antonio Lopes de Andrade e também era irmã de Maria de Jesus da Purificação, que se casou com o Cap. José Rodrigues, do Poço das Pedras. Um dos irmãos de José Vidal, Antonio Alves de Carvalho Lima (*1825 +?) foi juiz de paz em Limoeiro.
Vê-se aqui o natural: os poderosos vão unindo seus descendentes, para que estes também sejam poderosos.
Abner Rodrigues Chaves Junior
abnerchaves@hotmail.com
Meu caro, estou fazendo JMA pesquisa genealógica sobre minha família (VIDAL) e tudo leva a crer que meus descendentes são de Limoeiro. Você teria mais algumas informações acerca dessa familia? Meus avós e pais são de Jaguaribe. Qualquer informação envie para meu email: italo_lima34@hotmail.com
Agradeço.
Meu caro, estou fazendo JMA pesquisa genealógica sobre minha família (VIDAL) e tudo leva a crer que meus descendentes são de Limoeiro. Você teria mais algumas informações acerca dessa familia? Meus avós e pais são de Jaguaribe. Qualquer informação envie para meu email: italo_lima34@hotmail.com
Agradeço.
Sobre João Ennes, onde se diz que não se encontram descendentes dele em Limoeiro do Norte, minha mãe é uma, mora em Fortaleza. Arides Enes Nogueira.
Alguém sabe informar a genealogia da Família Chaves de Limoeiro? Sou Chaves do Maranhão e gostaria de saber se somos da mesma raiz.
Gostei da história
Você que quer saber sobre a genealogia dos Chaves de Limoeiro, me procure no facebook pelo meu nome completo, Abner Rodrigues Chaves Junior, ou pelo e-mail abnerchaves@hotmail.com
Muito interessante essas histórias...
Meu pai é de orígem dos Remígio de Freitas, ( Manoel Izidro de Freitas) conheci meu tio em Fortaleza, e se
chamava Hipolito Remígio de Freitas.
Não tenho notícias desses parentes desconhecidos pois vivo no Amazonas Manaus , caso vc tenha alguma ingormação: agradeço.
Ainda vive alguem em Limoeiro, dessa família?
Vou postar um pequeno comentário sobre Bonifácio José Carneiro encontra no jornal Pedro II, 12 de dezembro de 1861, pág. 3 – nº 286.
"Faleceu no dia 28 de novembro de 1861 na povoação do Limoeiro, vitima de uma hidropisia, que o fez sucumbir dentro de poucos dias e depois de esgotado os recursos da medicina.
O Sr. Bonifácio era um cidadão prestimoso, que soube sempre corresponder à estima e consideração de que gozava entre os seus concidadãos. Os habitantes do Limoeiro devem ser gratos a memória desse homem que tanto contribuiu para o estado em que se acha aquela florescente povoação. Com efeito, em 1844 - 45 ou quanto muito de 1840 a 1845, o Sr. Bonifácio foi estabelecer-se no Limoeiro, apenas havia ali duas ou três casas velhas, sendo uma destas a do capelão, onde estava colocado o oratório privado em que se celebravam os atos divinos e suspenso em um dos frechais da casa o sino que convocava os fiéis para assistirem a esses mesmos atos".
Depois postarei o restante dessa notícia do ano de 1861.
José Arimatéa F. Maia - Continuação:
Foi então que o Sr. Bonifácio tratou de levantar a efeito a edificação da capela sob a invocação de Nossa Senhora da Conceição, que era venerada no mesmo oratório como a padroeira daquele lugar; promoveu uma subscrição entre os moradores, animou-os a empreenderem a obra e conseguiu a força de trabalhos e perseverança construir a capela-mór e elevar as paredes do corpo da igreja a tal altura que podia comodamente servir para o culto; depois passou a administração a outros encarregados, nunca deixando de ser um benfeitor da mesma igreja. Foi ainda o Sr. Bonifácio quem primeiro promoveu a edificação de casas naquele lugar, aonde deu principio a uma rua e construiu um quarteirão de pequenas casas ou quartos próprios para o mercado público; de então em diante começou a desenvolver-se ali o gosto pela edificação, de modo que a população tem argumentado muito, e hoje é incontestavelmente a mais importante do município. Como politico pertencia o Sr. Bonifácio ao partido conservador, a quem foi sempre fiel e prestou relevantes serviços, prevalecendo-se para isso da influencia bem merecida que exercia entre os habitantes daquela localidade; revela, porém notar que, não obstante a sua dedicação ao partido, sempre se conservou sem inimigos políticos; prudente e moderado tratava bem a todos quaisquer que fossem suas opiniões politicas e por isso mesmo contava afeiçoados entre os membros de ambas as parcialidades.
Conhecendo a gravidade do mal de que se sentiu afetado, preparou-se com a recepção dos sacramentos e morreu possuído de uma verdadeira resignação. A terra lhe seja leve.
P.L.
(jornal Pedro II, 12 de dezembro de 1861, pág. 3 – nº 286).
Corrigindo: "a população tem aumentado muito e não argumentado"
Quero aqui postar uma notícia sobre a morte do CORONEL CÂNDIDO JOSÉ GONÇALVES MALVEIRA em um jornal da Capital.
CORONEL CANDIDO JOSÉ GONÇALVES MALVEIRA.
Já não pertence ao número dos vivos o distinto Coronel Candido José Gonçalves Malveira.
Acerba e triste realidade!
Quem o conheceu, não pode deixar de experimentar um doloroso choque ao reconhecer a infausta notícia do passamento de tão respeitável cidadão.
De volta de minha viagem ao Recife recebi aqui a lancinante e nova, pungentemente emocionado.
Por inúmeras vezes tive o prazer de reconhecer no meu pranteado amigo coronel Malveira, os mais raros e nobres predicados, que tanto enalteciam a sua veneranda individualidade.
Todos viam naquele cavalheiro, um pai de família exemplar, um católico sincero e fervoroso, um amigo modelo de caráter imaculado e um correligionário dedicado e honesto.
Na cidade do Limoeiro onde ele residia, Gregos e Troianos sentiram enormemente a sua morte!
Profundo e bem profundo foi o vácuo deixado por tão distinto cidadão, cuja pureza de costumes servia de verdadeiros ensinamentos aos que o admiravam.
A desolada e ilustre família do pranteado morto e notadamente ao seu digno filho João Candido Malveira e ilustre genros Francisco Nunes e José Nunes Guerreiro, envio minhas sinceras condolências, como também ao partido Republicano Federal que nele contava uma de suas legitimas influências nesta comarca.
Aracaty, 10 de julho de 1896.
Alexandrino F. da Costa Lima.
Algumas informações de Francisco Casimiro Varella publicada em jornais do passado:
*Em 28 de julho de 1872 o Partido Liberal do Limoeiro, teve uma grande reunião para organização do diretório liberal, que ficou composta dos seguintes cidadãos: Cândido José Gonçalves Malveira, presidente; Osterne Lindolpho Ferreira Maia, secretário; José Vidal Maciel; Balthazar de Brito Pereira; Francisco Casimiro Varella de Oliveira; Francisco Xavier Mendes Guimarães; Damião da Silva Costa; Antônio Manoel Ferreira Maia; Padre Ambrósio Rodrigues Machado e Silva; Salustio Joaquim da Silva; Ezequiel Lopes d’Andrade, José Felício Fernandes da Silva; José Martiniano de Marrocos.
Francisco Casimiro Varella em 14 de junho de 1892 fez parte da Exposição de Chicago: Comissão encarregada de promover a representação do Ceará colombiana de Chicago.
De Limoeiro
Candido José Gonçalves Malveira, Serafim Tolentino Freire Chaves, José Nunes Guerreiro, João de Hollanda Cavalcante e Mello.
*Em 22 de outubro de 1892, Francisco Casimiro Varella e sua mulher, afiançaram o escrivão nomeado para a coletoria do Limoeiro, Antônio Varella da Costa Lima, oferecendo-se bens a hipoteca e requerendo que se lavre o termo de responsabilidade.
*Francisco Casimiro Varella foi suplente JUIZ DE PAZ entre 1873 – 1876 Freguesia da Vila do Limoeiro – 3º Distrito.
*Sr. Francisco Casimiro Varella era um boiadeiro do Limoeiro, assim informou jornal Cearense, em 5 de maio de 1876. Que o mesmo vendia Carnes Verdes na feira do Arouchos atual Parangaba.
*Em 15 de agosto de 1892 foram nomeados para a Guarda Nacional do Ceará: Limoeiro, o tenente coronel comandante – Francisco Casimiro Varella, major fiscal – Inácio Mendes Guerreiro de Andrade.
*Francisco Casimiro Varella foi em 1890, 1º suplente de delegado do Limoeiro.
*Limoeiro 21 de março de 1894 – Candido José Gonçalves Malveira – Presidente da Câmara; João de Hollanda Cavalcante Mello – vice – presidente; Joaquim Nunes Guerreiro - vereador; "Francisco Casimiro Varella - Intendente"; Vicente Fernandes da Silva - vereador e João Mendes Guerreiro - vereador.
Em 1915 Francisco Casimiro Varella era Fiscal Geral de Limoeiro.
Será que Francisco Casimiro Varella era um aventureiro?
Leiam um fato desse homem considerado "resoluto e decidido" pela imprensa da Capital.
Carnes Verdes
Ultimamente, porém um boiadeiro do Limoeiro, o Sr. Francisco Casimiro Varella, homem resoluto e decidido, chegou à feira do Arouches com um magote de gado e não vendeu porque o maior preço que achou foi 25&000 reis.
Nestas circunstâncias o Sr. Varella veio para a Capital abater o gado, novilhos no retalho. Os monopolistas desapontados ofereceram-lhe maior preço, mas, o Sr. Varella recusou e continuou a matar o seu gado, fazendo logo descer o preço da carne verde de 360 e 400 reis a 240 e 200 reis o quilo.
É inútil dizer que o povo correu em chusma aos açougues do Sr. Varella, que sem demora dispôs de todo o seu gado e não perdeu dinheiro, conforme nos asseguram, ao passo que se o entregasse pelo irrisório preço que a sociedade lhe oferecera, perderia mais de 300$000 reis.
E querendo dar uma boa lição aos monopolistas foi no sábado seguinte à feira e comprou gado para vender carne barata ao povo da capital, o que efetivamente aconteceu com grande aplauso e proveito do público e desespero dos atravessadores desconcertados, os quais quase arrebentaram de raiva.
Assim, graças ao Sr. Varella, tivemos carne barata durante duas semanas e os boiadeiros mais desafogados venderam seu gado por preço razoável.
Infelizmente, porém o Sr. Varella adoeceu e retirou-se há poucos dias; mas, consta-nos que brevemente voltará para continuar sua obra meritória.
É realmente uma vergonha para a câmara, o fato que vimos expor.
O que ela com todo seu poder e dinheiro não pode conseguir – fê-lo, sem grande trabalho, um boiadeiro do sertão, com poucos recursos e lutando contra todos os obstáculos suscitados pelos especuladores.
Ninguém conseguia derrubar o monopólio dos marchantes do comercio de carne verde, nem a câmara municipal da capital, através de seu presidente o Sr. José Albano que estava desmoralizado e desacreditado. Nada pode fazer salvo o Sr. Francisco Casimiro Varella do Limoeiro.
(jornal Cearense, 5 de maio de 1876, Nº 39).
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