Para exemplificar que as condições impostas por Manuel de Castro aos limoeirenses eram obedecidas, por três eleições consecutivas (1970, 1974 e 1978), ele trouxe o fortalezense — e desconhecido dos jaguaribanos — Dr. Marcelo Caracas Linhares, para ser votado a Deputado Federal, numa verdadeira demonstração de que suas vontades eram sempre aceitas. Como não podia ser diferente, Marcelo Linhares não deixou uma única marca de sua passagem por Limoeiro do Norte. Vinha somente em época de eleições, recolhia os votos e distanciava-se por quatro anos, sem ter sequer a hombridade de, pelo menos, agradecer os sufrágios recebidos dos limoeirenses.

Douvina foi eleita com facilidade, numa prova de que Manuel de Castro detinha ainda uma força enorme junto ao eleitorado jaguaribano.
Douvina foi eleita em 1978 com a expressiva votação de 30.836 sufrágios. Para a legislatura de 1983 a 1986, foi reeleita, conquistando um número ainda maior de votos: 36.299.
Foi a partir da morte de José Hamilton que se estreitou a amizade entre Manuel de Castro e o Dr. José Maria Lucena. Naquela época, ele era visto como uma das inteligências exponenciais de Limoeiro e, mesmo tendo iniciado sua participação na política pelo MDB em 1966, brevemente engajou-se na ARENA, pousando confortavelmente no ninho manuelista.
Mesmo tendo ficado cerca de 9 meses no cargo, deixou a casa própria que tinha e mudou-se com a família para a Residência Oficial do Governo do Ceará (próxima ao Palácio da Abolição, na época sede do governo). Também usou o Ford Landau preto 1982, com placa de bronze "G1", com ajudante-de-ordem fardado sentado no banco dianteiro e grande escolta, em todas as suas movimentações por Fortaleza e Interior. http://pt.wikipedia.org/wiki/Manuel_de_Castro_Filho- Em 31.11.2009)
DOUVINA ALEUDA EDUARDO DE CASTRO
Nasceu em Limoeiro do Norte (CE) em 23 de março de 1941. Filha de Manoel Castro Filho e Osmira Eduardo de Castro, é advogada e administradora de empresas. Iniciou seus estudos no Patronato de Santo Antônio dos Pobres, em Limoeiro do Norte, vindo, posteriormente, a residir em Fortaleza. Prestou exame de admissão no Colégio das Doroteias. Estudou, também, no Colégio da Imaculada Conceição e na Escola Doméstica São Rafael. Graduou-se em Administração de Empresas e em Direito pela Fundação Educacional Edson Queiroz (Unifor). Iniciou sua carreira política nas eleições de 1978, quando se candidatou a deputada estadual, sendo eleita com a expressiva votação de 30.836 sufrágios. Para a legislatura de 1983–1986, foi reeleita, conquistando um número ainda maior de votos: 36.299. Foi serventuária da Justiça no Cartório de Registro de Imóveis da 3ª Zona, ocupando a função de oficial substituta. Em 1986, foi indicada para o cargo de procuradora do Tribunal de Contas dos Municípios, onde desempenhou suas relevantes funções até 1999, quando se afastou por aposentadoria.
https://mapacultural.secult.ce.gov.br/files/project/5018/deputados-estaduais-21-legislatura-1983-1986.pdf
- 14.05.2025.
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Mesmo com as divergências existentes entre eles, a ida de todos para um mesmo partido dava uma demonstração clara de que as disputas por interesses pessoais continuavam, mas nenhum deles se arriscava a fazer oposição ao governo federal. O sistema político por eles criado passou, cada vez mais, a ser alimentado pela intriga, pela desconfiança e pela fofoca, configurando um verdadeiro serviço de puxa-saquismo entre os seus respectivos sectários e apaniguados. Estes faziam o mesmo jogo no interior do Estado, onde os chefetes políticos locais pouco se importavam de estar hoje com um e, amanhã, com outro. Enquanto isso, o povo continuava pagando caríssimo por um tenebroso festival de interesses pessoais. A cada dia, a cada eleição, a cada troca de coronel no poder, o estado de pobreza e de subserviência se agravava continuadamente, fazendo do cearense um mendigo cuja miséria abastecia cada vez mais a sanha dos poderosos.
Mas era preferível, para cada um deles, que o povo continuasse miserável, porque sabiam que o homem de estômago vazio não resiste ao aliciamento, tornando-se uma presa de fácil manobra política. Devido ao estado de miséria, troca o seu voto por qualquer esmola; basta que, pelo menos por um dia, torne farta a barriga dos filhos.
Por mais que se encontrem obras e mais obras provenientes dos três coronéis cearenses na época em que estiveram no poder, nada superará o efeito de miséria que provocou no povo cearense, sobretudo no interior do Estado. Na verdade, a grande obra foi a implantação da indigência, da corrupção eleitoral, do aliciamento na hora do voto e da conquista do poder a qualquer custo. Tudo isso é incomparavelmente cruel, a ponto de encobrir qualquer outra atitude que possa ser descrita como razão de desenvolvimento.
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A VOLTA DE VIRGILIO AO GOVERNO DO ESTADO EM 1978A indicação de VT para o governo estadual pegou de surpresa a maioria da classe política cearense, que considerava praticamente impossível a possibilidade de Távora receber a indicação de um dos governos militares. Sobretudo porque havia a versão de um famoso telegrama, solidário às medidas de João Goulart às portas do Golpe Militar, além de ter sido ministro da Viação e Obras Públicas do seu governo. Apesar de o ”bendito” telegrama ter sido muito propalado e comentado nos meios políticos e até na imprensa, Geisel o ignorou totalmente e indicou VT para governador. O que parecia impossível foi relativamente fácil, e somente um homem muito esperto como Virgílio poderia conseguir a façanha de haver apoiado João Goulart e, depois, ser indicado por um militar para o governo do Estado. Porém, deve-se levar em conta que Virgílio, além de Senador da República,
...era também vice-líder do governo Geisel para assuntos econômicos, defendendo não só o Projeto Nuclear Brasileiro, de natureza polêmica, bem como a política financeira do governo, os malabarismos tecnocráticos do Sr. Ministro do Planejamento, Mário Simonsen. (JUNIOR, Wilson Roriz. Sim, Senhor Coronel, 1984, 57)
O PLAMEG II (II Plano de Metas Governamentais) foi um plano de desenvolvimento econômico estruturado para o segundo governo de Virgílio Távora no Ceará (1979-1982), focado na modernização, infraestrutura e criação de empregos. O plano foi elaborado por uma equipe local (BNB, UFC, Uece) e financiado por operações externas, visando alavancar a industrialização estadual.
Pretendendo eliminá-los em curto prazo, Virgílio montou um esquema político-administrativo jamais visto na história cearense ao dar bastante ênfase à indústria, através do PLAMEG II. Assim, conseguiu instalar o II Polo Industrial do Nordeste no Ceará, sendo essa uma eficiente maneira de atrair o apoio político de empresários cearenses, com a certeza de que lhe agradeceriam imensamente, uma vez que colocaria o dinheiro do Estado à disposição deles.
Por intermédio da esposa, dona Luiza Távora, implementou a criação de vários projetos sociais, principalmente em Fortaleza. Devido à sua forte atuação, ela recebeu, inclusive, o apelido de "Deusa da Pobreza".
Figura inteligente e com uma capacidade de trabalho contagiante, desenvolveu na periferia de Fortaleza, junto às favelas principalmente, trabalho de assistência social, que terminou transformando-se numa verdadeira fábrica de votos”. (JUNIOR, Ibid.)Voltou-se com esperteza e sagacidade para o atendimento aos correligionários, premiando, ainda, políticos interioranos adeptos dos seus opositores para aumentar sua força política.
Não se preocupou em endividar o Estado até o limite com a folha de pagamento, gerando um descontrole financeiro que resultou numa frase célebre, dita por ele de forma bastante irônica e transcrita para os anais da história do Ceará: “Dívida de Estado não se paga, se rola”.
Na batalha em que tentava derrubar os seus maiores adversários, contou com a inconteste dedicação do seu mais abnegado discípulo, Manuel de Castro, que, na qualidade de vice-governador, ajudava-o na montagem da estratégia, dando-lhe a necessária tranquilidade para imaginar que a região jaguaribana — pelo menos — estava salva da sanha eleitoreira de César Cals e Adauto Bezerra.E foi a Manuel de Castro que VT entregou o governo do Estado, quando teve que afastar-se para concorrer a uma vaga no Senado, instruindo-o nas estratégias para a campanha para governador e senador.
Assim, através do Governador Castro, criou o PROMOVALE, anunciando a implantação de um ambicioso e audacioso projeto de irrigação para o Vale do Jaguaribe, que nunca funcionou.
Também orientou e endossou as aproximadamente dezesseis mil nomeações sem concurso público para diversos cargos do Estado, nomeações essas feitas à revelia da lei pelo seu sucessor.


2 comentários:
Grande Manuel de Castro
Grande político e pai da pobreza do Ceará e interior
Douvina já faleceu
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