PASSADA A ELEIÇÃO DE 2008, João Dilmar iniciou o seu terceiro mandato como prefeito, enfrentando, antes de tudo, uma forte disputa judicial. Paulo Duarte, segundo colocado no pleito, ajuizou uma ação contra o mandato, acusando a chapa eleita de abuso de poder econômico, político e compra de votos.
A disputa judicial perdurou por todo o mandato. O prefeito chegou a ser cassado em primeira instância pela juíza eleitoral. Ele recorreu imediatamente ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE-CE) e obteve de pronto uma liminar para permanecer no cargo até que o colegiado decidisse sobre a questão. Em junho, o pleno do TRE-CE reformou a sentença por unanimidade, afirmando faltarem provas robustas e garantindo a sua permanência. Contudo, Paulo Duarte recorreu ao TSE, fazendo com que o prefeito exercesse o mandato por força de liminar até o seu término, em 31 de dezembro de 2012.
Sua gestão foi marcada por uma coligação local e investimentos em convênios federais. O mandato incluiu ações na infraestrutura e saneamento, mas também enfrentou severas ressalvas nos órgãos de controle devido a problemas nas prestações de contas.
Durante esse período, o governo municipal, que contava com grupos políticos coligados, assinou parcerias federais relevantes, como convênios na área de ciência, tecnologia e infraestrutura. No entanto, a administração foi alvo de processos de fiscalização. O Tribunal de Contas da União e o Tribunal de Contas do Estado do Ceará julgaram irregulares as contas referentes a obras de pavimentação e drenagem na cidade, o que resultou em inabilitação e multas ao gestor.
O nome de Mailson Cruz voltou a centralizar as articulações políticas, consolidando sua liderança na gestão de ações administrativas e estratégicas. Esse protagonismo pavimentou, gradativamente, o caminho para sua indicação como sucessor natural do então prefeito Dilmar para o pleito de 2012.
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Até aquele momento, o panorama político local não indicava rupturas. Sem a emergência de novas lideranças, a disputa permanecia restrita às figuras tradicionais que já polarizavam o poder há décadas.
Com a chegada do ano eleitoral, confirmou-se o favoritismo de Mailson Cruz, lançado oficialmente pelo grupo governista como candidato à prefeitura, tendo Domingos Bezerra como companheiro de chapa.
Na oposição, Paulo Duarte confirmou sua terceira candidatura majoritária consecutiva, unindo forças com Marcos Coelho e garantindo o respaldo de peso do deputado federal Ariosto Holanda.
No final, foi eleito, até que enfim, Paulo Duarte para prefeito com 45,31% dos votos válidos, somando 15.936 votos.
O pleito foi marcado por uma disputa pulverizada, contando com seis candidatos ao Executivo municipal, e terminou com seguinte resultado:
Paulo Duarte : 15.936 votos (45,31%)Mailson Cruz: 13.399 votos (38,09%)Arivan Lucena: 5.385 votos (15,31%)Nonato Pinheiro: 245 votos (0,70%)Reginaldo: 157 votos (0,45%)Mirailton Meneses: 51 votos (0,14%)
O município também definiu seus representantes para a Câmara Municipal. Entre os parlamentares eleitos naquele ano destacaram-se nomes como Chico Baltazar, o mais votado com 1.891 votos, e Eliezer, com 1.812.
O cenário político de Limoeiro do Norte ganhou um novo capítulo com a eleição de Chico Baltazar. O sucesso nas urnas teve um forte componente hereditário: o apoio de sua mãe, a ex-vereadora Lúcia Baltazar Costa. Figura central na política local, ela exerceu cinco mandatos consecutivos e ininterruptos na Câmara Municipal entre 1992 e 2012, tendo ingressado na vida pública na eleição de 1992 a convite do então prefeito João Dilmar da Silva.
A trajetória política de Lúcia Baltazar foi marcada por uma forte assistência comunitária, mas também por práticas clientelistas que estenderam sua influência por todo o município. Esse foi o trampolim que projetou Chico Baltazar ao Legislativo.
Em seus primeiros meses na Câmara, o jovem parlamentar surpreendeu positivamente. Com um perfil moderado e discursos coerentes na tribuna, ele rapidamente conquistou a simpatia e a admiração dos limoeirenses. A opinião pública logo viu nele o nascimento de uma nova liderança para a cidade.
A expectativa, contudo, durou pouco. Diante de sua rápida ascensão, grupos políticos tradicionais da região — as chamadas "velhas raposas" locais — agiram para conter essa ameaça. Atraído pelas forças da política tradicional, Chico Baltazar acabou cooptado, interrompendo o que prometia ser uma renovação no cenário limoeirense.
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Com Paulo Duarte prefeito, Limoeiro do Norte assistia, estupefata, a um autêntico milagre do avesso: o triunfo do fracasso. Incrivelmente, ele conseguiu superar o ex-prefeito Ademar Celedônio, que, até então, ostentava com certa exclusividade o título de pior prefeito.
Mas a história política de Limoeiro do Norte, sempre surpreendente, provou com a gestão de Paulo Duarte que sempre há alguém pior. O que parecia uma ironia do destino confirmou-se: ele assumiu a prefeitura, ironicamente, para destronar Ademar da inépcia administrativa e o fez com muita "competência". Convém lembrar que Ademar Celedônio foi eleito em 1992, exatamente com o apoio de Paulo Duarte e seu grupo, que estiveram presentes na administração durante toda a gestão. Além do mais, transformou a folha de pagamento municipal em uma campanha populista. Contratou, sem critérios, méritos ou freios, uma quantidade enorme de pessoas, o que não tardou a apresentar resultados negativos. Inchou a folha de pagamento ao ponto de não ter condições de honrar o compromisso com os salários.
Para mascarar o desastre financeiro que batia à porta, a gestão optou pela arte do espetáculo. Todas as quartas-feiras, em frente ao prédio da prefeitura, com palanque montado, encenava-se uma prática moderna do milenar panem et circenses adotado por alguns imperadores romano. O que os assessores mais fiéis tentavam vender como uma "prestação de contas semanal" logo se despiu de qualquer seriedade. Transformou-se em uma farsa tragicômica batizada pelo povo de "O Caldão de Paulo Duarte". Ali, entre discursos vazios, distribuía-se um caldo ralo acompanhado de pão aos presentes. Era a inoperância administrativa servida em tamina em plena praça pública: uma tentativa quase teatral de saciar a indignação popular com um desprezível caldo.
Enquanto a praça se entretinha com o vapor das panelas fervendo o caldo, o gabinete do prefeito permanecia vazio de liderança. O desinteresse do gestor pelas obrigações do cargo tornou-se uma sombra evidente. O poder, outrora conquistado nas urnas, foi informalmente delegado ao seu irmão, Marduque Duarte, figura que compartilhava da mesma inoperância.
O ápice desse enredo foi o relacionamento com o vice-prefeito que ruiu em poucos meses, afogado no mesmo mar de descaso que assolava os servidores. A situação chegou ao ponto do absurdo jurídico: o vice-prefeito viu-se obrigado a acionar a Justiça para receber o próprio salário atrasado. Se o próprio vice-prefeito precisava da justiça para ver a cor do seu dinheiro, o que restava aos trabalhadores comuns, contratados sob as falsas promessas das quartas-feiras de caldo e ilusão?
Durante o exercício do mandato, em setembro de 2015, o próprio prefeito Paulo Duarte enfrentou forte pressão jurídica promovida pela Promotoria de Justiça de Limoeiro do Norte, quando o Dr. Léo Junqueira ajuizou uma Ação Civil Pública por improbidade administrativa motivada pelo atraso injustificado no pagamento dos salários dos servidores públicos municipais. E foi diante dos protestos da categoria liderados pelo sindicato local (SINTSEM), que o promotor do caso chegou a pedir o afastamento liminar do prefeito para garantir a regularização da folha de pagamento.
Além disso, mesmo após o término do mandato, em dezembro de 2018, emergiram denúncias e prisões de servidores associadas à gestão. Embora a ação policial tenha ocorrido posteriormente, os crimes investigados foram cometidos especificamente durante o período da administração municipal.
A ofensiva foi realizada em conjunto pelo Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco), pelo Núcleo de Investigação Criminal (Nuinc) e pela Polícia Civil, que investigou desvios de dinheiro público por meio de fraudes em licitações e contratos de terceirização de mão de obra entre os anos de 2013 e 2016, imputando aos investigados crimes como: organização criminosa, falsidade ideológica, lavagem de dinheiro e fraude licitatória.
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Foi com esse cenário que Limoeiro chegou à eleição de 2016. Naquele ano, o quadro se apresentava nada favorável. João Dilmar poderia concorrer como candidato a prefeito mais uma vez, contudo, estava inelegível devido a rejeições de contas públicas e condenações, o que o impedia de registrar sua candidatura.
Quem ensaiava seu nome para disputar aquela eleição era o vereador Chico Baltazar. Todavia, ele não teve, declaradamente, o aval de Dilmar e seu grupo, que optou por articular o nome do desembargador federal aposentado, Dr. José Maria de Oliveira Lucena. Faltou a Chico Baltazar a audácia para sustentar a candidatura e peitar as decisões da cúpula, mesmo diante do desinteresse inicial demonstrado por Lucena. Caso o vereador tivesse mantido firmeza em seu propósito, o magistrado aposentado dificilmente teria entrado no pleito.
Em vez de buscar o confronto para viabilizar seu nome, Baltazar adotou uma postura de recuo. Em entrevista a uma rádio local, o vereador declarou publicamente que, "sendo para o Dr. José Maria, abriria mão de ser candidato". A possibilidade de unidade e a ausência de concorrência interna abriram caminho para que o Dr. José Maria aceitasse o desafio. Diante de um cenário favorável — impulsionado pelo desgaste e pelos gargalos administrativos da gestão de então —, o desembargador aposentado confirmou sua pré-candidatura a prefeito, selando a composição com Dilmar na vaga de vice.
Como o esperado, Dr. Jose Maria Lucena foi eleito prefeito em 2016 com uma larga vantagem de votos. Naquela eleição concorreram nada menos do mais quatro candidatos:
Dr. Zé Maria: 24.938 votos (71,93%)Paulo Duarte (DEM): 7.342 votos (21,18%)Pedro Julião (PP): 1.029 votos (2,97%)Anchieta Sousa (PSL): 675 votos (1,95%)Professor Hélio (PC do B): 662 votos (1,91%)Edilson Santiago (PSB): 25 votos (0,07%)

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