APÓS TER RECEBIDO uma expressiva votação e criado uma espécie de alívio em grande parte do eleitorado que queria ver Arivan fora da prefeitura, Dilmar assumiu no dia 1º de janeiro de 2005, prometendo um governo popular.
Porém, antes de comparecer à Câmara Municipal para tomar posse no governo, um problema teve que ser resolvido: o surgimento de um impasse para a eleição da presidência da Casa. O "grupão" havia acertado que Marduque Duarte seria eleito para presidir o Legislativo, mas Lúcia Baltazar, incentivada por adversários — sobretudo os vereadores eleitos pela ala de Arivan Lucena —, manifestou, de última hora, sua intenção de também concorrer. O fato gerou um momento de grande turbulência, sendo preciso mobilizar tanto o prefeito eleito quanto os deputados Paulo Duarte e Ariosto Holanda, que precisaram intervir diretamente nas negociações para convencer a vereadora a desistir da candidatura. A verdade é que a disposição de Lúcia dividia de tal forma os votos que corria o risco de Marduque ser derrotado, o que atrapalharia o acordo estabelecido ainda em campanha.
Finalmente, tudo foi resolvido, e Marduque foi eleito presidente do Legislativo municipal.
Com semblante sorridente e pretencioso, voltava à prefeitura montado nos defeitos da administração passada, insinuando que Limoeiro havia, naquele momento, saído de uma situação de caos.
A escolha do secretariado não apresentou nenhuma novidade. A lista foi divulgada por ele próprio, um dia antes da posse, pela Rádio Vale do Jaguaribe, e dentre os nomeados estava o radialista Rosálio Daniel para a Secretaria de Cultura.
O discurso de posse na Câmara de Vereadores foi recheado de contornos inovadores, gabando-se como o melhor para Limoeiro. Sem se preocupar com a demagogia da qual sempre se utilizou para enganar os limoeirenses, quando se referiu a Ariosto Holanda e Paulo Duarte, chamou-os de “meus deputados”, exaltando as qualidades de ambos.
Convocou a população para participar do seu governo, dizendo que, a partir daquele momento, o prefeito não tinha adversários e estavam todos — poder público e população — imbuídos do propósito de desenvolver o município.
Dilmar iniciou seu governo praticando o nepotismo, quando colocou a esposa, Dra. Célia, na Ação Social, e o irmão, Deuzimar, na Secretaria de Agricultura.
Para abrigar dois suplentes na Câmara de Vereadores, convidou para o secretariado os vereadores eleitos: José Lins Guerra (Eliézer) para Obras e Gladis Bandeira para a Chefia de Gabinete.
Desta vez, o Dr. Maílson Cruz ficou fora do secretariado; entretanto, o seu braço direito, Mâncio, foi colocado na Secretaria de Administração e Finanças, confirmando os boatos de que Maílson seria o responsável pelas finanças do município.
Se Maílson não quis assumir nenhuma secretaria, deduz-se que a sua atuação na administração era muito mais eficiente ficando do lado de fora. Falavam ainda de que fora ele quem determinara a indicação de todos os secretários.
O slogan criado para identificar a administração, com a frase “É Tempo de Paz e Desenvolvimento” e o desenho artístico de uma pomba, sugeria pretensiosamente que Limoeiro encontrara novamente o caminho da paz e da tranquilidade.
Com o apoio da Rádio Vale do Jaguaribe, começou uma onda de propagandas do novo governo, noticiando uma administração inovadora, moderna, honesta e democrática.
O império do empreguismo, tão criticado durante a campanha, tornou-se, logo de início, uma prática à vista de todos. O prefeito esquecia-se de que, por algumas vezes, chegou a dizer que “o dinheiro da prefeitura não dava para nada porque Arivan pulverizava-o entre os seus protegidos”. Mas, mal sentou no trono, apenas tirou os “dela” e colocou os “dele”, gerando a primeira insatisfação em seu próprio eleitorado.
A partir de então, configurou-se um empreguismo exagerado e um nepotismo deslavado, quando abrigou na prefeitura parentes e aderentes, além do favorecimento aos aliados de plantão.
Não tardou para aparecerem os primeiros boatos de desvio de dinheiro público, e algumas obras e ações já se iniciavam recheadas de gravíssimas suspeitas.
Inventou um concurso público, numa tentativa de camuflar a onda de empreguismo, mas sofreu fortes denúncias logo na divulgação do edital por parte de alguns vereadores de oposição. Estes levantaram dúvidas sobre a lisura do processo de licitação por conta da empresa vencedora, correndo à boca pequena que a citada empresa pertencia ao próprio Maílson Cruz e que a licitação não passou de uma farsa.
Não obstante as denúncias, o concurso foi realizado e estas aumentaram consideravelmente após a sua aplicação. Desta vez, a população recorreu ao Ministério Público, denunciando falcatruas e favorecimentos. “Estranhamente”, o Ministério Público ignorou todas as denúncias sem se dar ao trabalho sequer de apurá-las e homologou-o como legal.
Começou também a enfrentar uma forte oposição por parte dos vereadores Nonato Pinheiro e Heraldo Holanda, quando denunciaram de forma contundente a estrada que liga o Arraial à estrada que de Quixeré, mostrando em vídeo que foi colocado na internet: o desvio de pelo menos R$ 115.000,00 reais. (https://www.youtube.com/watch?v=a8dMk3iU_o0) Por outro lado o Dr. Leovigildo denunciava a corrupção existente na administração, em uma reforma da Escola Carmelita Setúbal na Cidade Alta, também numa gravação de vídeo e da mesma forma colocado na internet.
Quanto mais o tempo passava, mas o prefeito se mostrava inoperante, confirmando a versão que era o Dr. Maílson quem realmente comandava a administração.
A tão alardeada modernidade administrativa não passou de mais um ato de enganação e o que se viu durante seu governo, foi a repetição dos mesmos desmandos que tanto colocavam o município em situação de atraso em relação aos outros municípios da região. As ruas continuavam esburacadas, muito embora em outras se construía calçamentos; o lixo acumulado nos logradouros públicos, as praças mal cuidadas, o prefeito distante do povo e dentro da administração os velhos e conhecidos “ratos de prefeitura”
28.1 RELACIONAMENTO COM PAULO DUARTE E A ELEIÇÃO DE 2006
Como era costume, desde que ingressaram na política, sempre brigarem e se unirem por conveniência, desta vez não foi diferente. Muito cedo, notava-se que aqueles que novamente se abraçaram como “grandes amigos” no último palanque, já estavam prestes a declarar mais uma briga, embora não tornassem públicas essas desavenças.
Antes, porém, da deflagração da grande intriga, e por serem mestres na arte de enganar o povo, sempre que tinham oportunidade, trocavam elogios. Pouco lhes importava se a população percebesse a farsa que costumavam estabelecer no jogo político e a falsa “amizade” existente entre eles.
A prova disso vem de uma declaração de Paulo Duarte durante a comemoração do primeiro ano de administração. Na ocasião, ele elogiava toda a equipe, inclusive o Dr. Maílson, reconhecendo-o como o homem forte ao lado de Dilmar:
“Digo isso aqui sem nenhuma necessidade de esforço. De todos os prefeitos que eu tenho acompanhado agora neste primeiro ano de mandato, pode ter certeza, o prefeito que tem uma obra mais marcante, fazendo mais obras aqui, em toda a região jaguaribana, é o prefeito Dilmar. Isso aqui é pra fazer justiça... (...) Se você chegar em Limoeiro hoje, Limoeiro está um canteiro de obras. Calçamentos, estradas asfaltadas, colégios, quadra de esportes... (...) Isso é a marca da equipe do Dilmar que tem, sempre, o projetista, aquele cara que está sempre à disposição, que é o Dr. Maílson, e merece uma referência especial pela disposição de colaborar, apoiar, fazer os projetos, ir a Brasília buscar os recursos, e essa é a marca da administração do prefeito Dilmar”. http://www.youtube.com/watch?v=fx-sBS08Q2E – em 05.04.2009
As palavras de Paulo Duarte não entusiasmavam ninguém, posto que era muito comum entre eles declarações desse tipo, tão somente para tentar repassar à população a imagem de que estavam solidamente unidos. A verdade é que, até aquele momento, eles realmente ainda não haviam brigado, e isso só viria à tona na eleição para deputado.
Quando se iniciou a campanha de 2006, já se percebiam os caminhos diversos que ambos seguiriam. Dilmar, aliado de Ciro Gomes, não tinha como deixar de apoiar a candidatura de Cid Gomes ao governo do Estado, enquanto Paulo Duarte, aliado de Tasso Jereissati, declarou seu apoio à reeleição do governador Lúcio Alcântara. Mas, até aí, não havia motivos suficientes para se aviltarem. O que estava em jogo eram as candidaturas para deputados.
Enquanto isso, Arivan Lucena, ao contrário do que pensavam seus “adversários”, mantinha vivo o seu grupo. Embora declarando seu apoio à candidatura de Cid Gomes, escolhera para deputado estadual Manoel de Castro Neto (Manezinho).
Para a Câmara Federal, tanto Paulo Duarte quanto Dilmar novamente “trabalhariam” ao lado de Ariosto Holanda. Entretanto, para a Assembleia Legislativa, existia uma dúvida com relação ao grupo de Dilmar, sobre se realmente apoiaria o nome de Paulo Duarte. Em momento algum da campanha, Dilmar e seu grupo declararam esse apoio. Por outro lado, Paulo Duarte, em momento algum, pediu votos para Ariosto Holanda; pelo contrário, juntamente com Kennedy Linhares, deixava perceber que ambos estavam trabalhando o nome de Gonzaga Mota.
Durante a campanha, nenhum deles tinha coragem de declarar-se rompido ou magoado com o outro. O tempo todo mantiveram-se calados, pois temiam uma reação contrária do povo e preferiram esconder que o "grupão" havia sofrido mais uma implosão; tanto que, durante todo o período eleitoral, não se agrediram publicamente.
Passada a eleição, logo no dia seguinte, Paulo Duarte concedeu entrevista à Rádio Vale do Jaguaribe. Na ocasião, afirmou que foi traído por Dilmar e seu grupo, responsabilizando-os por sua derrota, mesmo tendo conseguido 13.045 votos somente em Limoeiro do Norte.
A partir dali, com a briga deflagrada, Paulo Duarte tornou-se um crítico contundente da administração, usando abertamente a Rádio Vale do Jaguaribe para declarar publicamente o rompimento. Também instruiu seu irmão, Marduque, a fazer oposição cerrada na Tribuna da Câmara de Vereadores. Este, sempre em seus peculiares surtos de desequilíbrio e irresponsabilidade, transformou-se em uma verdadeira metralhadora, repetindo os mesmos pronunciamentos que fazia na época de Arivan Lucena. Aliás, Marduque tinha competência de sobra para bombardear o prefeito, pois sua maior marca — e o que melhor soube fazer — era apontar defeitos alheios.
Enquanto isso, Ariosto Holanda, em seu estilo sutil de sempre calar-se, teve uma votação expressiva de 14.728 votos. Sem nada a reclamar, não deu uma declaração sequer para agradecer pelos votos recebidos, muito menos para opinar sobre as declarações de Paulo Duarte.
Os limoeirenses, mais divididos do que nunca entre os grupos de Paulo Duarte e Dilmar, ficaram aguardando a próxima campanha, onde, mais uma vez, estariam os dois lados em palanques diferentes e, novamente, brigando desesperadamente pelo poder.

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